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Curta-metragem brasileiro vive boom e movimenta festival carioca

O fundador e diretor do Festival Curta Cinema do Rio de Janeiro, Ailton Franco Júnior, passou oito anos sem vir ao Festival de Curtas-Metragens de Clermont Ferrand, realizado no início do mês. Durante o evento, em entrevista à RFI, o produtor cultural disse ter ficado impressionado com o crescimento da mostra francesa e a vitalidade do curta-metragem em escala global. Ele prepara a programação do festival carioca, que recebeu um recorde de inscrições para esta 35ª edição, que acontece no final de março.

25 fev 2026 - 17h18
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Adriana Moysés, enviada especial a Clermont-Ferrand

O fundador e diretor do Festival Curta Rio, Ailton Franco Júnior, no estande brasileiro do Mercado do Filme do Festival de Clermont-Ferrand.
O fundador e diretor do Festival Curta Rio, Ailton Franco Júnior, no estande brasileiro do Mercado do Filme do Festival de Clermont-Ferrand.
Foto: © Adriana Moysés/RFI / RFI

"Estou sentindo que o mercado ainda continua pulsante, com bastante participantes, tanto realizadores em busca de distribuidores, de festivais, quanto também festivais em busca de filmes", comentou o carioca, que passou a frequentar a mostra de Clermont-Ferrand no final dos anos 1990.

O mesmo dinamismo marca os preparativos para o festival do Rio. "A visibilidade internacional do Curta Cinema tem atraído cada vez mais realizadores de outros países em busca de novas oportunidades", afirma Ailton. "O nosso festival há muitos anos é qualificador para o Oscar no formato curta-metragem, e isso é um grande atrativo para realizadores estrangeiros", destacou. Ele acrescenta que muitos cineastas veem o Rio como uma vitrine estratégica. "Participar da nossa seleção significa avançar na carreira e dar mais visibilidade ao próprio trabalho."

O volume de inscrições deste ano confirma a expansão acelerada do curta-metragem no Brasil. A 35ª edição do Curta Cinema atingiu números inéditos desde a criação do evento. "Recebemos cerca de 5.700 filmes inscritos, e quase 2.000 são produções brasileiras", afirma Ailton. Segundo ele, a equipe não esperava tamanha adesão. "Para nós foi realmente um recorde e um espanto."

Aumento da produção nacional

Ailton relembra os primeiros anos do evento para dimensionar essa evolução. "O festival começou para devolver o curta às salas de cinema, porque ele tinha sido banido. Naquele início, nós exibimos apenas 12 curtas", conta. Hoje, a seleção final reúne entre 150 e 200 filmes, número que varia a cada ano conforme o recorte curatorial. Para o diretor, o crescimento é reflexo direto da maturidade do formato e do aumento da produção nacional.

A diversidade internacional também se ampliou. "Hoje recebemos filmes de países do mundo inteiro", diz Ailton, destacando a importância do intercâmbio entre cinematografias e da pluralidade estética presente no curta-metragem contemporâneo.

De acordo com o diretor, parte desse vigor recente da produção brasileira vem de políticas públicas implementadas após a pandemia. "O crescimento dos últimos anos foi consequência da Lei Paulo Gustavo e da Política Nacional Aldir Blanc", afirma. As medidas permitiram que cineastas de regiões historicamente pouco representadas voltassem a filmar. "Hoje chegam curtas da Amazônia, de Rondônia, de Roraima, do Sul. Há pessoas que querem e conseguem fazer filmes em todo o país", diz. Essa expansão territorial, segundo ele, foi uma das surpresas mais positivas da atual edição.

Com o aumento do volume de obras, a seleção tornou-se ainda mais exigente. "Desse total de inscritos, exibimos menos de 1%. É um processo difícil", admite. A curadoria precisa equilibrar inovação, qualidade técnica, diversidade regional e renovação de vozes - sem perder o caráter plural que sempre marcou o festival.

Primeiros quadros

A abertura para novos realizadores é uma das pegadas fundamentais do Curta Cinema. A mostra dedicada aos primeiros filmes - hoje um marco do evento - surgiu de forma orgânica. "Sempre vimos nos primeiros filmes a possibilidade de identificar novos profissionais", diz Ailton. Ele explica que não se trata de uma categoria restrita à juventude. "Primeiro filme não é sobre idade; é sobre quem está começando no audiovisual. Na primeira obra já dá para perceber talento para direção de ator, roteiro ou produção."

A relação com o público é outro elemento que diferencia o festival. Comparando Rio e Clermont-Ferrand, Ailton observa que os franceses têm uma adesão particular. "O público de Clermont abraça o festival. A cidade vive o evento", afirma. No Rio, embora o perfil seja mais ligado ao setor audiovisual, o alcance continua amplo. "Temos espectadores de todas as idades, de jovens a pessoas da terceira idade."

Cultivar o interesse pela sala escura

Uma das prioridades do Curta Cinema é a formação de plateia. "Desde o início, o festival tem o propósito de formar público", afirma. As sessões destinadas a escolas públicas são um pilar dessa missão. "Ver um filme na internet não é a mesma coisa que assistir numa sala de cinema", defende o diretor. Para ele, a experiência coletiva permanece essencial: "O cinema é para ser vivido numa sala escura, com a luz projetando uma história diante de você."

Além das exibições, o festival mantém uma série de iniciativas paralelas. Uma delas é o tradicional Laboratório de Projetos de Curtas, agora em sua 28ª edição. "O laboratório está aberto até 27 de fevereiro e seleciona projetos para consultorias, prêmios e serviços de parceiros", explica Ailton. Debates, encontros e uma masterclass de direção - cujo nome será anunciado em breve - também integram a programação.

A 35ª edição do Curta Cinema acontece de 25 de março a 1º de abril, no Rio de Janeiro, com entrada gratuita nas salas do Grupo Estação. Ailton encerra com um convite: "Convido todos a assistirem às sessões e acompanharem o festival nas redes para saber das novidades."

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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