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‘Um Crime em comum’ faz drama social sobre burguesia branca

Longa do argentino Francisco Márquez discute a omissão e a culpabilidade da branquitude em uma história de um assassinato

14 jan 2021
09h00
atualizado às 09h48
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A omissão racista e branca é o grande vilão de Um Crime em Comum, longa do argentino Francisco Márquez. A trama conta a história do assassinato de Kevin (Eliot Otazo), filho de Nebe (Mecha Martínez), que trabalha como diarista na casa da professora de Sociologia Cecília (Elisa Carricajo). Kevin é vítima da violência policial, mas antes disso é também vítima da omissão de Cecília, que se recusou a atender o pedido de socorro do jovem, no meio da noite, quando ele apareceu batendo à sua porta. 

Cecília (Elisa Carricajo) e Nebe (Mecha Martínez) em Um Crime em Comum
Cecília (Elisa Carricajo) e Nebe (Mecha Martínez) em Um Crime em Comum
Foto: Reprodução

Apesar de ser um dos motes do longa, a violência policial é mostrada superficialmente no filme. Mas é importante perceber como ela exemplifica a realidade de abandono que as minorias desfavorecidas vivem. Seja pela forma explícita em que toma como alvo a pele não branca – que no drama de Márquez resulta na morte de Kevin, mas também por pequenos desamparos que a própria sociedade tem pelos seus, como na sequência no carro do motorista de aplicativo que impõe como limites “ não seguros” à circulação a determinados pontos da cidade.

Mas a principal discussão que o filme se propõe a fazer é sobre a culpabilidade de Cecília. Após recusar o pedido de socorro de Kevin, a professora de Sociologia parece desequilibrada. Ora absorta no que parece ser interferências sobrenaturais, ora investida em esconder o seu segredo. É um rumo perigoso que a personagem toma, abrindo espaço para a eximir de sua culpa. Mas é importante ressaltar quão interessante é que o filme tenha usado um personagem de esquerda, que se propõe a discutir essas questões, mas que na prática só repercute o que a sociedade racista e classista promove. Cecília poderia usar da desculpa do instinto da autopreservação, mas falha ao repetir comportamentos que só o privilégio branco lhe garante. 

Muito se falou no último ano sobre o racismo estrutural que continua causando vítimas fatais, não só no Brasil, mas no mundo. Casos como o assassinato de George Floyd por sufocamento e a morte do menino Miguel no elevador, por omissão da patroa de sua mãe ganharam a mídia. Pensando nisso, o filme é uma boa oportunidade para repensar não só discursos antirracistas, mas ações. 

Um Crime em Comum estreia nesta quinta-feira, 14, nos cinemas, e dia 28 na Netflix

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Fonte: Equipe portal
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