'Isso me realiza': intérprete de Libras carrega orgulho por Pernambuco no nome e faz sucesso no carnaval do Recife
Profissional reflete sobre a inclusão na festa e o crescimento de oportunidades para tradutores surdos
Uma intérprete de Libras pernambucana mora em São Paulo, mas que volta para Recife todo ano para trabalhar nos shows do carnaval. Essa é a história de Janah PE, de 32 anos, que colocou o Estado de origem até no nome artístico, tamanho é o seu orgulho da terra de onde vem.
Trabalhando no palco principal do Marco Zero há sete anos, Janah coleciona histórias da festa que tem o seu coração desde pequena. "A minha família gosta muito de carnaval, a minha mãe e o meu padrasto tinham um bloco na cidade. O palco do Marco Zero é a maior realização do intérprete do carnaval noturno."
A intérprete começou a estudar a Língua Brasileira de Sinais na adolescência e logo se identificou com o ofício. Durante o período da pandemia, o trabalho da recifense começou a ficar conhecido nacionalmente, por causa das lives, e ela passou a receber convites para oportunidades em São Paulo. Depois de muitas idas e vindas, decidiu testar o mercado do Sudeste e fazer a mudança definitiva. Atualmente, trabalha no setor artístico como intérprete de shows e peças de teatro em São Paulo.
Mas a mudança de cidade não impediu Janah de viver a experiência intensa de ser intérprete na maratona de shows do carnaval de Pernambuco. "Todos os anos eu recebo o feliz convite de voltar pra minha terra trabalhando, vendo os meus amigos, vendo a comunidade surda."
Engajada na causa da inclusão, a intérprete conta que o momento mais marcante da sua trajetória profissional na festa foi ver uma pessoa surda integrar pela primeira vez a equipe de trabalho com a Libras, o que só aconteceu em 2024.
O carnaval do Recife conta com 30 a 50 intérpretes da Libras que trazem acessibilidade a todos os palcos da cidade. Antes disso, só existiam pessoas surdas enquanto espectadoras, assistindo aos shows no camarote da acessibilidade. Depois do ano retrasado, mais intérpretes surdos passaram a trabalhar com a tradução nos dias de folia.
"Isso me realiza muito, a gente trabalha para a comunidade surda, a gente pensa na visibilidade da Língua de Sinais, a gente busca a valorização do profissional. Não temos aquela ideia assistencialista, do surdo como 'coitado'. Enxergamos o surdo como qualquer pessoa que tem o direito linguístico de estar aqui, de estar em cima do palco ou onde quiser", reflete Janah.
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