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Frevo e Maracatu, Pernambuco dá espaço aos dois ritmos

19 fev 2009 - 13h09
(atualizado às 14h54)
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Alexandra Torres

Direto de Recife

Frevo ou Maracatu? No Carnaval Multicultural de Pernambuco há espaço para os dois ritmos. A chamada Terra do Frevo tem, nos últimos anos, possibilitado ao folião que vai ao Estado conhecer o Carnaval as diversas manifestações culturais que dão o colorido à festa. Um deles é o maracatu que pode ser de baque virado (nação) ou de baque solto (rural), além das agremiações que desfilam ao ritmo do frevo.

Foto: Inaldo Lins / Divulgação

Foi em Pernambuco no início do século 19 que o ritmo atualmente conhecido como frevo originou-se como uma derivação das marchas tocadas pelas bandas marciais do Recife, tendo os metais como o maior peso de sua harmonia.

Por ter um ritmo frenético e que levantava a multidão nas ruas ganhou denominações como, "efervencente e fervura". Em 9 de fevereiro de 1907, no jornal Pequeno o ritmo passa ser chamado oficialmente de frevo, toma os salões de bailes ao ganhar letras e começar a ser cantado. A partir daí, definiu-se o frevo em três estilos: frevo de rua, canção e de bloco.

O frevo de rua é o que se chama de "frevo rasgado". Ele é executado por uma orquestra onde os metais dominam e não possui letra. O frevo canção possui uma orquestração semelhante ao de rua, só que acompanhado de letra.

Já o frevo de bloco ou lírico tem sua cadência compassada e lenta, executado por uma orquestra de pau e corda. É cantado, exclusivamente, por um coral de vozes femininas. As agremiações que desfilam ao som do ritmo podem ser encontradas em qualquer rua do Recife.

O maestro Clóvis Pereira, um dos grandes nomes do Carnaval de Pernambuco, apaixonou-se pelo frevo logo cedo, quando ainda era estudante de música no município de Caruaru, no agreste do Estado. Segundo ele, frevo e orquestra são coisas inseparáveis e que não sobrevivem um sem o outro.

O compositor de frevo de bloco Getúlio Cavalcanti é outro apaixonado pelo ritmo. Suas composições trazem histórias dos carnavais de Olinda e Recife e, de personalidades do Carnaval. Para ele, o frevo é a maneira de se imortalizar o próprio festejo do Estado.

O maracatu também se divide em dois estilos, nação e rural. O maracatu rural nasceu das senzalas, dos escravos negros que vieram para o Brasil e tem uma forte tradição religiosa. Segundo os historiadores, o maracatu nação ou de baque virado teve sua origem nas instituições dos reis negros ou reis do Congo, já existentes na França e na Espanha desde o século XV e, em Portugal a partir do séc. XVI.

Aqui no Brasil, o maracatu nação tem forte ligação com os cultos afro-brasileiros, principalmente, o candomblé e a jurema. Seu desfile se caracteriza pela reconstituição de uma corte com rei e rainha, damas, escravos, embaixador. E ainda, pela presença de bonecas ou calungas que representam os orixás.

Já o maracatu de baque solto ou rural, como é mais conhecido, surgiu ao final do século 19 com a reorganização da comunidade logo após o final da escravidão. A partir de 1914, os primeiros grupos se organizaram. Sua presença é mais marcante na Zona da Mata, norte de Pernambuco, em cidades como Aliança, Nazaré da Mara e Tracunhaém.

A figura mais marcante desse estilo de maracatu é o Caboclo de Lança, considerado o grande guerreiro ou guardião do cortejo. Com uma peruca de fitas coloridas, um manto todo bordado de lantejoulas, carregando um conjunto de chocalhos nas costas e uma lança colorida nas mãos, os caboclos de lança encantam pelo visual e pela coreografia que é de grande reverência.

Segundo o professor do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco, Biu Vicente, em Recife os caboclos surgiram nos engenhos e nos terreiros e, não eram bem recebidos pela população por andarem armados com lanças. Para poderem desfilar na capital, tiveram que adequar o seu cortejo assemelhando-o ao do maracatu nação, ou seja, incluindo elementos como a corte e as baianas (damas da corte).

O percussionista Naná Vasconcelos participa da abertura do Carnaval do Recife comandando um grupo de 100 batuqueiros de maracatu de baque virado. Segundo ele, esse é um momento mágico do Carnaval. "O maracatu representa a alma do povo negro, é o culto aos antepassados", afirmou.

Fonte: Terra
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