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Brian Johnson, do AC/DC, foi Cinderela pelo menos três vezes e nunca desistiu de seus sonhos

A biografia 'The Lives of Brian' traz relatos do músico, sua trajetória de altos e baixos, a origem de sua boina, entre outros fatos

27 out 2022 - 12h25
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AP - Antes de começar a arrancar os tetos das arenas como vocalista do ícone AC/DC, Brian Johnson trabalhava com tetos de carros.

Em seu novo livro de memórias, o cantor de Hells Bells conta como deixou de ser um instalador de forros de vinil para tetos de carros no nordeste da Inglaterra para liderar uma das bandas mais aclamadas do mundo.

É uma história de Cinderela. Só que Johnson, hoje com 75 anos, foi Cinderela pelo menos três vezes e nunca desistiu de seu sonho de cantar numa banda de rock'n'roll. "Não sei o que é isso, eu nunca, nunca desisti", disse ele recentemente por telefone de sua casa na Flórida. "Estava sempre disposto a tentar alguma coisa nova quando pessoas mais pessimistas já teriam desistido de tudo. Sempre achava que o copo estava meio cheio".

The Lives of Brian, da Dey Street Books, passa cronologicamente por seus altos e baixos, desde a infância perto de Newcastle até sua entrada no AC/DC e a gravação de Back in Black, o álbum seminal da banda.

"Não era tanto para validar minha vida", disse ele sobre o livro. "Era mais para validar a vida de todas as pessoas maravilhosas que conheci e que ajudaram a moldar minha vida: amigos da escola, amigos das oficinas, amigos da música".

A música era sua estrela-guia e ele se lembra de ir à loucura ao ouvir Little Richard cantando "Awop bop/a-loo bop/awop bam boom", aos 11 anos. "Muitos descreveram essa música, Tutti Frutti, como o som do rock'n'roll nascendo, o que é bem apropriado, porque meu sonho de me tornar cantor nasceu naquele momento também", escreve ele.

Johnson era aprendiz de engenheiro, fazia bicos de cantor, casou e foi pai bem cedo. Para ganhar dinheiro suficiente para comprar um sistema de som, ele se alistou em um regimento de infantaria de aerotransporte do exército britânico.

Ele foi a um dos primeiros shows de Jimi Hendrix na Grã-Bretanha, viu Sting se apresentar quando a estrela do The Police tinha 15 anos e fez amizade com integrantes do Slade e do Thin Lizzy. Ele viria a conhecer Chuck Berry, mas o encontro não deu certo. "Nunca conheça seus heróis", escreve ele.

Johnson, que mais tarde escreveria os versos imortais "Desencana do rabecão / porque eu não vou morrer nunca", fez sua estreia ao vivo no The Toasty Folk Trio, sobreviveu a um terrível acidente de carro e, por fim, encontrou algum sucesso na banda Geordie.

A banda chegou ao Top of the Pops - programa que era a coroação de qualquer banda nascente. Ele abriu mão de uma boa carreira em sua empresa de engenharia, mas a Geordie teve apenas um hit Top 10 e fracassou logo depois.

"Aos 28 anos, perdi tudo. Meu casamento, minha carreira, minha casa", escreve. Ele foi morar com os pais e se lembra de ter visto o AC/DC na BBC certa vez. "Adorei a banda. Mas, claro, também era um lembrete de que eu tinha vivido minha chance e estragado tudo".

Johnson reconstruiu a vida virando instalador de para-brisas - mais tarde, instalador de forro de carro - e fundou a Georgie II. Ele estava feliz. Tinha um pequeno negócio e uma pequena banda. "Pensava que era a minha segunda história de Cinderela, mas tinha mais por vir", diz ele.

O livro revela a origem da boina que é sua marca registrada: certa vez ele teve de sair correndo para um show, sem tempo para trocar de roupa, suando cola e com sujeira no rosto. Seu irmão, Maurice, emprestou sua boina de pano, uma novidade que os fãs adoraram.

Ainda assim, parte de Johnson estava insatisfeita. Um encontro com o cantor Roger Daltrey se provou fundamental. O vocalista do Who convidou Johnson - que na época morava com sua banda em um apartamento que só tinha quatro colchões no chão - para um almoçar na sua mansão.

Johnson se lembra de Daltrey vindo em sua direção de peito nu e descalço, sem sela, segurando a crina de seu cavalo branco galopante ("Se aquilo não é uma estrela do rock, pensei comigo mesmo, não sei o que é", escreve).

"Ele disse: 'Vou lhe dar um conselho, Brian. Nunca desista. Entendeu? Nunca, nunca desista. E eu realmente levei isso a sério", lembrou Johnson. "Ele provavelmente esqueceu que me disse isso, mas eu não esqueci."

Bon Scott, o vocalista original do AC/DC, morreu em 1980, e Johnson conseguiu uma audição para substituí-lo com base em recomendações, inclusive do próprio Scott, que o ouvira cantar certa noite. Só uns anos depois Johnson percebeu que eles tinham se conhecido.

Na audição, o cofundador e guitarrista Malcolm Young lhe ofereceu uma Newcastle Brown Ale, uma bela homenagem à origem de Johnson. E a primeira música de Johnson com a banda na audição foi Nutbush City Limits, de Tina Turner. ("Foi o momento mais elétrico da minha vida", escreve). Então eles cantaram algumas músicas do AC/DC. Ele conseguiu o emprego, claro. O editor de Johnson, Rowland White, autor cujo romance mais recente é Into the Black, disse que a forma da história de Johnson é "extraordinária porque geralmente não é assim que as coisas acontecem".

"Ele ficou feliz com a ideia de ter tido uma chance e fez as pazes com isso. E é isso que deixa a cena com o AC/DC mais alegre, de algum jeito, porque não era mais uma coisa pela qual ele estava lutando."

O livro termina assim que Johnson finalmente atinge seu objetivo de vida. Se os fãs estão esperando mais sobre as origens do AC/DC, ele argumenta que não é ele que tem de contar essa história, mas sim os integrantes sobreviventes, o guitarrista Angus Young, o baixista Cliff Williams e o baterista Phil Rudd. "Esse livro pertence às pessoas que estavam lá desde o início, porque é isso que eu quero ouvir", disse ele.

Johnson é um contador de histórias nato, e foi seu empresário quem primeiro sugeriu um livro de memórias. Johnson resistiu. "Toda semana sai um livro de algum velho ator ou músico. E eu sempre disse, 'Não, não, chega disso'."

Mas, encorajado a escrever alguns capítulos, Johnson se sentou com um bloco de notas amarelo. Alguns anos depois, ele tinha um livro nas mãos, o qual dedicou aos netos.

Por quê? Ele se lembra de ter perguntado ao pai como era seu avô, a caminho do enterro. Ele era "só um cara", disse seu pai. Então ele perguntou como era o avô de seu pai e a resposta foi "e eu lá sei?"

"Aí pensei, 'Que pena, que pena'", disse Johnson. "Ninguém conhece ninguém duas ou três gerações depois. Então é por isso que escrevi para meus netos. Espero que as palavras deste livro ajudem vocês a me conhecerem um pouco mais. E espero que haja um pouco de mim em vocês, e espero que vocês tenham uma vida longa e adorável". / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

Estadão
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