Bienal do Livro: Portuguesa Gabriela Albergaria conta como a natureza influencia sua obra
Artista plástica falou do trabalho que tem feito em parceria com biólogos e pesquisadores, para ler e interpretar a floresta a partir da intervenção da arte
"Eu gosto que o erro esteja presente (no nosso trabalho), o erro é importante para eu pensar", conta a artista plástica portuguesa Gabriela Albergaria, sobre o conselho que recebeu de Paula Rego, uma das principais pintoras portuguesas, morta este ano. Albergaria, que estuda a flora, falou na Bienal do Livro de São Paulo sobre a influência das plantas em seu trabalho, esculturas que emulam a natureza a partir de seus fragmentos, como troncos frondosos que chegam a ocupar salas inteiras. Sua fotografia documenta a poesia das florestas, a aleatoriedade da vida brotando do solo, matéria de poesia que norteou a edição passada da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip.
Albergaria se juntou ao curador João Fernandes na mesa Para Entender a Floresta, assunto necessário para pensar o momento de urgência ambiental que vivemos, com crise na Amazônia, queimadas e ameaças constantes ao meio ambiente. Ela contou do trabalho que tem feito, em parceria com biólogos e pesquisadores, para ler e interpretar a floresta a partir da intervenção da arte. Defendeu a floresta como um organismo vivo e pensante, proposta que integra seu repertório a partir de narrativas vegetais sobre resistência. Como a preservação da memória dos saberes ancestrais, a importância das culturas indígenas e para a conservação de territórios.
Multidisciplinar
Gabrieal Albergaria mistura elementos da escultura, desenho e fotografia em suas obras. Radicada em Berlim, ela ressalta a importância da natureza na paisagem urbana, suas obras questionam essa relação de desarmonia e interdependência dos espaços, além de demarcarem a presença vegetal no concreto. Essa incerteza, ressaltada na frase de Rego, é o clima que permeia a relação entre a cidade e o homem. O colapso ambiental pode resultar de uma sequência de erros dos homens, mas a salvação, também.
Bienal Internacional do Livro de São Paulo
- 2 a 10 de julho
2ª a 6ª, das 9h às 22h, e sábado e domingo, das 10h às 22h. A entrada é autorizada até as 21h
- Expo Center Norte (Rua José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme)
- Ingressos: R$ 30