Deborah Colker retoma temas polêmicos e tabus no palco

Companhia carioca realiza temporada no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, com “Mix” e sua mais recente criação “Belle”

18 mai 2015
09h00
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A coreógrafa dos superlativos volta à capital paulista com sua companhia de dança. O público poderá ver “Mix” nos dias 19 e 20 de maio. A mais recente criação “Belle” fica em cartaz de 22 a 24. Quem recebe Deborah Colker em dose dupla é o Teatro Sérgio Cardoso.

Público tem oportunidade única de ver na mesma semana a mais antiga e a mais nova peça da Cia. de Dança Deborah Colker
Público tem oportunidade única de ver na mesma semana a mais antiga e a mais nova peça da Cia. de Dança Deborah Colker
Foto: Flávio Colker / Divulgação

Diretamente de seu estúdio no Rio, durante uma pausa nos preparativos das peças, Deborah falou ao Terra sobre esta temporada que promete ser um recorte histórico de seu trabalho criativo. “O espetáculo ‘Mix’ inaugura um novo olhar sobre a dança, estabelecendo uma nova relação do espectador com o movimento”, explica ela.

“Mix” surgiu da proposta do curador francês Guy Darmet para que Deborah unisse as primeiras peças de sua companhia, “Vulcão” (1994) e “Velox” (1995) para a apresentação na Bienal de Dança de Lyon, em 1996.

Esta mistura de espetáculos é apresentada em quadros, cujos títulos se referem aos temas desenvolvidos nas coreografias: “Máquinas”, “Desfile” e “Paixão” têm como origem o espetáculo “Vulcão”; já “Mecânica”, “Cotidiano”, “Sonar” e “Alpinismo” foram extraídos de “Velox”.

A área cênica se expande para uma parede de escalada, com bailarinos atuando na vertical. “Além da relação da dança com o espaço, ‘Mix’ aborda elementos do mundo contemporâneo”, diz a coreógrafa que se inspirou, segundo ela, no que acontece nas ruas e nas nossas casas.

Bela da tarde e da noite
Não é a primeira vez que a companhia apresenta “Belle” para o público paulistano. Mas, Deborah garante que as mudanças que fez deixaram o espetáculo bem diferente. “Agora, tem um ato só. Não é fácil tirar um intervalo. A dinâmica toda muda”, confessa ela, que experimentou o novo formato em turnê pelo Nordeste nos meses de março e abril.

“Disseram que eu estava maluca de mexer no espetáculo”, revela a coreógrafa, dizendo que após a estreia, em 2014, e da boa resposta do público e da crítica, tomou a decisão de retirar a pausa ao assistir o espetáculo da plateia. “Tinha que ser uma viagem só. Como um filme, um livro”, justifica.

Falando em cinema e literatura, “Belle” é a livre adaptação da artista carioca para “Belle de Jour”, livro lançado em 1928, do franco-argentino Joseph Kessel. A história ganhou fama mundial quando virou filme, em 1967, sob direção do cineasta mexicano Luis Buñuel, no Brasil intitulado “A Bela da Tarde”.

Na telona, a atriz Catherine Deneuve imortalizou a personagem de Sèverine, uma burguesa entediada com o casamento que passa a dar expediente em um bordel durante as tardes e onde prefere ser chamada de Belle.

A releitura do clássico dá sequência a uma fase da companhia em que Deborah se baseia em obras literárias e que se iniciou com “Tatyana”. Na obra, de 2011, ela confronta o autor russo Aleksandr Puchkin com os protagonistas de seu texto “Eugênio Oneguin”. A próxima criação terá João Cabral de Melo Neto como inspiração.

Segundo a coreógrafa, as mudanças no espetáculo incluíram a troca de ordem das cenas e a criação de novas coreografias para fazer fusões entre elas. “O espetáculo fala do papel da mulher no casamento, na sociedade, no amor, na família e na sexualidade”, explica, complementando que ficou feliz em poder discutir com seu público “as leis da razão e do instinto”.

“Apesar de a gente estar em 2015, com toda esta abertura, existe uma hipocrisia sobre a liberdade e sobre a autenticidade do que está sendo dito. E do que pode ou não ser dito”, desabafa. E, conclui. “É importante mexer nestes assuntos”.

Polêmicas e tabus à parte, importante mesmo é aproveitar esta oportunidade única, pois é raro poder ver na mesma semana a primeira e a mais recente criação de uma companhia com o vulto e o repertório que a Cia. de Dança Deborah Colker tem.

Cia. de Dança Deborah Colker
Teatro Sérgio Cardoso
R$ 50 (balcão) e R$ 70 (plateia)

“Mix”
19 e 20 de maio, 21h

“Belle”
22 de maio, 21h
23 e 24 de maio, 18h e 21h

Ingressos à venda pelo www.ingressorapido.com.br ou na bilheteria do teatro

Fonte: Cross Content
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