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Jogos digitais mudam realidades de jovens de favelas do Rio

Seja para celular ou console, os games se tornaram febre entre jovens de comunidades, gerando renda e mudando suas vidas

7 dez 2021 13h04
| atualizado às 15h08
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Amigos se reúnem para jogar FreeFire no Rio de Janeiro
Amigos se reúnem para jogar FreeFire no Rio de Janeiro
Foto: Arquivo Pessoal/Luiz Paulo

Quem diria que há 10 anos iríamos falar que o mundo dos games virasse absolutamente uma febre mundial, e que essa febre atingiria várias favelas do Brasil.

Pois é, isso aconteceu. Com o passar dos anos, e principalmente com a pandemia, os jogos foram evoluindo com a tecnologia, ganhando mais adeptos e virando uma verdadeira onda entre adultos e jovens, e nas favelas a situação não é diferente. Segundo o levantamento Pesquisa Game Brasil 2021, 53% dos jogadores são pretos ou pardos, e 49,7% dos consumidores desse mercado são das classes C, D, e E.

Jogos como FreeFire, Grand ThreftAuto (GTA), Bomba Patch ou FIFA acabam fazendo com que milhares de jovens de várias comunidades cariocas entrem em contato com pessoas de outras comunidades. Muitas dessas pessoas encontram nos games a saída para eventuais problemas, ou para passar o tempo. Em alguns casos, a diversão vira trabalho e o mundo dos jogos passa a ser um modo de ganhar a vida e virar destaque nacional.

Segundo a psicóloga Fernanda Reis, “os jogos eletrônicos são um instrumento social que possibilita o desenvolvimento de habilidades cognitivas e motoras. Além disso, é o meio de sobrevivência em que, principalmente, os jovens das periferias e comunidades têm obtido e aperfeiçoado para interagirem e obterem autonomia financeira. Os jogos eletrônicos figuram hoje nas maiores indústrias de entretenimento moderno, ela integra, da identidade e senso de pertencimento ao jovem.”

Luiz Paulo Leal e Flavio Mattos são moradores da comunidade do Muquiço, localizada na Zona Norte do Rio, e jogadores de FreeFire. O jogo foi um divisor de águas em suas vidas. “No auge da pandemia, quando só chegavam notícias ruins, eu encontrei o jogo como algo para tirar um pouco o peso dessas notícias, e fez com que o isolamento não fosse tão pesado e sozinho. Até com o problema de emprego, consegui tirar um trocado até para pagar as coisas em casa, seja uma compra ou algo para alimentar, graças aos campeonatos amadores”, disse Luiz.

“Jogo FreeFire mais para passar o tempo, distrair, fiz bastante amizade no jogo, algumas levei para a vida. Conheci pessoas de vários lugares do Brasil, e bem no início até de outros países. O jogo está aí, dando oportunidades para todos e de todas as idades”, afirmou Flávio.

Filipe Pinheiro, Flávio Mattos, Luiz Paulo leal, Fabrício Dian se reúnem para jogar FreeFire
Filipe Pinheiro, Flávio Mattos, Luiz Paulo leal, Fabrício Dian se reúnem para jogar FreeFire
Foto: Arquivo Pessoal/Flavio Mattos

Taça das Favelas de FreeFire: Um exemplo que pode ser seguido futuramente

Um dos games mais jogados recentemente, o FreeFire inovou ao criar a Taça das Favelas. Em 2021, a competição teve mais de 1200 favelas inscritas de todos os estados brasileiros e o Distrito Federal. 36 favelas chegaram as semifinais que aconteceram entre 26 e 28 de novembro, duas eram comunidades do Rio de Janeiro: Engenho Velho de Itaboraí e Complexo do Muquiço.

Nas finais disputadas no último dia 04 de dezembro, a favela do Nhanha, localizada no Matro Grosso do Sul se sagrou campeã da Taça das Favelas. Os times de Itaboraí e do Muquiço ficaram em 8°e 11° lugares, respectivamente.

ANF
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