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Conheça os principais desejos das quebradas em 2022

Ester Carro, do projeto Fazendinhando, conta como intercâmbio a fez perceber sobre a necessidade de melhorias nas escolas brasileiras

10 fev 2022 08h00
| atualizado em 3/3/2022 às 19h37
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Por meio do Fazendinhando, Ester revitalizou um terreno do Jardim Colombo que era usado para descarte irregular de lixo
Por meio do Fazendinhando, Ester revitalizou um terreno do Jardim Colombo que era usado para descarte irregular de lixo
Foto: Léu Britto/Agência Mural

A arquiteta  e moradora do Jardim Colombo, na zona sul de São Paulo, Ester Carro, de 27 anos, vê 2022 como uma possibilidade de olhar mais para o meio ambiente para evitar os impactos vividos nas periferias.

"Os problemas estão acontecendo, as enchentes, os desastres naturais. Se nós não trabalharmos juntos, todos, pensando no coletivo, em algum momento todas essas coisas vão nos afetar também”, afirma. 

Ester é responsável pelo projeto Fazendinhando, que fica no bairro onde ela mora. O Jardim Colombo faz parte do Complexo de Paraisópolis e conta com mais de 18 mil habitantes. Por meio da iniciativa, a comunidade se organizou para transformar um terreno que era usado para despejo irregular de lixo em um parque. 

Tendo o meio ambiente como parte do seu trabalho no Jardim Colombo, ele não deixou de fora as preocupações com a crise climática em seus anseios para os próximos meses.

“Espero uma maior conscientização, de todas as pessoas, independentemente da classe social, em relação às mudanças climáticas, às nossas escolhas, às nossas ações e atitudes que podem, de alguma forma, prejudicar muito a natureza e o meio ambiente”, afirma.

A arquiteta cita questionamentos que as pessoas podem fazer, que vão desde a alimentação à perda de espaços livres, como parques e hortas, para o mercado imobiliário. 

“Nós precisamos muito, mas muito, desse trabalho em construção conjunta, com uma diversidade de pessoas pensando, inovando e criando", finaliza.

O Fazendinhando também oferece cursos de gastronomia, construção civil e artesanato para as mulheres da região. Mudanças de pensamento sobre a educação é uma outra perspectiva que ela gostaria que avançasse.

Ela passou os últimos meses de 2021 em Bogotá, na Colômbia, onde participou de um intercâmbio voluntário numa instituição com crianças vulneráveis e estudou urbanismo social. 

A experiência, que foi a primeira viagem dela para fora do país, a fez pensar sobre a educação e como o acesso às oportunidades é escasso para boa parte da população brasileira.

“Gostaria muito que a gente parasse de debater apenas sobre o básico da educação, mas aprofundar também que pobre, favelado, preto pode viajar, conhecer outros países, falar outro idioma, ter cargos de liderança e ser um agente transformador da sua própria realidade”, conta Ester.

“Quando a gente fala em educação, não se pode limitar aos muros da escola. A gente precisa debater educação falando sobre cultura, sobre nosso país, as riquezas locais que existem, levando mais oportunidades.”

Louis Guxtrava é morador do Capão Redondo e responsável pela festa Crash Party, voltada ao público LGBTQIA+
Louis Guxtrava é morador do Capão Redondo e responsável pela festa Crash Party, voltada ao público LGBTQIA+
Foto: Patricia Vilas Boas/Agência Mural

Outras perspectivas

Além de Esther, a Agência Mural conversou com algumas lideranças das periferias de São Paulo para saber quais são os desejos deles para os próximos 12 meses. 

Também da zona sul, o produtor cultural Louis Guxtrava, um dos responsáveis pela festa Crash Party no Capão Redondo, tem o desejo de ver as pessoas consumindo cada vez mais o conteúdo de artistas periféricos.

"Espero que todo esse caos passe e a gente consiga trabalhar e viver sem medo.  Que as pessoas consigam enxergar e compreender artistas periféricos, começar a consumir de fato essas pessoas, não só quem tá no hype, na maior cena".

A pandemia de Covid-19 está entre os receios da Tatiana Cintra, do Parque Arariba, na zona sul da capital, onde trabalha como assistente em uma creche. “Queria que a gente soubesse que todo mundo está se vacinando, que a política vai tomar um rumo melhor e que teremos um governo realmente preocupado com o cidadão."

Tiaraju é um dos estudiosos que compõem o Centro de Estudos Periféricos, na zona leste de São Paulo
Tiaraju é um dos estudiosos que compõem o Centro de Estudos Periféricos, na zona leste de São Paulo
Foto: Arquivo pessoal

Tiaraju Pablo, cientista social e coordenador do CEP (Centro de Estudos Periféricos), no Campus Leste da Unifesp, destacou a importância da organização comunitária no enfrentamento de dificuldades como o coronavírus e a fome.

"As periferias devem se unir, se organizar e ter um projeto coletivo para superar esse momento difícil que a gente está. Propor novas soluções de partilha, de solidariedade, de bem viver. Eu acho que a gente tem um futuro bonito pra construir”.

Agência Mural
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