Nvidia enfrenta teste de crescimento com estreia do Rubin em meio a escrutínio sobre financiamento de IA
Prestes a divulgar seus resultados, a Nvidia testa a sustentabilidade do boom de IA com a estreia dos chips Rubin em meio à crescente concorrência e ao escrutínio do mercado. Embora analistas projetem forte alta na receita trimestral, investidores temem que o bilionário apoio financeiro da empresa a clientes e data centers mascare uma demanda artificial. O sucesso da transição para a nova geração de processadores é visto como crucial para manter a liderança e a expansão da companhia no setor.
O resultado trimestral da Nvidia , previsto para a quarta-feira, testará se os mais recentes chips Rubin da empresa podem impulsionar outro período de crescimento robusto, com alguns investidores questionando a sustentabilidade do boom de gastos com inteligência artificial.
A fabricante de chips tem sido a maior beneficiária da corrida para construir infraestrutura de IA. Recentemente, porém, suas ações sofreram pressão, já que a empresa injetou bilhões de dólares de volta no ecossistema de IA, alimentando temores sobre seu papel em acordos circulares que poderiam inflar artificialmente a demanda e distorcer os sinais econômicos mais amplos.
As ações da Nvidia subiram 11,8% este ano e ficaram atrás de suas principais concorrentes, com a empresa cedendo brevemente sua posição como a empresa mais valiosa do mundo para a Apple no mês passado. Analistas esperam que sua receita no segundo trimestre quase dobre em relação ao ano anterior, atingindo US$92,18 bilhões, de acordo com a média das previsões compiladas pela LSEG, o ritmo de crescimento mais rápido em sete trimestres, impulsionado por um aumento de mais de duas vezes nas vendas de data centers.
Investidores, no entanto, estão cada vez mais focados na rapidez com que a Nvidia conseguirá fazer a transição dos clientes de seus chips Blackwell para os processadores Vera Rubin de próxima geração, com previsão de início das entregas neste outono no hemisfério norte. Esse crescimento é impulsionado por uma onda de gastos com data centers por parte das grandes empresas de tecnologia, que deve ultrapassar US$730 bilhões este ano, bem como por investimentos crescentes em empresas de nuvem menores, focadas em IA, como a CoreWeave .
GARANTIAS PARA IA GERAM PREOCUPAÇÕES
O escrutínio desses gastos se intensificou depois que a Nvidia ajudou, neste mês, a organizar um financiamento de US$500 bilhões junto a seis grandes instituições financeiras norte-americanas para seus clientes que estão construindo infraestrutura de IA. Na semana passada, a Nvidia também concordou em garantir até US$105 bilhões para ajudar a OpenAI a alugar um enorme data center em Ohio por 20 anos — um de seus maiores compromissos de financiamento em IA.
"Isso os torna uma espécie de número central do setor bancário no espaço da IA", disse Brian Mulberry, estrategista-chefe de mercado da Zacks Investment Management, que detém ações da Nvidia. "O verdadeiro risco é a exposição total à IA sem diversificação; a chave para o sucesso disso é que as taxas de adoção de ferramentas de IA continuem a crescer."
O presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, argumentou que a lógica por trás da companhia usar seu balanço patrimonial para sustentar o crescimento é simples: a fabricante de chips está com caixa abundante, que pode ser usado para apoiar a expansão da inteligência artificial por clientes que estão crescendo rapidamente, mas ainda operando no prejuízo. Ele afirmou que o apoio financeiro ao data center em Ohio não configurava financiamento circular, pois a OpenAI arcaria com o aluguel e a Nvidia estava ajudando a financiar e garantir data centers, fontes de alimentação e instalações que abrigariam seus chips por décadas.
CONCORRÊNCIA CRESCENTE
O sucesso na produção dos chips Rubin é crucial, visto que a Nvidia enfrenta crescente concorrência dos chips personalizados das grandes empresas de tecnologia e dos processadores centrais da Intel e da AMD em inferência, o processo pelo qual a IA automatiza tarefas e responde a consultas.
Analistas do Morgan Stanley estimam que esses chips podem contribuir com quase US$9 bilhões em vendas no terceiro trimestre, que termina em outubro.
"Esperamos que a empresa aponte o Rubin como um fator que desbloqueia uma grande melhoria na economia da fábrica de IA em relação à plataforma líder atual, o Blackwell", afirmaram em um relatório, acrescentando, porém, que levará algum tempo para avaliar se a Nvidia conseguirá conquistar participação de mercado da AMD e dos chips de IA personalizados que estão sendo desenvolvidos por grandes empresas de tecnologia.
Analistas esperam que a Nvidia estime um aumento de 82,8% nas vendas do terceiro trimestre, chegando a US$104,20 bilhões. A margem bruta ajustada para o segundo e terceiro trimestres deve permanecer em torno de 75%.
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