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Hotmart compra eNotas para facilitar emissão de recibos fiscais para influenciadores

Startup espera que aquisição melhore sinergia entre as duas plataformas para criadores de conteúdo

5 jul 2022 - 11h10
(atualizado às 14h15)
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A startup belohorizontina Hotmart, plataforma de soluções para criadores de conteúdo na internet, anuncia nesta terça-feira, 5, a aquisição da empresa eNotas, especializada em emissão de notas fiscais digitais. O valor do negócio não foi revelado.

A aquisição tem como intuito dar mais sinergia ao negócio da Hotmart, que provê de cursos a cartões de crédito para os influenciadores digitais. Até então, a startup possuía uma parceria com a eNotas, por onde estúdios de edição e influenciadores, por exemplo, emitiam as notas fiscais. Com a compra, a expectativa é integrar melhor o produto à plataforma, simplificando e automatizando processos dentro da empresa.

"Queremos ser essa plataforma tudo-em-um para os criadores e queremos cobrir todas as etapas da jornada do nosso cliente", conta ao Estadão o presidente executivo João Pedro Resende, quem cofundou a companhia ao lado de Mateus Bicalho em 2011. Em fevereiro de 2020, a Hotmart tornou-se uma das raras startups brasileiras considerada unicórnio, nome dado às companhias cuja avaliação de mercado supera o US$ 1 bilhão.

A eNotas, fundada em 2012 em Belo Horizonte, deve continuar operando de forma independente após a aquisição, mantendo o portfólio de clientes atuais, como TOTVS, Shopee, TV Globo e Conta Azul — nos últimos 18 meses, diz a empresa, foram transacionados R$ 71 bilhões em recibos. Nos últimos anos, porém, a companhia veio atraindo o nicho de criadores de conteúdo, tanto pela parceria com a Hotmart, quanto pelo impulso do setor no Brasil.

Na esq., Christophe Trevisani, fundador da eNotas, ao lado de João Pedro Resende (Hotmart)
Na esq., Christophe Trevisani, fundador da eNotas, ao lado de João Pedro Resende (Hotmart)
Foto: Divulgação/Hotmart / Estadão

"Com o passar dos anos, vimos cada vez mais sinergia em ofertas para esse público do empreendedorismo digital, algo que vinha de encontro ao que a Hotmart vinha construindo. Faz sentido juntarmos forças, e não trabalharmos separados", afirma Christophe Trevisani, presidente executivo e cofundador da eNotas.

Além da integração do produto, a expectativa é que, com a aquisição, a eNotas consiga ampliar o portfólio de clientes com o impulso internacional da Hotmart, que possui escritórios na Espanha, Colômbia, no México, nos Estados Unidos, na França e no Reino Unido, além de ter clientes em 188 países.

O passo da internacionalização, no entanto, não tem prazo: Resende afirma que a startup deve refinar o produto da eNotas, integrá-lo à plataforma da Hotmart e, só então, lançá-lo no mercado internacional. "Vamos ficar uns bons meses trabalhando na integração de produtos até começar a internacionalização", diz, frisando que o mercado brasileiro cresce a dois dígitos por mês em 2022. "Um dos nossos objetivos é ser uma empresa cada vez mais global. E vamos remar nessa direção."

Com a compra, a Hotmart adiciona 150 funcionários da eNotas, totalizando pouco mais de 2 mil pessoas que trabalham para a startup belorizontina.

Mau momento para as startups

A aquisição da eNotas acontece em momento em que o mercado de inovação vê secar o capital disponível para financiamento dos negócios: com a inflação global e a guerra da Ucrânia desorganizando a cadeia global de suprimentos, investidores viram as costas para investimentos de risco, como startups. Com isso, levantar rodadas tem sido mais difícil do que durante a pandemia, quando a fonte do capital parecia infinita.

"Fusões e aquisições precisam ser analisadas hoje com muito mais cautelao. Há um ano, crescer era só o que importava, mas hoje não é suficiente e é preciso mostrar perspectiva de geração de caixa", aponta Resende.

O executivo aponta que tanto a Hotmart quanto a eNotas são duas empresas lucrativas, ou seja, não são deficitárias, característica comum no mercado de startups, onde essas empresas queimam caixa para manter o alto ritmo de crescimento. "É uma aquisição prudente", define.

Estadão
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