IA do Google na mira: Reino Unido quer proteger conteúdos de sites
Reino Unido impede IA do Google de copiar conteúdos; descubra motivos, impactos legais e estratégias para proteger seus direitos online
O governo do Reino Unido discute novas regras para o uso de conteúdos jornalísticos e editoriais por sistemas de inteligência artificial, a IA. A proposta mira principalmente modelos como o Google Gemini. Esses sistemas treinam com textos disponíveis na internet e depois geram respostas com base nesse material. O debate ganhou força em 2024 e segue em 2025, com pressão de veículos de imprensa e entidades do setor.
Dessa forma, editores de notícias afirmam que gigantes de tecnologia lucram com conteúdos alheios sem autorização adequada. As empresas de mídia alegam ainda que a reprodução de reportagens por IA reduz a audiência dos sites. Com menos acessos, a publicidade digital perde força e compromete a sustentabilidade financeira das redações. Nesse cenário, o Reino Unido busca criar mecanismos de proteção mais claros para o direito autoral.
O que está em jogo na disputa entre o Reino Unido e a IA do Google?
A palavra-chave central do debate é reprodução de conteúdos por IA. As empresas de mídia pedem transparência. Elas querem saber como o Google coleta, armazena e reutiliza textos jornalísticos. O governo britânico avalia propostas que permitam aos sites bloquear o uso de seu material em treinamentos de modelos de linguagem. Esse bloqueio já existe em certa medida, por meio de arquivos como robots.txt, mas não cobre todos os cenários de uso nem oferece garantia jurídica robusta.
O Reino Unido tenta equilibrar dois interesses. De um lado, deseja estimular a inovação em inteligência artificial. De outro, precisa proteger o mercado de notícias, que enfrenta queda de receita e mudanças no consumo de informação. Os legisladores analisam experiências da União Europeia e dos Estados Unidos. Eles também ouvem associações de imprensa, acadêmicos e representantes de empresas de tecnologia. O objetivo declarado consiste em criar um ambiente regulatório previsível, com regras claras sobre licenças e remuneração.
Por que o Reino Unido quer permitir que sites rejeitem IA do Google?
A principal razão envolve o controle sobre o uso de conteúdos. Muitos veículos defendem que a IA do Google e outros sistemas utilizam reportagens, colunas e análises para responder a perguntas diretamente na página de busca. Assim, o leitor recebe um resumo da informação sem clicar no link original. Esse comportamento reduz o tráfego para os sites e enfraquece programas de assinatura digital. Por isso, os editores pedem um direito de recusa explícito e simples de implementar.
Inclusive, outro ponto sensível trata da remuneração. Empresas de mídia argumentam que a IA gera valor econômico com textos produzidos por jornalistas, fotógrafos e editores. No entendimento desses grupos, o uso de conteúdo protegido exige acordos formais de licenciamento. O Reino Unido estuda formatos de negociação coletiva, semelhantes aos já discutidos para plataformas de busca e redes sociais. Dessa forma, os sites poderiam negociar condições mínimas de pagamento ou decidir pela exclusão total de seus materiais dos treinamentos de IA.
Os defensores das novas regras destacam ainda o risco de distorções. Modelos de IA podem gerar versões imprecisas de reportagens ou misturar informações de fontes distintas. Esse cenário aumenta a preocupação com desinformação e com a perda de contexto. A rejeição ao uso por IA funcionaria, nesse caso, como uma ferramenta adicional para preservar a integridade do conteúdo jornalístico.
Como os sites podem exercer esse direito de rejeitar a IA do Google?
O debate envolve aspectos técnicos e jurídicos. A proposta em discussão prevê mecanismos de bloqueio mais objetivos e padronizados. Esses mecanismos poderiam atuar em três camadas distintas:
- Controles no próprio código do site, por meio de marcações específicas.
- Configurações em arquivos de exclusão, com comandos focados em rastreadores de IA.
- Acordos contratuais com empresas de tecnologia, com regras detalhadas de uso.
Os especialistas apontam alguns passos práticos para editoras que desejam limitar a reprodução de conteúdos por IA:
- Mapear quais ferramentas de IA acessam o site com maior frequência.
- Ajustar o arquivo robots.txt para restringir rastreadores identificados como de IA.
- Incluir metadados que indiquem a proibição de uso para treinamento ou respostas geradas.
- Monitorar consultas de IA que reproduzam trechos extensos de textos jornalísticos.
- Negociar licenças específicas quando houver interesse em parcerias com grandes plataformas.
Essas medidas ganham eficácia maior se o Reino Unido aprovar normas que reconheçam, em lei, o direito de rejeição. Com respaldo jurídico claro, veículos de comunicação poderão contestar o uso indevido de seu conteúdo em tribunais ou órgãos reguladores. Portanto, as empresas de tecnologia, por sua vez, terão de ajustar seus modelos de coleta de dados, seus contratos e suas ferramentas de busca.
Assim, o resultado esperado dessa discussão passa por novas formas de cooperação entre produtores de conteúdo e desenvolvedores de IA. O Reino Unido busca um cenário em que a inteligência artificial continue em desenvolvimento, mas respeite os direitos de quem produz informação original. A forma final das regras ainda depende de negociações políticas e técnicas, porém o recado já aparece de maneira nítida: sites querem mais poder de decisão sobre como a IA do Google e de outras empresas utiliza seus conteúdos.