Drone incendeia perímetro da primeira instalação nuclear árabe: entramos em território desconhecido
Ataque ocorre num dos momentos mais tensos desde cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos
Durante a Guerra Irã-Iraque, em 1982, um míssil atingiu acidentalmente as proximidades da instalação nuclear iraniana de Bushehr, enquanto esta ainda estava em construção. O incidente gerou tamanha preocupação internacional que, por décadas, as instalações nucleares civis no Oriente Médio foram cercadas por uma espécie de tabu não escrito, mesmo em meio aos conflitos mais intensos da região.
Fronteira que ninguém queria cruzar
Durante anos, as monarquias do Golfo presumiram que sua vasta infraestrutura energética poderia ser vulnerável a mísseis ou ataques a refinarias, portos e oleodutos. Mas uma linha psicológica ainda parecia permanecer intacta: as usinas nucleares. O incêndio causado por um drone no perímetro de Barakah, a primeira usina nuclear comercial do mundo árabe, mudou isso.
Embora não tenha havido vazamento radioativo ou danos dentro do reator, o simples fato de uma aeronave não tripulada ter chegado às imediações de uma instalação nuclear em meio à guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel abriu um cenário completamente novo para a segurança regional. O Golfo acaba de entrar em território desconhecido: não se trata mais apenas de proteger petróleo e gás, mas de defender instalações nucleares civis contra ataques baratos, difíceis de interceptar e politicamente explosivos.
Muito mais do que eletricidade
A usina nuclear de Barakah ocupa um lugar particularmente sensível na estratégia dos Emirados Árabes Unidos. Construída com tecnologia sul-coreana e em operação desde ...
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