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COP17 chega ao último dia com indefinição sobre acordo para conter degradação da biodiversidade

A COP17 sobre Biodiversidade termina nesta sexta-feira (30) em Yerevan, capital da Armênia, reunindo representantes de quase 200 países. Há quatro anos, eles assinaram um acordo para conter, até 2030, o desaparecimento de espécies e a destruição da natureza. Um documento conjunto deve ser assinado nesta COP para reforçar e acelerar essas ações. No entanto, nas últimas horas, a situação tornou-se mais complexa, o que deve estender as negociações ao longo do dia de encerramento.

30 out 2026 - 11h52
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Resumo
A COP17 sobre Biodiversidade chega ao fim sem consenso sobre o financiamento para conter a degradação ambiental e cumprir as metas do acordo de 2022. O principal entrave envolve a resistência de economias emergentes, como a China, à pressão de países ocidentais para ampliarem suas doações a fundos da ONU. Com 1 milhão de espécies ameaçadas de extinção, as negociações enfrentam impasses sobre subsídios prejudiciais, o papel dos povos indígenas e o questionamento científico por certos países.

Com informações de Lucile Gimberg, enviada especial da RFI a Yerevan

As questões financeiras, que têm sido um ponto de atrito desde o início, continuam sendo um entrave. Economias que se desenvolveram nos últimos anos — como China, Arábia Saudita e Índia — resistem à intenção dos países ocidentais de ampliar a lista de nações doadoras para a preservação da natureza.

Os quase 200 países presentes na COP17 sobre Biodiversidade têm o desafio de chegar a um consenso a respeito de pontos fundamentais para essa preservação, no último dia de uma cúpula internacional marcada pela persistência de diversos desacordos.

Duas semanas após o seu início, a conferência ainda não aponta para uma posição comum sobre temas como subsídios a atividades prejudiciais, a melhor forma de financiar a biodiversidade e o aumento da contribuição das empresas para um fundo da ONU voltado à conservação, que conta com recursos muito escassos.

"É preciso que estas negociações resultem em prioridades concretas. Mas, infelizmente, esse ainda não é o caso", lamentou Irène Wabiwa, da ONG Greenpeace International, durante uma coletiva de imprensa na capital armênia.

Às vésperas do encerramento da cúpula, a responsável pela biodiversidade na ONU, Astrid Schomaker, afirmou que os países "precisam demonstrar ousadia e inovação para encontrar um terreno comum. [...] Agora, precisamos ter a perseverança necessária para ir até o fim e concluir com êxito nossas discussões sobre todos os temas cruciais que temos em pauta".

"Um milhão de espécies estão em vias de extinção"

Um "balanço global" dos progressos alcançados — muito aguardado — também permanece em suspenso, apesar do otimismo inicial de que seria adotado antes deste dia de encerramento.

O documento baseia-se nos avanços obtidos após o acordo sobre biodiversidade de 2022, denominado Kunming-Montreal — considerado o equivalente ao Acordo de Paris sobre o clima. Esse tratado estabelece 23 metas a serem cumpridas até 2030, como a proteção de 30% das terras e dos oceanos, o combate à poluição e às espécies invasoras, bem como a restauração de ecossistemas degradados.

O ritmo de desaparecimento de espécies animais e vegetais e a degradação dos espaços naturais são tamanhos que, hoje, constituem uma questão econômica fundamental para as nossas sociedades, ressalta a ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut.

"A crise que a biodiversidade enfrenta no mundo é, no mínimo, tão grave quanto a crise climática. Aliás, essas duas crises se retroalimentam. Vale lembrar que um milhão de espécies estão em vias de extinção. Isso é algo que impacta diretamente a nossa vida cotidiana, a nossa segurança alimentar e as nossas economias. Se a biodiversidade desaparecer, se não houver mais abelhas para realizar a polinização, não teremos mais legumes nem frutas", alerta Barbut.

Ativistas do Greenpeace manifestam-se em frente à sede da FAO, durante a Conferência das Nações Unidas sobre a Biodiversidade, na Itália, em fevereiro de 2025.
Ativistas do Greenpeace manifestam-se em frente à sede da FAO, durante a Conferência das Nações Unidas sobre a Biodiversidade, na Itália, em fevereiro de 2025.
Foto: RFI

"Se os oceanos continuarem a se deteriorar na velocidade atual, não haverá mais peixes e, consequentemente, deixará de existir uma economia pesqueira, por exemplo. É importante notar a relação entre a crise da biodiversidade e o surgimento de certos vírus que, atualmente, se propagam a uma velocidade exponencial. Tudo isso faz parte de um mesmo conjunto", acrescenta.

Este balanço global atualizado deve ter como objetivo colocar os Estados de volta no caminho certo, por meio de propostas concretas. Antes do início desta conferência, uma avaliação das Nações Unidas destacou que o progresso alcançado tem sido insuficiente para atingir as metas estabelecidas para o final da década.

"Não podemos deixar passar esta oportunidade, num momento em que a preciosa biodiversidade do nosso planeta continua sendo gravemente ameaçada de todos os lados", afirmou Catherine Weller, da organização Fauna & Flora.

Novas fontes de financiamento

Outro grande ponto de impasse diz respeito à busca por novas fontes de financiamento para apoiar os esforços de preservação da natureza em escala global, uma questão delicada, visto que as finanças públicas estão sob forte pressão.

Há dias, a União Europeia vem defendendo que economias emergentes ricas, a exemplo da China, contribuam mais financeiramente. No entanto, essas discussões avançaram pouco, apesar de Pequim ter demonstrado uma "atitude um pouco mais construtiva" em comparação com outros Estados, segundo a França.

Abandonar os métodos intensivos — especialmente na agricultura, na silvicultura e na pesca — constitui, contudo, uma alavanca de ação fundamental. Por fim, os cientistas expressam preocupação: o trabalho deles está sendo questionado por um grupo de países: Rússia, Arábia Saudita, Argentina e, de forma inédita, o Brasil.

As últimas energias estão sendo empenhadas na batalha para chegar a um texto comum. É preciso ter êxito, a fim de acelerar a ação em prol da natureza, como explica Bonaventure Bondo, do Greenpeace África. Mas, para isso, é necessário envolver os povos indígenas.

"A mensagem que trazemos, ou que queremos transmitir aos negociadores e aos tomadores de decisão, é que não podemos alcançar os objetivos do Marco Global para a Biodiversidade, nem cogitar a proteção da biodiversidade, sem reconhecer o direito daqueles que estão em campo, na linha de frente da luta. Refiro-me às comunidades e aos povos indígenas que protegeram esses recursos e essa biodiversidade ao longo de gerações", argumenta Bondo. 

A cúpula da COP17 também deve decidir, neste dia de encerramento, qual país — Panamá ou Equador — sediará a próxima cúpula sobre biodiversidade, em 2028.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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