Cientistas descobrem novo possível tratamento para transtorno do estresse pós-traumático
Pesquisadores tentaram fazer com que o cérebro desse menos espaço a algumas memórias específicas; entenda
Um grupo de cientistas da Icahn School of Medicine of Mount Sinai, em Nova York, nos EUA, descobriu que estímulos cerebrais, a partir de eletrodos implantados, podem ajudar pacientes a amenizar o efeito de "memórias emocionais", abrindo caminhos para futuros tratamentos de pacientes transtorno do estresse pós-traumático (TEPT).
O estudo foi publicado na Nature Human Behavior e aconteceu da seguinte forma: 148 pessoas com epilepsia foram solicitadas a memorizar palavras mostradas em alta velocidade. A partir disso, foi constatado que palavras com maior "apelo emocional", como "cachorro" ou "furacão", eram mais lembradas do que palavras neutras, como "bolsa".
Dos 148 participantes, que já tinham eletrodos implantados em seus cérebros para o monitoramento de convulsões, 19 concordaram em receber estímulos cerebrais para que os cientistas tentassam fazer com que o cérebro desse menos espaço a algumas memórias do que outras.
Enquanto os participantes decoravam as palavras, ao mesmo tempo que os eletrodos estimulavam hipocampo, região do cérebro que desempenha um papel importante na memória, os cientistas constataram que as palavras "emocionais" foram menos lembradas — a taxa média de recordação deste grupo termos caiu de 40% para 28%.
Para garantir que essa queda na taxa de recuperação não ocorresse simplesmente porque a técnica de estímulo interrompe a recuperação da memória como um todo, os pesquisadores também analisaram outras características de recordação usadas pelos pacientes.
Por exemplo, a primeira palavra em uma lista geralmente é lembrada melhor do que outras palavras, e isso não sofreu alterações entre as sessões com e sem os estímulos cerebrais.
Os cientistas acreditam que os estímulos interrompem os processos do cérebro que marcam as memórias emocionais e tornam a memorização mais fácil.
“Muitas terapias para TEPT se concentram em fazer com que as pessoas se separem de memórias emocionais patológicas”, diz Salman Qasim, autor da pesquisa. Segundo ele, “este método pode ser usado para fazer o mesmo.”