Os animais de estimação estão substituindo os filhos? Um estudo sugere justamente o contrário
Não é renúncia, é espera: o animal de estimação é sintoma de uma estabilidade econômica que não chega
Recentemente, a onda de cachorros transportados em carrinhos de bebê tomou conta de espaços públicos, como shoppings e parques. Essa imagem se tornou símbolo de algo mais profundo: a sensação de que, em sociedades envelhecidas, os animais de estimação estão ocupando um lugar que antes pertencia aos filhos.
Mas e se essa leitura estiver incompleta — ou diretamente errada? E se, longe de substituir os filhos, os pets estiverem desempenhando outro papel na vida familiar? Um novo estudo acadêmico põe em dúvida uma crença amplamente difundida.
Para começar, os números ajudam a entender por que essa suspeita se instalou no debate público. Na Espanha, segundo a Rede Espanhola de Identificação de Animais de Companhia (REIAC), em 2023, havia mais de dez milhões de cães registrados, contra menos de dois milhões de crianças de 0 a 4 anos. Uma diferença tão grande que convida, quase automaticamente, a pensar em uma substituição dentro dos lares.
As cenas que chegam de fora reforçam essa impressão. A Coreia do Sul cruzou um limiar simbólico: já se vendem mais carrinhos para cães do que para bebês. Não é exagero, é o reflexo estatístico de um país em emergência demográfica. A tendência pegou tanto que até a fé se adaptou. Em templos japoneses como o de Ichigaya Kamegaoka, o ritual milenar do Shichi-Go-San — antes exclusivo para crianças — passou a se encher de focinhos e coleiras. Na falta de crianças, os santuários abençoam animais de estimação para evitar que suas liturgias fiquem sem ...
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