Atacama tem uma surpresa: o deserto mais seco do mundo possui uma diversidade riquíssima de vida — com vermes que lembram Duna
Onde quase não chove, a vida encontra um jeito
Quando se pensa no Deserto do Atacama, a imagem é de um cenário quase extraterrestre: solo salino, quase nenhuma chuva, radiação solar intensa e variações bruscas de temperatura. Frequentemente comparado a desertos polares, ele é considerado o mais seco do planeta. Ainda assim, sob a superfície aparentemente estéril, a vida prospera.
Um estudo liderado pela University of Cologne revelou que o solo do Atacama abriga uma surpreendente diversidade de nematoides, vermes microscópicos que desempenham papel crucial nos ecossistemas. Nada de criaturas gigantes como na obra de Duna, mas organismos invisíveis a olho nu que resistem onde quase nada mais consegue sobreviver, assim como no deserto de Arrakis.
Onde quase não chove, a vida encontra um jeito
Os pesquisadores analisaram seis regiões com condições ambientais distintas, incluindo dunas, salares, leitos de rios secos e áreas montanhosas de maior altitude. Descobriram que a biodiversidade aumenta conforme cresce a umidade. Regiões com um pouco mais de precipitação ou influenciadas por neblina sustentam comunidades mais variadas.
A altitude também faz diferença. Em áreas mais elevadas, muitas espécies se reproduzem de forma assexuada, por partenogênese, uma estratégia que pode ser vantajosa em ambientes extremos, onde encontrar parceiros é raro e as condições mudam rapidamente.
Os nematoides são fundamentais para o equilíbrio do solo: controlam populações de bactérias, participam da ciclagem de nutrientes e indicam a saúde do ...
Matérias relacionadas