SpaceX realiza 12º teste de voo da Starship, maior nave do mundo, nesta quinta-feira
Decolagem está prevista para ocorrer a partir da plataforma de lançamento no sul do Texas, às 20h30 no horário de Brasília; este será o 12º voo da Starship, o primeiro em sete meses
A SpaceX, empresa de foguetes do bilionário Elon Musk, está prestes a lançar nesta quinta-feira, 21, a versão mais recente de seu foguete Starship, em um teste de voo que antecede sua entrada na bolsa.
A decolagem está prevista para ocorrer a partir da plataforma de lançamento no sul do Texas, às 18h30 no horário local (20h30 no horário de Brasília), em um contexto de grandes expectativas para a empresa espacial.
O teste será realizado um dia depois de a SpaceX ter apresentado aos reguladores financeiros dos Estados Unidos seu pedido para listar suas ações em bolsa, provavelmente em junho, no que pode se tornar uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) recorde.
O lançamento também contará com transmissão ao vivo e mostrará os avanços da SpaceX no desenvolvimento da Starship, peça-chave tanto dos planos ambiciosos da empresa quanto do programa da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos EUA (Nasa) para o retorno à Lua.
Este será o 12º voo da Starship, o primeiro em sete meses. A versão atual do veículo tem cerca de 124 metros de altura, maior que a anterior.
Como será o teste?
A SpaceX informou que não tentará recuperar o propulsor do foguete, uma manobra espetacular já realizada em testes anteriores. Em vez disso, ele deverá cair nas águas do Golfo do México.
O estágio superior do foguete deve lançar uma carga útil composta por 20 satélites fictícios e dois "satélites Starlink especialmente modificados", equipados com câmeras para analisar o escudo térmico da nave.
A missão está prevista para durar cerca de 65 minutos após a decolagem. Nesse período, a estrutura superior seguirá em trajetória suborbital e deve pousar no Oceano Índico, se tudo ocorrer como planejado.
As missões mais recentes da Starship terminaram com sucesso, mas testes anteriores acabaram em explosões - incluindo ocorrências sobre o Caribe e outra após atingir o espaço.
Em junho de 2025, a parte superior explodiu durante um teste em solo. A missão avança apesar de um acidente recente com um trabalhador, que teria morrido após cair de um andaime na base no Texas, segundo relatos.
Apostas enormes
O teste ocorre em um momento crucial para a SpaceX. A empresa tem contrato com a Nasa para desenvolver uma versão modificada da Starship que servirá como sistema de pouso na Lua.
O programa Artemis, da Nasa, tem como objetivo levar novamente astronautas à Lua, enquanto a China se prepara para sua primeira missão tripulada prevista para 2030.
Diante do atraso do setor privado, cresce a inquietação no governo Trump, em meio a temores de que os EUA possam não ser os primeiros nessa nova corrida espacial.
As apostas do lançamento desta quinta-feira são "enormes", afirmou o físico G. Scott Hubbard, ex-diretor do Centro de Pesquisa Ames da Nasa.
"Há muito em jogo", disse o especialista em astronáutica, que atualmente trabalha na Universidade de Stanford.
Para Antoine Grenier, sócio e responsável global pela área espacial na consultoria estratégica Analysys Mason, "se o lançamento ocorrer sem contratempos, isso realmente abrirá caminho para mais infraestrutura espacial e contratos para a Lua".
Tanto a SpaceX quanto sua rival Blue Origin, de Jeff Bezos, que também disputa o desenvolvimento de um módulo de pouso lunar, têm reorientado suas estratégias para priorizar projetos ligados à Lua.
A Nasa pretende testar em 2027 um encontro em órbita entre a nave espacial e um ou dois módulos lunares e realizar um pouso tripulado antes do fim de 2028.
No entanto, especialistas do setor demonstram ceticismo quanto à capacidade da SpaceX e da Blue Origin de cumprir esses prazos.
Um dos principais desafios é demonstrar a capacidade de reabastecimento em órbita com propelente super-resfriado - uma etapa essencial, mas ainda não testada, para missões ao espaço profundo. "Esperemos que consigam", disse Hubbard, "mas é um grande desafio de engenharia"./Com informações da AFP
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