Aumento de casos de câncer de mama na China gera estudos
Aumento de casos de câncer de mama na China gera estudos
Roni Caryn Rabin
As mulheres asiáticas historicamente apresentam uma incidência relativamente rara de câncer de mama, mas isso está mudando na China - em parte, afirmam especialistas, devido à rápida urbanização, à poluição generalizada, a alterações de dieta e à política do governo que só permite um filho por mulher. (As mulheres que têm mais filhos tendem a apresentar menos incidência de câncer de mama.)
Agora, pela primeira vez um grande estudo internacional sobre câncer de mama recrutará até 200 pacientes da doença em Pequim e seis outras cidades chinesas, para um teste clínico aleatório e com grupo de controle cujo objetivo é avaliar a efetividade da radioterapia conduzida depois de uma mastectomia.
O objetivo é descobrir se radioterapia pós-cirúrgica melhora os resultados finais do processo de tratamento para mulheres com risco moderado de recorrência, e identificar marcadores, ou impressões digitais moleculares, específicos de tumores, com base nos quais se torne possível prever a probabilidade de que o câncer responda ao tratamento.
O teste clínico, dirigido pelo Dr. Ian Kunkler, professor no Centro de Pesquisa do Câncer de Edimburgo, na Escócia, incluirá um total de 3,7 mil pacientes. Cerca de dois terços das participantes serão britânicas, e as demais virão de outras partes da Europa, bem como da Austrália, Cingapura e Japão.
"Trata-se de um fato inédito", disse Kunkler. Companhias farmacêuticas conduziram testes clínicos com remédios de quimioterapia na China, mas "nenhuma paciente chinesa havia até agora sido recrutada para um teste controlado e aleatório de radioterapia em câncer de mama", disse.
Ainda que muitas pacientes norte-americanas sejam tratadas com o uso de uma cirurgia conhecida como lumpectomia, que permite que preservem seus seios, a mastectomia é muitas vezes o tratamento prescrito na China, onde os testes preventivos da doença são escassos e o câncer em geral costuma ser diagnosticado apenas em estágio avançado, disse Kunkler.
Tradução: Paulo Migliacci