"Ficará no fundo do jardim": compraram uma casa nos arredores de Paris e agora terão um data center que consome quatro vezes mais do que a Disneyland
O caso resume uma contradição cada vez mais visível na expansão da IA: as infraestruturas precisam de grandes quantidades de espaço, e alguém deve "pagar" por isso
A expansão da infraestrutura de IA chegou aos bairros residenciais franceses. Em Ballainvilliers, nos arredores de Paris, moradores enfrentam a construção de um data center da incorporadora Goodman vizinho às suas casas. O complexo ocupará mais de seis hectares, com 27 metros de altura, 84 sistemas de refrigeração e 44 geradores. Prevista para 2028, a instalação consumirá mais de quatro vezes a energia da Disneyland Paris, gerando forte preocupação na vizinhança sobre os impactos da obra.
Nos arredores de Paris, uma família vive há 26 anos em uma casa com jardim. Agora, do outro lado da cerca, tudo indica que será erguido um gigantesco centro de dados de 27 metros de altura, equipado com dezenas de sistemas de refrigeração e geradores elétricos.
A instalação teria capacidade para consumir mais de quatro vezes a eletricidade anual da Disneyland Paris. É a face mais próxima de uma transformação que está levando a infraestrutura de IA até as portas de bairros residenciais franceses.
No fundo do jardim
A história se passa em Ballainvilliers, uma localidade com menos de 5.000 habitantes situada ao sul de Paris, próxima a Épinay-sur-Orge. O jornal Le Parisien relatou, nesta semana, que Gilles — um profissional de TI que comprou sua casa há 26 anos — vê agora o terreno situado atrás de sua propriedade correr o risco de se transformar em uma enorme instalação industrial.
"Ficará no fundo do nosso jardim", lamenta ele na reportagem publicada. A incorporadora australiana Goodman pretende transformar uma antiga plataforma logística da editora Seuil em um centro de dados, ocupando uma área de mais de seis hectares, com obras previstas para começar a partir de meados de 2028.
Um vizinho de 27 metros
O projeto prevê um edifício de 22 metros de altura, chegando a 27 metros se contadas as chaminés. No telhado, seriam instalados 84 equipamentos de refrigeração, e o complexo contaria com 44 grupos geradores de emergência. Em outras palavras, os moradores temem ter de conviver com ...
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