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Ciência

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Quando conversamos com a IA, com quem estamos conversando, na verdade?

A inteligência artificial entrou em nossas vidas com tamanha rapidez que nos restou pouco tempo para compreender como ela altera a maneira como pensamos e nos relacionamos uns com os outros, escreve o psicoterapeuta George Chiriacescu

31 out 2026 - 10h10
(atualizado às 11h43)
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Resumo
A inteligência artificial transformou o cotidiano ao se tornar uma interlocutora paciente e sempre disponível para ouvir desabafos e dilemas pessoais. Contudo, essa dinâmica levanta o alerta de que, ao nos sentirmos compreendidos e validados por uma máquina altamente persuasiva, podemos estar apenas reforçando nossas próprias crenças e vieses preexistentes, em vez de obter uma perspectiva externa genuína, alterando profundamente a forma como pensamos e nos relacionamos.
Com a IA conversacional, algo novo está acontecendo: o interlocutor já não precisa ser inteiramente imaginado.
Com a IA conversacional, algo novo está acontecendo: o interlocutor já não precisa ser inteiramente imaginado.
Foto: Imagem: Matthias Bein/dpa/picture alliance / Xataka

Hoje, podemos ter uma conversa de duas horas com alguém que nunca se cansa, nunca fica entediado, nunca perde a paciência e — se não tivermos cuidado — pode explicar, com uma capacidade de persuasão extraordinária, exatamente por que estamos com a razão.

Contamos a essa entidade sobre nosso trabalho, nossa vida amorosa, conflitos com pessoas próximas ou decisões que temos adiado há meses; ao final, podemos nos sentir ouvidos, compreendidos e, talvez, até um pouco mais sábios.

No entanto, vale a pergunta: será que realmente descobrimos uma nova perspectiva, ou apenas passamos duas horas em uma conversa muito agradável com as nossas próprias crenças preexistentes?

A inteligência artificial entrou em nossas vidas com tamanha rapidez que tivemos pouco tempo para compreender como ela altera a forma como pensamos e nos relacionamos com os outros. Falamos sobre as profissões que ela transformará, a autonomia desses sistemas e a possibilidade de que, um dia, eles se tornem mais inteligentes do que nós.

Enquanto isso, deparamo-nos com algo muito mais próximo do nosso cotidiano: um interlocutor que está quase sempre disponível, fala a nossa língua e acompanha o nosso raciocínio com um nível de paciência que poucos seres humanos conseguiriam oferecer no dia a dia.

Ao contar a nossa história, também escolhemos o que incluir nela

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