A maneira como o ser humano vê o universo está mudando. Cada vez mais, fica claro o quão pouco sabemos sobre ele. Na verdade, os cosmologistas têm a resposta: 4%.
Os dados do observatório espacial Planck, desligado no fim de outubro, formam o capítulo mais recente da cosmologia. A sonda da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) calculou com maior precisão a idade do universo (13,8 bilhões de anos), estudou a radiação cósmica de fundo – a qual se originou no Big Bang e envolve todo o universo -, comprovou teorias anteriores e apontou números surpreendentes, como a taxa de expansão do universo, que deve provocar discussão entre os especialistas.
E isso é apenas o começo. “Em 2014, serão liberados novos resultados que certamente irão marcar profundamente a cosmologia moderna”, afirma o professor Lúcio Marassi, doutor em cosmologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e especialista em cosmologia computacional pelo Instituto de Astrofísica de Paris.
<a data-cke-saved-href="http://noticias.terra.com.br/ciencia/infograficos/retro-science/" href="http://noticias.terra.com.br/ciencia/infograficos/retro-science/">Science: novo tratamento contra o câncer é maior feito de 2013</a>
A cosmologia é a ciência que estuda a origem, a estrutura e a evolução do universo. Não se encarrega, portanto, de tarefa fácil. Mas descobertas recentes estão revirando conceitos antigos, mudando o que se sabia até há algum tempo e desdobrando um universo inimaginável – ou, pelo menos, digno de ficção científica – poucos anos atrás. Trata-se de um universo repleto, segundo a cosmologia atual, por matéria escura e energia escura, as quais formam 96% do todo.
"Só começamos a nos tornar sábios quando aprendemos o quanto ignoramos. Nesse sentido, sabendo que toda nossa ciência atual baseia-se em apenas 4% de tudo o que existe, vemos que temos ainda muito o que descobrir”, aponta Marassi. “Está começando a Era de Ouro da Cosmologia, e todo dia há uma enxurrada de novas descobertas, desvendando o quanto nosso universo é misterioso e maravilhoso".
A fim de descobrir um pouco mais sobre a Era de Ouro da Cosmologia, e o que ela significa para a nossa compreensão do universo, o Terra entrevistou o doutor Lucio Marassi, que se prestou a explicar, do modo mais acessível possível, os recentes avanços, descobertas e perspectivas dessa fascinante área da astronomia.
Terra - Por que você diz que uma era de ouro da Cosmologia está começando?
Lucio Marassi -
A Cosmologia moderna iniciou-se com a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, no início do século 20. Quando Edwin Hubble detectou que as galáxias estão afastando-se de nós, em 1929, iniciou-se a hipótese de que o universo teve um início e expandiu-se continuamente até hoje em dia; essa foi a hipótese do Big Bang, que começou a tornar-se bastante sólida com as observações da Radiação Cósmica de Fundo (RCF). A RCF, que é uma radiação de fundo que envolve todo o universo, e que originou-se no início do Big-Bang, foi descoberta observacionalmente primeiro por Penzias e Wilson em 1965 (apenas um ponto do espectro, nesta época), e confirmada totalmente pelo satélite COBE (sigla em inglês de “Cosmic Background Explorer”), lançado em 1989.
É exatamente neste ponto, com o lançamento do COBE, o primeiro satélite dedicado unicamente à obtenção de dados cosmológicos, que começa minha afirmação de que iniciamos a “era de ouro da Cosmologia”. Com o COBE descobrimos que o universo é extremamente homogêneo e isotrópico em grandes escalas, mas há anisotropias na radiação de fundo (ou seja, há variações, irregularidades); são destas pequenas irregularidades iniciais que surgiram todas as galáxias, todos os aglomerados e superaglomerados de galáxias que vemos hoje. Todas as teorias sobre formações de aglomerados galáticos começaram a ter suporte observacional a partir dos dados do COBE, divulgados em 1992.
Meteorito cai sobre a cidade de Chelyabinsk, na Rússia. Astrônomos descobrem 'super-Terras' em zona habitável de estrela. Na primeira amostra recolhida, sonda Curiosity acha água em Marte. O ano de 2013 foi cheio de fotos incríveis do espaço. Veja, a seguir, as melhores delas
Foto: AFP, EFE e Divulgação / Arte Terra
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Foto: Arte Terra
Telescópio Vista, que fica no Chile, fez novo registro de aglomerado de estrelas
Foto: ESO / Divulgação
Descoberta da maior galáxia em espiral já registra contou com cientistas da USP
Foto: Nasa / BBC News Brasil
Imagem cedida pela Nasa exibe buraco feito pelo Curiosity em Marte
Foto: Nasa / AP
A Curiosity, sonda da Nasa que pousou em Marte no mês de agosto de 2012, está prestes a utilizar sua broca para perfurar uma rocha no planeta vermelho
Foto: Nasa / Divulgação
Imagens de uma região em Marte com uma estrutura que lembra o curso de um rio foram divulgadas pela sonda Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês). Cientistas acreditam que o local - chamado Reull Vallis - foi formado quando água corrente fluiu por ali, em um passado distante no solo marciano
Foto: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum) / Divulgação
Telescópio faz novo registro de curiosa nebulosa em forma de peixe-boi
Foto: NSF Karl G. Jansky Very Large Array (VLA), NRAO/AUI/NSF, K. Golap, M. Goss; Nasa Wide Field Survey Explorer (WISE)/Tracy Colson / Divulgação
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Foto: Arte Terra
Imagem de vídeo mostra o rastro da queda de um objeto sobre a cidade de Chelyabinsk, na Rússia. Mais de 1.000 pessoas ficaram feridas em consequência de um meteoro que atravessou o céu e explodiu sobre a região central da Rússia nesta sexta-feira, lançando bolas de fogo na direção da Terra, quebrando janelas e danificando prédios.
Foto: OOO Spetszakaz / Reuters
Vista de um apartamento residencial mostra o rastro da queda de um objeto sobre a cidade de Chelyabinsk, na Rússia. Mais de 500 pessoas ficaram feridas em consequência de um meteorito que atravessou o céu e explodiu sobre a região central da Rússia nesta sexta-feira, lançando bolas de fogo na direção da Terra, quebrando janelas e danificando prédios
Foto: Reuters
Meteorito caiu na Rússia deixando centenas de feridos
Foto: Oleg Kargopolov / AFP
Polícia russa examina buraco de cerca de 8 metros onde, supostamente, o meteorito caiu
Foto: EFE
Operários trabalhavam para restabelecer a rede de energia, que foi danificada com a passagem do meteorito
Foto: EFE
Uma fábrica ficou parcialmente destruída na cidade russa de Chelyabinsk, após a queda de um meteorito na região
Foto: AFP
Pessoas observam o estrago feito pelo meteorito que caiu na Rússia na sexta-feira
Foto: EFE
A pressão provocada pelo contato do meteorito com a atmosfera da terra provocou inúmeros danos. Neste prédio de Chelyabinsk, as vidraças ficaram destruídas
Foto: AFP
Um homem conserta a janela de um salão de esportes danificada pela onda de impacto de um meteoro na cidade de Chelyabinsk, Rússia. 16/02/2013
Foto: Olaf Koens / Reuters
Trabalhadores russos selam janela que se quebrou após a passagem do meteorito
Foto: EFE
Pesquisador da Ural Federal University inspeciona fragmento de um meteoro que explodiu sobre os montes Urais, na Rússia. O meteoro, que espalhou bolas de fogo pelo céu, agora motiva uma corrida por fragmentos da rocha espacial, e os caçadores esperam ganhar milhares de dólares com cada pedaço. 18/02/2013
Foto: Stringer / Reuters
Suposto pedaço de meteorito é vendido online: russos tentaram lucrar com fenômeno
Foto: avito.ru / Reprodução
Uma das questões foi sobre a falta de gravidade. 'Simplesmente voar - tomar impulso e deslizar como mágica para o outro lado da estação. Sempre me faz sorrir', escreveu Hadfield. Acima, o ciclone tropical Haruna e o braço Cadadarm2
Foto: Chris Redfield/Nasa / Divulgação
Observatório divulgou nova imagem de nebulosa feita por telescópio no Chile
Foto: ESO / Divulgação
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Foto: Arte Terra
Cientistas divulgaram na revista especializada Science novos mapas dos canais subterrâneos de Marte. Segundo os pesquisadores, entender melhor esses canais ajuda a explicar a atividade hidrológica do passado marciano e determinar se enchentes do passado podem ter causado mudanças climáticas que deixaram o planeta comoe ele está hoje
Em outra descoberta, a Nasa revelou que a análise de uma amostra de rocha recolhida pelo robô Curiosity em Marte indica que o planeta vermelho pode ter abrigada vida. Na primeira imagem aparece amostras de rochas de Marte coletadas pela sondas Opportunity (esq.) e Curiosity
Foto: Nasa/Divulgação
Cientistas simularam as condições de vida em Marte durante um treinamento no Deserto do Saara, em Marrocos
Foto: Reuters
Usando trajes espaciais, uma pequena equipe do Fórum Espacial da Áustria se reuniu em fevereiro para se preparar para futuras missões no Planeta Vermelho
Foto: Reuters
Foram conduzidos experimentos nas áreas de engenharia, astrobiologia, geologia e outras áreas da ciência. Também foram testados diversos equipamentos e veículos. O traje utilizado na simulação é chamado Aouda Mars
Foto: Reuters
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Foto: Arte Terra
Espaçonave projetada para levar turistas em pequenos passeios além da atmosfera terrestre quebrou a barreira do som ao acionar, pela primeira vez, seu sistema de propulsão de foguete
Foto: Reprodução / BBC News Brasil
O motor da SpaceShipTwo é hibrido, usa uma mistura de combustível sólido, um composto de borracha e o oxigenador óxido nitroso, em sua forma líquida
Foto: Reprodução / BBC News Brasil
O sistema emite radiação gravitacional, ondas no espaço-tempo. Embora estas ondas não possam ser detectadas diretamente pelos astrônomos a partir da Terra, podem ser observadas indiretamente ao medir a variação da órbita do sistema à medida que este perde energia
Foto: ESO/L. Calçada / Divulgação
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Foto: Arte Terra
Empresa está construindo a primeira impressora 3D voltada para a fabricação espacial
Foto: Made in Space / Divulgação
Um satélite em órbita no espaço registrou na segunda-feira o início do tornado que devastou a a cidade de Moore, em Oklahoma, deixando ao menos 24 mortos e dezenas de feridos. A imagem divulgada pela Nasa - a agência espacial americana - mostra o movimento do fenômeno nos Estados Unidos entre os dias 19 e 20 de maio. Esse foi o quarto tornado em 14 anos a atingir diretamente a cidade. O tornado de ontem tinha cerca de 800 metros de diâmetro e se deslocou por cerca de 32 km
Foto: Nasa / Divulgação
O astronauta Chris Hadfield divulgou um vídeo seu cantando no espaço pelo Twitter e pelo Facebook
Foto: Facebook / Reprodução
Dois astronautas da estação espacial internacional começaram uma caminhada no espaço neste sábado para consertar um vazamento de amônia em um sistema de refrigeração de um dos painéis solares da estação, que fornecem eletricidade para o posto orbital
Foto: AFP
6 de maio - Estas imagens da Terra foram reconstruídas a partir de fotos tiradas por três smartphones que estão em órbita, conhecidos como "PhoneSats". O trio foi lançad em 21 de abril de 2013
Foto: Nasa / Divulgação
Como um orgulhoso pavão mostrando sua cauda, a lua Encélado, satélite natural de Saturno, foi registrada pelas câmeras da sonda Cassini
Foto: Nasa / Divulgação
A erupção do Pico Mawson, na Ilha Heard, foi capturada por um satélite da Nasa depois que foram registrados sinais que indicavam atividade vulcânica na remota ilha
Foto: Nasa / Divulgação
A primavera no Golfo da Biscaia foi registrada pela Nasa - a agência espacial americana - nesta imagem de 20 de abril de 2013
Foto: Nasa / Divulgação
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Foto: Arte Terra
Astrônomos descobriram um sistema com até sete planetas em torno da estrela de baixa massa Gliese 667 C - a uma distância de apenas 1/20 da existente entre a Terra e o Sol. Três desses planetas são "super-Terras" orbitando em torno da estrela em uma região onde a água pode existir sob forma líquida, o que torna estes planetas bons candidatos à presença de vida. Este é o primeiro sistema descoberto onde a zona habitável se encontra repleta de planetas. Leia mais -
Foto: ESO/M. Kornmesser / Divulgação
Astrônomos descobriram com o uso do telescópio Hubble evidências da formação de um planeta a 12 bilhões de quilômetros de sua estrela, o que desafia uma das teorias mais aceitas. Já foram descobertos mais de 900 planetas fora do Sistema Solar, mas este é o primeiro encontrado tão distante de sua estrela. Imagem mostra a distância da falha ("gap"), onde estaria o planeta, de sua estrela, no centro. Leia mais -
Foto: Nasa/ESA / Divulgação
A agência espacial americana divulgou uma imagem capturada pelo telescópio espacial Hubble que mostra a interação entre duas galáxias. As dupla, conhecida como Arp 142, é formada pelas galáxias NGC 2936 e pela NGC 2937 e fica na constelação de Hydra. A galáxia lembra o formato de um pássaro. Leia mais -
Foto: NASA/ESA/Hubble Heritage Team / Divulgação
Na galáxia de Andrômeda, foram identificados 26 possíveis buracos negros: o maior número já encontrado em uma galáxia fora da Via-Láctea. Leia mais -
Foto: Nasa / Divulgação
O Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) anunciou a descoberta de um buraco negro no qual parte do pó circundante é repelido em forma de ventos frios, o que põe em xeque as atuais teorias e revela como estas regiões evoluem e interagem com seu entorno. Leia mais -
Foto: ESO/M. Kornmesser / Divulgação
Mais de 10 mil asteroides e cometas que podem passar próximos à Terra já foram descobertos por astrônomos. A marca foi atingida no dia 18 de junho, quando o telescópio Pan-STARRS-1 detectou o 10.000º objeto espacial nas proximidades do planeta: o asteroide 2013 MZ5. Imagem divulgada pela Nasa mostra movimentação do asteroide com um conjunto de estrelas ao fundo. Leia mais -
Foto: PS-1/UH / Divulgação
Os Arquivos Nacionais do Reino Unido divulgaram o décimo e último lote de documentos da secretaria de óvnis do Ministério da Defesa que haviam permanecido secretos. São 4,4 mil páginas com registros feitos entre o final de 2007 e novembro de 2009 (quando o órgão foi fechado). Entre os registros curiosos estão a imagem do que seria um óvni sobre Stonehenge. Leia mais -
Foto: Reprodução
Os astronautas Wang Yaping, Zhang Xiaoguang e Nie Haisheng participaram da quinta missão tripulada realizada pelo país asiático. Wang é a segunda mulher astronauta chinesa a viajar ao espaço, e Nie o primeiro piloto do país a sair da Terra pela segunda vez, já que fez parte da tripulação do Shenzhou VI, em 2005. Leia mais -
Foto: AP
A astronauta chinesa Wang Yaping, 33 anos, deu uma aula de física a bordo da nave espacial Shenzhou X, que foi retransmitida ao vivo para 60 milhões de crianças do país asiático, na primeira vez que a China fez este tipo de atividade no espaço
Foto: AP
A jovem astronauta, piloto das Forças Aéreas da China, passa a fazer parte do seleto grupo de "professores espaciais" da história. Leia mais -
Foto: AP
A cápsula Shenzhu X regressou à Terra no dia 26 de junho, pousando sem problemas no território chinês, após a missão tripulada mais longa da história espacial da China. A nave pousou nas estepes da Mongólia interior após 15 dias em órbita da Terra, em mais uma etapa do ambicioso programa espacial chinês. Leia mais -
Foto: AP
O astronauta Chris Cassidy, engenheiro de voo da Expedição 36, utiliza câmera com lente de 400mm para fotografar um ponto da Terra, cerca de 400 quilômetros abaixo da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), de onde ele faz o registro. Cassidy está a bordo da ISS desde março e permanece lá até setembro. Ele captura e divulga as imagens em seu Twitter, assim como fez Chris Hadfield antes dele
Foto: Nasa / Divulgação
A Planetary Resources, companhia americana que pretende minerar asteroides, criou campanha de crowdfunding para desenvolver um telescópio espacial de uso compartilhado. O diferencial não reside na tecnologia do Arkyd 100, como foi batizado o telescópio, mas em seu sistema de financiamento público, via Kickstarter, até então inédito para essa finalidade. O projeto arrecadou mais de US$ 1 milhão
Foto: Divulgação
Uma contribuição de US$ 25, além de colaborar para a viabilização do projeto, garante ao doador uma foto sua no espaço. Leia mais -
Foto: Divulgação
O fenômeno que marcou o encontro mais próximo da Terra com a Lua neste ano de 2013 pôde ser visto em diversas cidades pelo Brasil e pelo mundo. O satélite natural, que em situações como esta fica maior e mais brilhante, iluminou o céu e foi registrado por muitas pessoas. Na imagem, Superlua passa pelo Memorial da Liberdade da 1º Guerra Mundial, em Kansas City, nos Estados Unidos
Foto: AP
A Superlua é vista sobre o Monumento a Washington no domingo, dia 23, na capital dos Estados Unidos. Neste ano, a Superlua é até 13,5% maior e 30% mais brilhante que a típica Lua Cheia. Esse fenômeno é o resultado do satélite natural da Terra atingindo o perigeu quando fica à menor distância em relação ao planeta
Foto: Nasa / Divulgação
Lua é vista sobre o Templo de Poseidon, em Atenas, na Grécia. O fenômeno acontece quando a Lua fica mais perto da Terra. Leia mais -
Foto: AP
Duas ou três vezes ao ano, um observatório da Nasa registra a Lua passando na frente do Sol, bloqueando a visão do astro. Apesar de ocultar o Sol das observações por um curto período, o fenômeno oferece a chance de astrônomos verem a sombra do satélite da Terra. Nesta concepção artística, feita com base em uma imagem de 2010, as características detalhadas da topografia lunar ficam visíveis. A fotografia inspirou dois profissionais da Nasa a sobrepor um modelo em três dimensões da Lua em uma representação do Sol, resultando nesse conjunto
Foto: Nasa / Divulgação
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Foto: Arte Terra
Rara imagem feita no dia 19 de julho pela lente grande-angular da sonda Cassini mostra os anéis de Saturno com o planeta Terra e a Lua ao fundo: um mesmo ponto brilhante à distância de 1,5 bilhão de quilômetros
Foto: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute / Divulgação
Comparativo da Nasa mostra imagens da Terra e a Lua vistas de Saturni pelas sondas Cassini (a 1,44 bilhão de quilômetros) e Messenger (98 milhões de quilômetros)
Foto: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute / Divulgação
Um total de 323 imagens vai montar um mosaico mostrando todo o sistema dos anéis de Saturno. Esta é a única imagem em que a Terra e a Lua aparecem juntas e distinguíveis a partir de Saturno
Foto: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute / Divulgação
Esta simulação de uma nuvem de gás passando perto do buraco negro de massa extremamente elevada situado no centro da nossa galáxia mostra o processo em meados de 2013
Detalhe da lua, cujo brilho é 100 milhões de vezes menor que o da estrela de brilho mais fraco visível a olho nu
Foto: NASA, ESA, M. Showalter / Divulgação
Imagem obtida pelo telescópio Hubble mostra a localização da lua S/2004 N 1, na órbita de Netuno, a cerca de 4,8 bilhões de quilômetros da Terra
Foto: NASA, ESA, M. Showalter / Divulgação
O astronauta Luca Parmitano aproveitou sua primeira caminhada espacial - a primeira da história feita por um italiano - para registrar tudo o que viu. Apelidado de "Luca Skywalker" pela Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) para tirar muitas fotos de si mesmo no espaço, registrar o trabalho do colega americano Chris Cassidy e tirar uma última foto da Terra antes de volta à Estação Espacial Internacional
Foto: Luca Parmitano/Twitter / Reprodução
O apelido "Luca Skywalker" é uma clara referência ao personagem Luke Skywalker, da série Star Wars, e alude - assim como no caso do filho de Darth Vader - à caminhada espacial. O sobrenome, em inglês, significa "caminhante do céu"
Foto: Luca Parmitano/Twitter / Reprodução
Luca Parmitano fez no dia 9 de julho a primeira caminhada de um europeu no espaço desde 2009
Foto: Luca Parmitano/Twitter / Reprodução
A primeira caminhada espacial de Luca foi a quinta de Cassidy (foto) e durou seis horas e sete minutos
Foto: Luca Parmitano/Twitter / Reprodução
"Meu espelho no pulso reflete meu visor, que reflete a Terra", escreveu o italiano em seu Twitter. Cada postagem costuma ser acompanhada da hashtag #Volare (voar, em italiano) - verbo que ficou conhecido no Brasil através da canção Nel blu dipinto di blu ("No azul, pintado de azul", em português)
Foto: Luca Parmitano/Twitter / Reprodução
Impressão artística do planeta azul HD 189733b mostra cores que lembram a Terra
Foto: NASA, ESA, M. Kornmesser / Divulgação
Ilustração mostra o planeta orbitando sua estrela, HD 189733
Foto: NASA, ESA, G. Bacon / Divulgação
Plutão e suas cinco luas: as já conhecidas Caronte, Nix e Hidra, e as novas Cérbero e Estige
Foto: NASA, ESA / Divulgação
A região de transição é uma camada fina entre a cromosfera e a atmosfera do Sol, onde as temperaturas variam muito - de 20 mil graus a 1 milhão de graus Celsius. Essa impressão foi capturada com luzes ultravioletas, que são invisíveis a olho nu
Foto: Nasa / Divulgação
Forças magnéticas expelem 'matéria solar' além da coroa, em eventos conhecidos como 'ejeção de massa coronal'. Esta imagem aproximada mostra o fenômeno. As ejeções podem viajar a quase 1,4 mil quilômetros por segundo, alcançando o campo magnético da Terra em questão de dias
Foto: Nasa / Divulgação
Quando a matéria solar alcança o campo magnético da Terra, ela cria este efeito magnífico, chamado de aurora. A matéria solar interage com os gases da atmosfera, produzindo esta luz encantadora. A luz é mais visível próximo aos polos magnéticos da Terra, onde há maior concentração do campo magnético. A aurora australis (no polo Sul) retratada aqui foi fotografada pela Estação Espacial Internacional
Foto: Nasa / Divulgação
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Foto: Arte Terra
A Nasa, agência espacial norte-americana, divulgou imagens do planeta GJ 504b, recém-descoberto por astrônomos. De cor rosa, o exoplaneta (aqueles que pertencem a outro sistema planetário e orbitam uma estrela que não seja o Sol) tem uma temperatura de cerca 237 graus Celsius (°C) e pesa cerca de quatro vezes a massa de Júpiter
Foto: NASA's Goddard Space Flight Center/S. Wiessinger / Divulgação
Cratera em Marte revela mais evidências de que havia água no planeta vermelho
Primeiras imagens científicas do instrumento ArTeMiS mostram a região de formação estelar da Nebulosa da Pata do Gato
Foto: ArTeMiS/ESO / Divulgação
Fotografia feita por uma sonda desenvolvido para chegar à estratosfera mostra um organismo que, segundo acreditam cientistas britânicos, é a prova de que existe vida fora da Terra
Foto: EFE
Pesquisadores da Universidade de Sheffield afirmam que encontraram os pequenos organismos após soltarem um balão na estratosfera terrestre, a 27 quilômetros de altitude
Foto: EFE
O material orgânico foi coletado durante a chuva de meteoros Perseidas, que ocorreu em agosto. A descoberta da equipe liderada por Milton Wainwright foi publicada no controverso Journal of Cosmology
Foto: EFE
O Observatório Real de Londres divulgou as imagens vencedoras do prêmio Fotógrafo de Astronomia do ano. Guiding Light to the Stars, de Mark Gee (Austrália), foi a imagem vencedora na categoria Terra e Espaço. A partir de Cape Palliser, na ilha norte da Nova Zelândia, o fotógrafo registrou um pedaço da Via Láctea com seu centro luminoso recheado por estrelas, às Nuvens de Magalhães (à esquerda), além de outros satélites e galáxias mais distantes
Foto: Mark Gee, www.rmg.co.uk / Divulgação
Espaço Profundo (menção honrosa): M8182 and Integrated Flux Nebula, de Ivan Eder (Hungria)
Foto: Ivan Eder, www.rmg.co.uk / Divulgação
Espaço Profundo (menção honrosa): Floating Metropolis NGC 253, de Michael Sidonio (Austrália)
Foto: Michael Sidonio, www.rmg.co.uk / Divulgação
Terra e Espaço: em segundo lugar ficou Green Energy, de Fredrik Broms, da Noruega
Foto: Fredrik Broms, www.rmg.co.uk / Divulgação
Outras imagens receberam menção na categoria Terra e Espaço, como A Quadruple Lunar Halo, de Dani Caxete (Espanha)...
Foto: Dani Caxete, www.rmg.co.uk / Divulgação
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Foto: Arte Terra
Astrônomos acreditavam que o cometa Ison poderia brilhar tão intensamente quanto a Lua Cheia quando passar no ponto mais próximo ao Sol de sua trajetória
Foto: NASA, ESA, Hubble Heritage Team / Divulgação
Nebulosa do Bumerangue, objeto que fica apenas 1ºC acima do zero absoluto, foi registrado pelo telescópio Alma
Superaglomerado de galáxias de Shapley é considerada uma das maiores estruturas do Universo
Foto: ESA & Planck Collaboration / Divulgação
O gigantesco asteroide Vesta - um dos maiores objetos desse tipo no Sistema Solar, o que o levou a ser classificado como protoplaneta - foi fotografado pela sonda Dawn da Nasa, que o estudou de julho de 2011 a setembro de 2012. Uma imensa montanha elevada, com mais que o dobro do tamanho do Monte Everest, é visível na parte de baixo da imagem. Esses são os últimos registros da sonda Dawn durante sua passagem pelo planeta anão Ceres, o maior asteroide do Sistema Solar
O furacão Raymond foi registrado do espaço perto do litoral do Oceano Pacífico mexicano pela astronauta americana Karen Nyberg. O ciclone, o oitavo da temporada 2013, registrou ventos de 195 km/h e rajadas de 240 km/h. Apesar de chegar à categoria 3, das 5 da escala Saffir-Simpson, o furacão Raymond não deve causar muitos estragos além de causar fortes chuvas
Foto: Karen L. Nyberg/Twitter / Reprodução
Mergulhadores russos tiraram do fundo de um lago um fragmento de cerca de 570 quilos do meteorito que caiu em meados de fevereiro perto da cidade de Chelyabinsk, nos Urais.
Foto: BBC News Brasil
Quando a pedra foi colocada na balança e o peso atingiu 570 quilos, a própria balança quebrou
Foto: BBC News Brasil
Astrônomos anunciaram a descoberta da primeira evidência de água em um corpo celeste rochoso vindo de fora do Sistema Solar. Através dos destroços de um asteroide que orbitava uma estrela exaurida ou anã branca , os cientistas determinaram que a estrela GD 61 e seu sistema planetário, localizado a aproximadamente 150 anos-luz do nosso planeta e em seus últimos momentos de vida, têm o potencial de abrigar exoplanetas semelhantes à Terra
Foto: Mark A. Garlick, space-art.co.uk, Universidade de Warwick e Universidade de Cambridge / Divulgação
Uma mesa se ergue até um nível semelhante ao das planícies circundantes centro do Hebes Chasma, uma isolada estrutura em Marte. A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) divulgou um mosaico com oito imagens que mostram a área em mais detalhes do que quaisquer outros registros feitos até então
Foto: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum) / Divulgação
Parte de terreno em formato de ferradura domina um dos lados da estrutura. A imensa rede de cânions nos arredores contém "cicatrizes" que revelam a antiga história do Planeta Vermelho
Foto: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum) / Divulgação
Mosaico divulgado pela ESA mostra em detalhes o Hebes Chasma, em Marte
Foto: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum) / Divulgação
Mapa topográfico mostra relação entre altura e profundidade de características dentro e nos arredores do Hebes Chasma. As cores branco e vermelho mostram os terrenos mais altos, enquanto azul e roxo representam os mais profundos
Foto: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum) / Divulgação
No Dia das Bruxas (ou Halloween), a agência espacial americana divulgou a imagem de uma nebulosa cujo formato se assemelha ao perfil de uma bruxa. A IC 2118, mais conhecida como Nebulosa Cabeça de Bruxa devido à sua forma, conta com nuvens moleculares onde estrelas estão se formando. A poeira cósmica é iluminada pela luz das estrelas, fazendo a nebulosa brilhar
Foto: NASA/JPL-Caltech / Divulgação
O astronauta italiano Luca Parmitano escolheu se fantasiar de Super-Homem para comemorar o Halloween no espaço. E, além das roupas, ele pôde imitar o super-herói dos quadrinhos de outra maneira: voando. "O sonho de Lex Luthor", escreveu o astronauta em seu Twitter. Ao flutuar na baixa gravidade da Estação Espacial Internacional, Luca também imitou o gesto imortalizado por Clark Kent
Foto: Nasa, ESA / Divulgação
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Foto: Arte Terra
O Observatório de Relações Terrestres e Solares (Stereo, na sigla em inglês), que monitora o cometa Ison, registrou a movimentação do corpo celeste em seu trajeto em direção ao Sol durante os dias 20 e 22 de novembro. Na imagem, além da Terra e do planeta Mercúrio, o cometa Encke também pode ser visto em movimento no centro do cenário. O Sol está fora do campo de visão da câmera, mas sua presença é notada pelo intenso fluxo de vento solar movendo-se pelo espaço a partir da direita.
Foto: Karl Battams, NRL, Nasa Stereo, Cioc / Divulgação
Astrônomos acreditam que o "cometa do século" se desintegrou ao passar perto do Sol
Foto: Reuters
Imagens anteriores mostrava o cometa mais brilhante
Foto: ESA/Nasa/SOHO/GSFC / Divulgação
O cometa Ison, ansiado objeto de desejo dos cientistas, parece ter se desintegrado nesta quinta-feira em sua viagem ao redor do Sol, segundo os especialistas da Agência Espacial Americana (Nasa), que não encontraram seu rastro após atravessar a coroa solar em suas primeiras observações
Foto: Nasa / Reprodução
Radiação do Sol fez com que cometa liberasse gás
Foto: Trappist/E. Jehin/ESO / Divulgação
Meteorito de origem marciana teria mais de 4 bilhões de anos
Foto: Luc Labenne / Divulgação
Cientistas acreditam que Marte teve oceanos e céu azul no passado
Foto: Nasa / Divulgação
Sites sobre óvnis divulgam imagens feitas pela sonda Curiosity em Marte na qual afirmam ter avistado um iguana fossilizado no planeta vermelho
Foto: Nasa/JPL-Caltech/MSSS / Divulgação
Scott Warin, do UFO Sightings Daily, encontrou três imagens nos arquivos brutos do robô nas quais afirmam aparecer o animal. As informações são do Daily Mail
Foto: Nasa/JPL-Caltech/MSSS / Divulgação
O site já havia divulgado outro "animal" achado em Marte, que esta nesta imagem...
Foto: Nasa/JPL-Caltech/MSSS / Divulgação
...a descoberta foi feita por um japonês, que avisou o site...
Foto: Nasa/JPL-Caltech/MSSS / Divulgação
...segundo o "descobridor", há um esquilo nesta imagem. Veja a seguir, outras "descobertas" feitas no planeta vermelho
Foto: Nasa/JPL-Caltech/MSSS / Divulgação
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Foto: Arte Terra
Marco Aurélio Gorrasi, 31 anos, representa o Brasil na AXE Apollo Space Academy e deve ser o segundo brasileiro a ir para o espaço
Foto: Divulgação
"Acharam que eu estava falando asneira", disse o brasileiro, que deixou o emprego para participar da promoção
Foto: Divulgação
Brasileiro Marco Aurélio Gorrasi, um dos vencedores da Axe Apollo Space Academy, viajará ao espaço numa nave como essa
Foto: André Roca / Terra
Há uma possibilidade de que os primeiros voos ao espaço ocorram apenas em 2015. Passagens já estão sendo vendidas por cerca de US$ 100 mil
Foto: André Roca / Terra
O astronauta americano Buzz Aldrin, que foi o segundo homem a caminhar na Lua, acompanhou a seleção de 22 jovens de todo o mundo para realizar o sonho de ir ao espaço em campanha global de AXE Apollo
Foto: Divulgação
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Logo após o COBE, em menos de vinte anos, diversos outros projetos dedicados à obtenção de dados observacionais do universo foram realizados: em 1991, o Compton Gamma Ray Observatory mapeou as fontes de explosões de raios Gama no universo; em 1998, tivemos dois projetos, o High-z Supernova Search Team e o Supernova Cosmology Project, que mudaram a cosmologia moderna, provando que o universo está acelerando sua expansão, iniciando estudos observacionais sobre uma possível Energia Escura, de pressão negativa, que seria a responsável por esta aceleração atual; em 2000, tivemos o experimento BOOMERanG (que descobriu que o universo é plano e aprimorou medidas da RCF) e também demos início ao megaprojeto SDSS (Sloan Digital Sky Survey, que ainda hoje libera dados, explorando milhões de objetos a grandes distâncias de nós no universo, contribuindo para a compreensão da formação dos aglomerados e superaglomerados galáticos); em 2001, foi lançado o satélite WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe), que estimou com precisão jamais vista antes diversos parâmetros cosmológicos, a partir de um profundo e preciso estudo da RCF); em 2002, iniciou-se o projeto LIGO (Laser Interferometer Gravitational Wave Observatory), que funcionou até 2010 e procurou detectar as fugidias ondas gravitacionais, previstas pela teoria de Einstein; em 2003, tivemos a finalização do “2dF Galaxy Redshift Survey” (um catálogo determinando a distância e a distribuição de mais de 200 mil galáxias, contribuindo enormemente para a compreensão da formação das grandes estruturas do universo); em 2009 foi lançado o satélite Planck (também estudando com uma precisão nunca antes alcançada a RCF, e que foi desativado apenas agora, em outubro de 2013, embora ainda leve alguns anos para se analisar todos os dados coletados); em 2012, foi iniciado o projeto Dark Energy Survey, que pretende, em cinco anos, estudar a fundo a aceleração do universo; para 2014, está prevista a releitura do antigo projeto LIGO (chamado de Advanced LIGO, ainda no encalço das fugidias ondas gravitacionais).
Na verdade, seria necessário quase um livro para enumerar as atuais frentes de pesquisa da cosmologia nos últimos vinte anos. Não citei os diversos catálogos de fontes de raio-X de aglomerados galáticos, nem os catálogos de Fração de Massa do Gás usados até hoje para estimar parâmetros cosmológicos; também nada falei sobre os catálogos de lentes gravitacionais em andamento; não citei nenhum dos avanços do LHC (Large Hadron Collider, que dentre outras coisas pretende descobrir um candidato para a subpartícula da Matéria Escura, e talvez ainda detectar indiretamente indícios de dimensões extras); também seria extenuante analisarmos as centenas de projetos gerados na Cosmologia Computacional, que através da simulação de N-Corpos desenvolvem catálogos de superaglomerados galáticos, e estudam sua evolução do Big Bang até os dias atuais.
Para os próximos cinco anos, temos ainda uma miríade de empreendimentos a serem realizados na Cosmologia Física: satélites novos a serem lançados, telescópios com tecnologia de ponta a serem construídos, melhoramentos sem precedentes na Cosmologia Computacional a serem implementados e muitas outras novidades... Não dá para citar tudo de uma vez. Estamos mesmo vivendo a Era de Ouro da Cosmologia.
Terra - O observatório espacial Planck foi desativado neste ano, após quatro anos e meio de atividade. Nesse tempo, quais foram suas maiores descobertas? O que ainda se pode esperar de dados futuros do Planck?
Lucio Marassi -
O Planck representa um avanço imenso no mapeamento da Radiação Cósmica de Fundo (RCF), em relação ao mesmo mapeamento antes realizado por seu antecessor, o satélite WMAP. Ele tem muito maior sensibilidade e resolução do que o anterior. Com muito maior precisão, o Planck analisou as diminutas flutuações de temperatura da RCF, e essas flutuações, embora mínimas, representam padrões de irregularidades originais no universo. Podemos relacionar essas irregularidades de temperatura às irregularidades nas densidades de matéria, e portanto o mapa da RCF representa assim as sementes que, bilhões de anos depois, evoluíram nos aglomerados e superaglomerados de galáxias atuais.
Dos dados do Planck, podemos obter com maior precisão a idade do universo (agora estabelecida em 13,8 bilhões de anos), as quantidades mais precisas de matéria escura e de energia escura no universo, podemos testar os atuais modelos de inflação que mais combinam com a distribuição original da matéria, podemos igualmente indicar quais modelos cosmológicos combinam com os dados atuais da RCF (e descartar os modelos teóricos que não explicam tais dados), assim como estabelecer com grande precisão diversos parâmetros cosmológicos separadamente. Em 2014, serão liberados novos resultados que certamente irão marcar profundamente a cosmologia moderna. Enquanto por um lado o Planck tenha não só comprovado, mas melhorado, diversos resultados anteriormente já determinados por outros testes cosmológicos, ele apontou algumas conclusões novas e inusitadas, que ainda estão sendo discutidas no momento. Por exemplo, o valor da taxa de expansão do universo dada pelo Planck vai de encontro a todas as demais estimativas dos mais recentes testes cosmológicos independentes, e isso vai certamente gerar muita discussão.
Outro ponto em que o Planck certamente está inovando é no estudo da polarização da radiação cósmica de fundo. O estudo dessa polarização pode desvendar pistas de como o universo evoluiu do Big Bang até cerca de 380 mil anos depois (época aproximada da separação entre a radiação e a matéria, chamada pelos cosmólogos de época do desacoplamento, ou “última superfície de espalhamento”). Até recentemente, este período dos 380 mil anos iniciais de nosso universo não podia ser estudado observacionalmente por nenhuma via possível, e portanto o Planck trará muitas novidades em relação a esse período também.
Terra - A energia escura e a matéria escura ainda são hipóteses? Como se pode provar sua existência?
Lucio Marassi -
O status da energia escura é bem diferente do status da matéria escura. A energia escura é um componente que precisa entrar no modelo teórico do universo, que chamamos “modelo cosmológico”, para permitir sua aceleração atual. Essa aceleração do universo foi descoberta observacionalmente em 1998 a partir do estudo das Supernovas Ia. A necessidade da existência de uma energia escura, para explicar a aceleração do universo, só é necessária se basearmos nossa Cosmologia na Teoria da Relatividade Geral de Einstein. Se, contudo, mudarmos a Teoria da Relatividade Geral, podemos teoricamente explicar o efeito observado da aceleração do universo sem a necessidade de um termo adicional de Energia Escura nas equações. Ou seja, usando a Relatividade de Einstein precisamos cogitar a existência de uma Energia Escura, que ocuparia cerca de 70% do universo, e que seria gravitacionalmente repulsiva (tendo pressão negativa); mas se desenvolvermos uma Relatividade Geral Modificada, podemos talvez explicar a aceleração do universo sem esse componente tão bizarro e esquisito. Mas teorias de gravidade modificada ainda estão sendo testadas observacionalmente, e nenhuma delas está nem perto ainda de ocupar o lugar de honra da Relatividade Geral original de Einstein. Portanto, a Energia Escura é a opção do momento para explicar as observações atuais do universo.
A matéria escura tem, contudo, uma posição bem mais sólida na Cosmologia atual. Em 1933, Fritz Zwicky apontou que os aglomerados galáticos deveriam ter mais massa do que sua massa luminosa observada (ele usou as observações e cálculos de conservação de energia cinética e potencial para chegar a essa conclusão). Na década de 1970, foram realizadas simulações computacionais que determinaram que, para os discos galáticos ficarem estáveis, eles precisavam de pelo menos 10 vezes mais massa do que tinham (essa massa seria distribuída esfericamente em torno das galáxias). Também nos idos de 1970, a cientista Vera Rubin estudou observacionalmente a Curva de Rotação de diversas galáxias espirais, e determinou que a massa visível das galáxias espirais não podia explicar esses gráficos; seria preciso uma enorme quantidade de “matéria invisível” envolvendo essas galáxias para explicar a saturação da Curva de Rotação observada. As observações das Lentes Gravitacionais (previstas pela teoria gravitacional de Einstein, onde a massa de aglomerados galáticos pode defletir a luz de objetos luminosos atrás deles), todas elas, mostram que a luz defletida contorna os aglomerados galáticos a uma apreciável distância dos mesmos, mostrando a silhueta de uma estranha distribuição de matéria invisível em torno dos aglomerados.
Temos ainda o caso maravilhoso do “Aglomerado Bala” (Bullet Cluster), que leva esse nome porque mostra um “choque” entre dois aglomerados galáticos, onde a figura resultante, junto ao gás aquecido em volta, forma a figura de uma bala de revólver; pois bem, em todas as simulações computacionais realizadas, o Bullet Cluster só adquire esta forma peculiar se assumirmos que cada um dos aglomerados teria em torno uma “matéria invisível”, esfericamente distribuída (o gás aquecido, visível a nossos olhos, arrasta-se claramente em direção ao centro de massa das duas esferas invisíveis de matéria escura, na colisão). Por fim, temos a evidência da Radiação Cósmica de Fundo, cujas observações só podem ser explicadas se considerarmos que o universo possui muito mais matéria do que a matéria bariônica, determinada pela nucleossíntese primordial. Juntando todas estas evidências, vemos que a Matéria Escura é um componente indispensável do universo, e possui diversas comprovações observacionais. Portanto o universo possui, sim, uma matéria escura, invisível, que envolve toda a galáxia e todos os aglomerados galáticos, e não interage com a radiação eletromagnética. É realmente um fantasma que nos envolve, está entre a gente e não vemos nem sentimos. E isso é praticamente uma certeza na Cosmologia Física.
Terra - A matéria escura e a energia escura formam 96% do universo. Houve avanço recente em relação ao que se sabe sobre elas? Quais são, na sua opinião, projetos ou missões que poderão solucionar esses mistérios ou trazer mais "luz" à questão?
Lucio Marassi -
Podemos grosseiramente estabelecer que o universo compõe-se de cerca de 4% de matéria bariônica (ou seja, prótons, nêutrons e elétrons, que compõem os elementos da Tabela Periódica, e que formam as estrelas, as galáxias, as nuvens de gás intergalático, e inclusive os planetas e nossos próprios corpos humanos). A matéria bariônica interage com a radiação eletromagnética (como a luz, as ondas de rádio, o microondas, a radiação ultra-violeta, os raios gama ou a radiação infra-vermelha). Portanto, como nossos corpos biológicos interagem com a radiação, toda nossa ciência evoluiu do contato com ela, e toda nossa tecnologia atual usa a radiação eletromagnética como base. Podemos seguramente dizer que toda nossa ciência, todo o nosso saber, toda a nossa compreensão filosófica do mundo baseia-se apenas em 4% de tudo o que existe no universo. Pense nisso.
Se acreditarmos que a Relatividade Geral de Einstein está correta (até hoje, é nossa melhor teoria da gravidade), então todas as atuais observações cosmológicas conjuntas estariam corretas: os dados das Supernovas Ia mostrando a aceleração do Universo; os dados da Radiação Cósmica de Fundo mostrando que o universo é plano topologicamente; as estimativas dinâmicas dos aglomerados galáticos vindas da conservação de energia e a Fração de Massa do Gás (dentre outros testes) mostrando que a matéria gravitante possui cerca de 30% do conteúdo total , etc. E se confiarmos em todas estas observações juntas, então podemos seguramente inferir que o universo possui cerca de 23% de Matéria Escura, cerca de 73% de Energia Escura, e apenas 4% de matéria bariônica (da qual somos formados). Portanto, o universo é praticamente todo invisível a nossos olhos, e formado de algo que não sabemos o que é, nem interage conosco de forma alguma. Isso é, de fato, impressionante.
Todos os projetos mencionados anteriormente por mim, na resposta à sua primeira pergunta, servem ao mesmo propósito, que é determinar do que é feito o universo e como o mesmo evoluiu do Big Bang até hoje. Alguns analisam apenas a cinemática (como os dados de Supernovas, que provam a aceleração do universo), outros analisam a geometria local do espaço-tempo (como os estudos das lentes gravitacionais, que estudam propriedades dos modelos cosmológicos a partir da deflexão da luz em volta de galáxias ou aglomerados galáticos), outros estudam a radiação residual do Big Bang que ainda nos envolve (como os satélites COBE, WMAP, e o Planck), mas todos em conjunto se combinam para formar o grande quadro que ora estamos desenhando.
<a data-cke-saved-href="http://www.terra.com.br/noticias/ciencia/infograficos/foguetes/" href="http://www.terra.com.br/noticias/ciencia/infograficos/foguetes/">A evolução dos foguetes</a>
Experimentos ou observações para tentar descobrir do que seria feita a Energia Escura ainda estão em estágio embrionário. Como disse antes, a Energia Escura tem um status bem mais hipotético, e depende do fato da Relatividade Geral ser exatamente a teoria perfeita da gravidade, ponto que está ainda em discussão. Além disso, somente notamos a influência da Energia Escura em escalas muito muito grandes, para que a aceleração do universo seja perceptível. Por fim, esse componente seria um tipo de energia, um campo, com propriedades antigravitacionais, nenhuma interação com a radiação eletromagnética, e pressão negativa. É de fato um componente bastante bizarro no universo, e detectá-lo está muito além de nossa tecnologia atual, baseada em sentir primordialmente a radiação eletromagnética.
Em relação à matéria escura, já citei várias evidências observacionais de sua existência real (dinâmica das galáxias, curva de rotação de galáxias espirais, o Aglomerado Bala, as Lentes Gravitacionais e a Radiação Cósmica de Fundo). Sabemos hoje que ela se distribui esfericamente em torno das galáxias e aglomerados galáticos, não interage com a matéria bariônica nem com a radiação eletromagnética. Ela possui massa e é gravitacionalmente atrativa. Também sabemos, baseados no espectro de potência das Estruturas de Grande Escala, que a partícula da matéria escura não pode se mover muito rapidamente (a velocidade dela deve ser muitíssimo menor do que a da luz, o que no jargão dos cosmólogos significa que ela seria “fria” – se a velocidade dela chegasse a frações apreciáveis da velocidade da luz, ela seria rápida, ou no nosso jargão, seria “Quente”). Ou seja, o universo é composto por Matéria Escura Fria.
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Um bom candidato a Matéria Escura com todas as propriedades que citei veio da teoria de Supersimetria: uma subpartícula chamada teoricamente de “neutralino”. O LHC, o Grande Colisor de Hádrons, é um acelerador de partículas que talvez possa identificar partículas previstas nos modelos supersimétricos, e talvez detecte alguma com propriedades tais que possamos chamá-la de “neutralino”. Mas detectar o neutralino neste acelerador de partículas, apesar de ser um feito científico fantástico e que irá mudar o mundo da física de partículas, não significará ainda a descoberta definitiva da Matéria Escura. Para isso a assinatura desse neutralino deveria ser identificada também em algum lugar do universo. Ou seja, isso não será tarefa fácil, pode ter certeza.
Terra - O que são aglomerados e superaglomerados galáticos?
Lucio Marassi -
Quando temos de dezenas a centenas de galáxias aglomeradas em um certo local do universo, chamamos este conjunto unido de “aglomerado galático”. Quando temos milhares de galáxias juntas, geralmente assim formadas unindo em um certo local do universo vários aglomerados galáticos, chamamos esta estrutura gigante de “superaglomerados galáticos”. O universo em grande escala se assemelha a uma “esponja”, ou a “bolhas de sabão”, onde tridimensionalmente vemos grandes regiões vazias, sem nada (chamadas de “vácuo”), e filamentos em volta, ligando-se entre si, que são os aglomerados ou superaglomerados galáticos. Já vi quem descrevesse o universo em grande escala como semelhante à estrutura dos neurônios no cérebro. Sabemos hoje, pelas observações cosmológicas, que o universo desenvolveu-se das pequenas para as grandes estruturas. Ou seja, primeiro a matéria se aglomerou formando nuvens, depois estrelas; as estrelas se uniram gravitacionalmente formando galáxias; as galáxias se juntaram formando os aglomerados galáticos; e apenas recentemente (em termos cosmológicos) estamos presenciando a formação em grande escala dos superaglomerados galáticos.
Terra - O que suas pesquisas recentes sobre a distribuição original de massa no universo revelaram?
Lucio Marassi -
Tenho estudado nos últimos anos exatamente como aquelas irregularidades que eu descrevi na Radiação Cósmica de Fundo foram distribuidas, no início do Universo.
Após o Big Bang, durante frações ínfimas de tempo, o Universo era composto pelo Campo Ínflaton (um campo escalar que promoveu o breve, mas impactante, período da Inflação Cósmica, quando o universo se esticou de nada até praticamente todo o tamanho que possui atualmente). As granulações quânticas do campo ínflaton, após a mudança de fase, transformaram-se em matéria e energia. A distribuição da densidade de matéria no início do Universo, portanto, seguiu a assinatura original das granulações do Campo Ínflaton. Dessa distribuição original de densidade de matéria, o Universo seguiu expandindo e interagindo gravitacionalmente. Regiões de mais densidade atraíram cada vez mais matéria em volta; regiões de pouca densidade foram com o tempo perdendo mais e mais matéria para as regiões de mais atração. Assim, regiões de mais matéria cada vez aglomeravam mais massa, e regiões de vazio cada vez ficaram mais vazias, e isso se processou por 13,8 bilhões de anos, grosseiramente falando, formando assim todo o quadro dos aglomerados e superaglomerados galáticos do Universo atual.
Existe um método analítico para estudarmos essa evolução das grandes estruturas do universo. Chama-se Função de Massa dos Aglomerados Galáticos. Foi desenvolvido por Press e Schechter em 1974, e embora tenha sido concebido para estudar apenas o início da formação de estruturas, ele pode misteriosamente ser usado sem problemas para tratar toda a evolução, até os dias atuais. Durante as últimas décadas, o aprimoramento das observações e das simulações de N-Corpos obrigou os pesquisadores a ajustar e alterar o método original de Press-Schechter. Inúmeras propostas foram elaboradas, algumas sendo apenas meras curvas de ajuste numérico da Função de Massa, sem sentido físico, outras são propostas baseadas em aglomerados oblatos, e não esféricos, etc. Mas a imensa maioria das propostas não resolveu um grave problema do método original de Press-Schechter: ele só conta metade de toda a massa que deveria ser ligada gravitacionalmente no universo! Para resolver o problema, a maioria das curvas de Função de Massa propostas atualmente apenas multiplica o resultado pelo número 2, para normalizar corretamente o processo (esse foi, aliás, a solução original do próprio Press e Schechter para o problema em questão).
Há propostas de função de massa que corrigem esse problema sério de normalização, mas todas elas adotam procedimentos matemáticos, analíticos e/ou numéricos, que de longe afastam o método da beleza e da simplicidade original de Press e Schechter. Quanto maior a complexidade do processo, menos se vislumbra a física por trás, e mais se permitem ajustes espúrios e questionáveis.
Dito tudo isso, descobrimos recentemente uma forma de explicar a distribuição original do campo de densidades de matéria (que posteriormente gerou toda a estrutura em grande escala que vemos hoje), que gera uma Função de Massa de Aglomerados Galáticos totalmente normalizada, sempre, e apenas obedecendo aos critérios simples originais de Press e Schechter. A única modificação real que fizemos foi alterar a distribuição Gaussiana (ou seja, aleatória), adotada originalmente por Press e Schechter, por uma distribuição de matéria não-Gaussiana (ou seja, um tanto menos aleatória). O resultado ficou extremamente satisfatório. Já foi publicado um artigo com o resultado teórico, mostrando nossa proposta de função de massa, e estou no momento preparando novo artigo comprovando que a função de massa proposta consegue explicar os atuais dados observacionais cosmológicos com bastante êxito, sendo portanto uma alternativa válida e eficaz para explicar de fato como o universo teria sido formado.
Mostramos neste artigo em preparação que a nossa proposta da distribuição original do campo de densidades do universo explica os recentes dados do satélite Planck e os dados de 3 e de 5 anos do satélite WMAP, em conjunto com dados de aglomerados em raio-X.
Não pretendo com o artigo em preparação dizer que esta é a forma como a matéria foi de fato distribuída no início de tudo. Claro que não. Mas é uma proposta, e acho que é uma boa proposta, que merece ser estudada com calma, pois corrige um sério problema do método original de Press-Schechter (a normalização), e mantém a física simples, o que é fundamental.
Terra - O universo está mesmo se expandindo? O que isso quer dizer, na prática? E como a distribuição original de massa se mantém nesse caso?
Lucio Marassi -
Pelos dados recentes do WMAP e do satélite Planck, o universo teria topologia plana, o que cinematicamente falando dita que ele está se expandindo a uma taxa constante, e seguiria assim praticamente para sempre. Mas de acordo com os dados das Supernovas Ia (de 1998 até os mais recentes), o universo sofreu recentemente uma aceleração de sua taxa de expansão padrão. Como nada sabemos sobre a Energia Escura, de acordo com o tipo de Energia Escura possível, esta aceleração poderia ser continuada, aumentar, ou parar (caso este componente sofra uma mudança de fase futura). No atual momento, diversos modelos cosmológicos estão sendo exaustivamente testados com os dados observacionais e numéricos, que cada dia aumentam mais e mais. Será apenas uma questão de tempo até elegermos os melhores modelos, e descartarmos a maioria esmagadora das demais proposições.
Pragmaticamente, hoje, podemos afirmar que o modelo cosmológico teórico que melhor explica os atuais dados observacionais e numéricos seria o modelo LCDM (Lambda Cold Dark Matter), onde o universo seria plano (expandiria a uma taxa constante), mas teria um componente de energia escura na forma de uma constante (a constante Lambda, no caso), e uma Matéria Escura Fria, mais a bariônica, seriam as que formariam as grandes estruturas atuais (aglomerados e superaglomerados de matéria). Baseado neste modelo, durante as próximas dezenas de bilhões de anos, o universo continuaria expandindo, e a matéria se comportaria como se comportou até agora, desde o Big-Bang: ela irá se diluir cada vez mais à medida que o volume do espaço-tempo aumentar.
Terra - Pelo que se sabe hoje, o universo é finito ou infinito?
Lucio Marassi -
A palavra de Einstein ainda ecoa entre nós. O universo seria finito, mas sem fronteiras. Ou seja, imagine uma formiga andando em cima de um globo terrestre. Para a formiga ela jamais consegue achar os limites do globo, porém ele é limitado. Para completar, se o Universo é tudo o que existe por definição, o que haveria fora dele para nós? Lembrando que nossa existência baseia-se no espaço-tempo gerado pelo próprio universo desde o Big Bang. Se ele criou todo o espaço e todo o tempo que concebemos, não dá para nosso cérebro e lógica saber o que estaria fora disso, pois isso é tudo o que existe e onde existimos.
Terra - Na sua linha de pesquisa, é possível acreditar em "Deus"?
Lucio Marassi -
Depende de como se definiria o conceito desse “Deus”. Cada pessoa tem uma percepção diferente. Conheço amigos que estudam cosmologia e são católicos, outros que são evangélicos. Alguns cosmólogos que conheci são ateus, ou agnósticos. Conheci, no entanto, alguns poucos que possuem uma religiosidade mais oriental, que poderia ser definida como “religiosidade cósmica”. Acho que faço parte do último grupo. Acredito que a religião ou a religiosidade é uma necessidade humana, pois somos seres conscientes de nossa mortalidade, e estamos sempre buscando um sentido para a vida, e idealmente uma sobrevivência a ela. A Cosmologia é um caminho para compreendermos melhor o universo e nosso papel nele, mas não devemos misturar fé e razão. Podemos ter os dois, no entanto, desde que saibamos bem a diferença entre as duas.
Terra - Como você vê a evolução da cosmologia?
Lucio Marassi -
Como disse no início, estamos em plena Era de Ouro da Cosmologia. Tudo relacionado ao universo, sua origem e sua evolução, é assunto extremamente excitante, e está mexendo com a cabeça de todos, leigos, curiosos ou. Nos congressos e seminários, são discutidos Universos Paralelos, paradoxos vinculados a viagens temporais, dimensões extras, wormholes que poderiam ligar partes de nosso Universo entre si, ou nosso universo a outro, são discutidos Matéria Escura, Energia Escura, Componentes de Energia Fantasma (um tipo especial de Energia Escura que teria “energia negativa”), dinâmica futura do universo... Todos esses temas citados até agora, há pouco mais de vinte anos atrás, eram alvo apenas de escritores de ficção científica (e apenas dos mais ousados)... Hoje tudo isso é ciência. O que o futuro breve nos revelará?
Você me perguntou sobre religião anteriormente. Eu prevejo que a Cosmologia estará em breve abrindo portas mais audazes do que qualquer filosofia religiosa jamais ousou ir até hoje. Não me surpreenderia se a religião do futuro for baseada na lógica e na razão, mas amplamente esticadas em conceitos de dimensões extras, matérias invisíveis e universos Paralelos. Quando tivermos uma tecnologia que explore tudo o que hoje apenas ousamos cogitar teoricamente, que mundo maravilhoso teremos!
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