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Busca por tratamento para o Alzheimer vai da Floresta Amazônica à Estação Espacial da Nasa; entenda

Geneticista Alysson Muotri revelou detalhes da nova pesquisa em palestra na Rio Innovation Week

14 ago 2025 - 17h28
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O elenco principal é intrigante para dizer o mínimo. Reúne neurocientistas, minirrobôs voadores, pajés da Amazônia, cérebros artificiais e astronautas. O objetivo é dos mais nobres: buscar tratamentos para doenças relacionadas ao envelhecimento, como o Alzheimer. Trata-se da mais recente empreitada do geneticista Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia, em San Diego, em parceria com a Nasa e povos originários do País. A pesquisa foi anunciada nesta quinta-feira, 14, em palestra na Rio Innovation Week.

Muotri, que comanda o laboratório de células-tronco da Universidade da Califórnia, tornou-se conhecido internacionalmente por seus estudos sobre o autismo. Para tentar entender o desenvolvimento do transtorno e também testar eventuais novas drogas, o cientista criou mini-cérebros artificiais. Com o avanço da pesquisa, o geneticista fez uma parceria com a Nasa para enviar os mini-cérebros para a Estação Espacial Internacional. A ideia era "envelhecer" os organoides para novos estudos.

Geneticista Alysson Muotri busca um tratamento contra o Alzheimer a partir de plantas da Amazônia.
Geneticista Alysson Muotri busca um tratamento contra o Alzheimer a partir de plantas da Amazônia.
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Logo ficou claro que, diante da possibilidade inédita de se fazer pesquisas em cérebros envelhecidos, seria interessante também estudar doenças relacionadas ao envelhecimento, como diferentes tipos de demência, entre elas o Alzheimer. Muotri firmou, então, duas novas parcerias, desta vez com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e com povos originários da Amazônia para buscar na floresta moléculas que possam ser testadas nos organoides.

"A gente gasta muito dinheiro com as doenças do envelhecimento", explicou Muotri. "A população está envelhecendo cada vez mais e o sistema de saúde não consegue lidar com o problema. Uma outra questão importante é o fato de essas doenças não disporem de modelos de estudo, uma vez que os animais não vivem 80 anos e não podemos usar seus cérebros para testar novas drogas."

O trabalho de etnicofarmacologia começa com uma conversa com os pajés, na qual eles apontam as plantas que acreditam que possam ser capazes de proteger neurônios ou até mesmo regenerá-los. Entram em ação os microrrobôs japoneses que sobrevoam a floresta e localizam as plantas indicadas pelos indígenas. Estudantes da Ufam, então, se embrenham na mata para coletar amostras. Na universidade, as moléculas são isoladas e enviadas a Muotri.

"Isolamos moléculas que apresentem algum aspecto de neuroproteção para testar se poderão servir de tratamento para o Alzheimer", explicou o geneticista. "Ao mesmo tempo, estamos criando um repositório do conhecimento ancestral para tentar entender como os povos originários reconhecem esses elementos."

A ideia é testar o maior número possível de moléculas.

"Se algum tipo de medicamento surgir, parte dos royalties vai para a conservação da Amazônia e para os povos originários", disse o cientista. "A ideia é devolver ao conhecimento ancestral um pouco do que tem nos dado."

Estadão
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