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Ciência

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As marcas ocultas da guerra deixadas por um navio nazista em árvores da Noruega

Uma fumaça química usada por uma embarcação nazista causou danos em pinheiros em uma região da Noruega.

17 abr 2018 - 13h23
(atualizado às 16h25)
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A implacável campanha para encontrar e afundar o Tirpitz, navio alemão usado na Segunda Guerra Mundial, deixou marcas na paisagem da Noruega que perduram até hoje.

Vista aérea do navio alemão Tirpitz ancorado em Bogenfjord, perto de Narvik, na Noruega, em julho de 1942.
Vista aérea do navio alemão Tirpitz ancorado em Bogenfjord, perto de Narvik, na Noruega, em julho de 1942.
Foto: Keystone/Hulton Archive / Getty Images

A maior embarcação da Kriegsmarine, a marinha de Hitler, ficou estacionada boa parte da guerra na costa da Noruega, com a função de impedir uma possível invasão de inimigos dos nazistas.

A marinha alemã tinha uma estratégia para esconder o navio: ele ficava em uma área rodeada por montanhas e envolto em uma neblina produzida artificialmente com compostos químicos.

Essa "fumaça" causou enormes danos ambientais, atingindo as árvores da região - principalmente os anéis de crescimento.

Claudia Hartl, da Universidade Johannes Gutenberg, em Mainz, na Alemanha, deparou-se com o impacto ambiental da estratégia de camuflagem do navio nazista ao analisar os pinheiros de Kåfjord, uma aldeia no oeste da Noruega.

Hartl é especialista em medir a idade das árvores por meio de seus anéis. Ela coletou pedaços de madeira para tentar descobrir como era o clima do local anos atrás. O frio intenso e até uma infestação de insetos podem prejudicar o crescimento anual de uma árvores, mas nenhum desses fatores explicam o absoluta falta de anéis de crescimento observadas em algumas árvores datadas de 1945.

Um colega de Hartl sugeriu que o problema poderia ter a ver com o navio Tirpitz, que estava ancorado nos anos anteriores a 1945, quando Kåfjord foi atacada por bombas dos aliados.

Documentos da época mostram que os alemães usaram ácido clorossulfúrico para camuflar a posição do navio na região.

"Nós achamos que essa fumaça artificial danificou as folhas em formato de agulha dos pinheiros", disse Hartl à BBC.

"Se uma árvore não tem essas folhas, não consegue fazer fotossíntese e não produz biomassa. Em pinheiros, essas agulhas duram entre três e sete anos, porque são perenes. Se as árvores perdem essas agulhas, leva um longo tempo para se recuperar", afirma a pesquisadora alemã.

Uma das árvores ficou nove anos sem crescer depois de 1945. "Levou 30 anos para seu crescimento voltar ao normal. Depois de tudo isso, ela ainda está lá, viva, de forma impressionante", ressalta Hartl.

Os achados da equipe foram apresentados neste mês na reunião anual da União Europeia de Geociências, em Viena.

Algumas árvores do perímetro estudado têm os anéis de crescimento, mas eles ficam quase invisíveis
Algumas árvores do perímetro estudado têm os anéis de crescimento, mas eles ficam quase invisíveis
Foto: Claudia Hartl / BBC News Brasil

Em outro pinheiro, os anéis estão presentes, mas são extremamente finos - fáceis de perder. O impacto ambiental da fumaça nas árvores cai conforme aumenta a distância da área onde o navio ficava - ele se manifesta em plantas que ficam a até 4 km da região.

O Tirpitz sofreu alguns danos em Kåfjord. No entanto, a campanha militar para encontrar e destruir a embarcação finalmente conseguiu afundá-la em 1944 em Tromso, um pouco mais a oeste da Noruega.

Hartl acredita que problemas ambientais causados pela guerra podem se repetir em outros lugares.

"Acho muito interessante uma fumaça ter causado problemas em árvores que são percebidos 70 anos depois. Em outros lugares da Europa, também foi usada fumaça artificial e outros produtos químicos. Talvez possamos encontrar casos parecidos de efeitos da Segunda Guerra", diz.

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