A hipertensão chegou aos jovens. E o motivo vai além da alimentação
Sedentarismo, precariedade no trabalho e FOMO aumentam a carga de estresse crônico; especialistas alertam para o risco cardiovascular entre jovens
Irene tem 32 anos e uma frase que repete quase como um mantra diário: "Não dou conta da vida". Entre as exigências do trabalho, o bombardeio de notificações e a sensação constante de ficar para trás diante das conquistas dos outros, o temido FOMO, sua rotina virou uma corrida sem linha de chegada. Ultimamente, ela dorme pouco, convive com um estresse desbordante e sente uma dor de cabeça persistente em forma de capacete, acompanhada de fadiga e insônia, sintomas que especialistas ouvidos pela Efe Salud associam a um mal silencioso.
O que ela justificava como o cansaço típico da nossa geração, no consultório médico se transformou em um diagnóstico inesperado: hipertensão arterial. Uma doença, a princípio quase invisível e associada à terceira idade, que a cada dia ganha mais espaço na vida dos mais jovens.
Estamos presenciando o colapso de uma geração inteira presa a uma epidemia de estresse crônico e burnout. Do ponto de vista evolutivo, o estresse é um mecanismo desenhado para salvar nossa vida diante de perigos iminentes. O problema surge quando a ameaça não é um predador, mas a precariedade e o perfeccionismo tóxico. Essa carga alostática contínua dispara o cortisol, derruba o sistema imunológico e danifica silenciosamente o sistema cardiovascular.
Diante desse mal-estar emocional, o corpo exige um resgate neuroquímico. O estresse nos empurra para a geladeira em busca de uma compulsão por açúcares e gorduras, alimentos que ativam o sistema de recompensa do cérebro e atuam ...
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