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Vai doar sangue? Ministério da Saúde atualiza regras no Brasil; veja o que mudou

Novos critérios entram em vigor em 30 de setembro e alteram os prazos para tatuagens, piercings, doenças, medicamentos e outros casos

12 ago 2026 - 18h10

Quem fez uma tatuagem recentemente, passou por uma cirurgia bariátrica ou teve determinadas doenças poderá encontrar regras diferentes na próxima vez que for doar sangue. O Ministério da Saúde atualizou os critérios utilizados para definir quem está apto a realizar a doação no Brasil, reduzindo alguns períodos de espera e incluindo novas situações de impedimento temporário.

Reprodução: Daria Kulkova/Getty Images
Reprodução: Daria Kulkova/Getty Images
Foto: Bons Fluidos

As mudanças entram em vigor em 30 de setembro e abrangem desde procedimentos como tatuagem, piercing e endoscopia até doenças infecciosas, medicamentos e condições de saúde.

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Um dos objetivos dos critérios de triagem é garantir a segurança tanto de quem doa quanto de quem recebe o sangue. Por isso, mesmo com a redução de alguns intervalos, diferentes situações continuam exigindo um período de espera antes da doação. Entenda as principais mudanças.

Fez tatuagem ou piercing? Prazo pode cair para sete dias

Uma das alterações envolve quem realizou tatuagem, micropigmentação ou colocou piercing. Quando for possível comprovar que o procedimento aconteceu em um estabelecimento com situação sanitária regularizada, a pessoa poderá doar sangue depois de sete dias.

Se não houver como apresentar essa comprovação, será necessário esperar quatro meses. Antes das novas regras, o intervalo poderia variar entre seis meses e um ano. Existe uma diferença, porém, para piercings colocados na boca ou na região genital. Como essas áreas apresentam maior risco de infecção, o período estabelecido é de quatro meses.

Regras para parceiros sexuais também mudaram

A atualização também altera os critérios relacionados à vida sexual. Pessoas que tiveram múltiplos parceiros casuais ou ocasionais deverão esperar quatro meses desde a última relação para realizar a doação. Anteriormente, esse intervalo era de 12 meses. O critério é aplicado aos doadores independentemente de gênero ou orientação sexual.

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Cirurgia bariátrica, endoscopia e colonoscopia

Alguns procedimentos médicos também tiveram seus períodos de espera reduzidos. Quem passou por uma cirurgia bariátrica poderá voltar a doar depois de seis meses, desde que tenha atingido um peso estável. Antes, era necessário aguardar 12 meses.

Para endoscopia e colonoscopia, o intervalo passa de seis para quatro meses após a realização do exame. Outra mudança beneficia quem convive com rinite. Com as novas regras, não será mais necessário cumprir um período adicional de espera depois que os sintomas desaparecerem.

Tuberculose: espera após a cura diminui

Pessoas que tiveram tuberculose pulmonar ou extrapulmonar também passam a seguir um intervalo menor. A doação poderá acontecer dois anos após a cura da doença. Pelos critérios anteriores, era necessário esperar cinco anos.

Quem usa canetas emagrecedoras precisará esperar

A atualização também estabelece critérios específicos relacionados a medicamentos. Pessoas que utilizam agonistas do receptor GLP-1, classe que inclui medicamentos popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, deverão cumprir um intervalo de quatro meses para realizar a doação, conforme previsto pela nova portaria. A regra chama atenção diante da popularização desses medicamentos nos últimos anos.

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E quem utiliza PrEP?

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), utilizada para prevenir a infecção pelo HIV, passa a ter critérios diferentes conforme a forma de administração. Para quem utiliza PrEP oral, será necessário aguardar quatro meses após a última dose para doar sangue. Já no caso da PrEP injetável, o intervalo estabelecido é maior: dois anos.

Covid-19, chikungunya e oropouche ganham prazos específicos

A nova regulamentação também detalha períodos de inaptidão temporária para diferentes infecções virais. No caso da Covid-19, a pessoa poderá doar dez dias depois do desaparecimento dos sintomas, desde que não apresente manifestações clínicas prolongadas.

Quem teve chikungunya deverá esperar 30 dias após o fim dos sintomas. Para a febre do oropouche, o período é de quatro semanas depois do desaparecimento das manifestações. Há ainda um intervalo adicional de 30 dias para quem teve contato sexual com uma pessoa diagnosticada com a doença nos dois meses anteriores. Já nos casos de SARS-CoV-1 e Mers, a espera prevista é de 30 dias após o término dos sintomas.

Quem teve câncer poderá doar em algumas situações

Outra mudança importante envolve pessoas que receberam diagnóstico de câncer. Antes consideradas definitivamente inaptas, algumas poderão passar a doar sangue cinco anos após o término do tratamento, desde que exista confirmação de cura ou remissão.

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A permissão, entretanto, não se aplica a todos os tipos da doença. Pessoas com histórico de melanoma, leucemias, linfomas e mieloma continuam consideradas inaptas para a doação.

Algumas condições da tireoide também entram nas novas regras

A portaria abre a possibilidade de doação para outros grupos que anteriormente eram considerados definitivamente inaptos. Entre eles estão pessoas com hipertireoidismo que não seja causado pela doença de Graves e indivíduos com tireoidite de HashimotoA doença de Graves permanece como uma condição que impede a doação dentro dos critérios estabelecidos, devido às características da doença e ao excesso de hormônios tireoidianos.

E quem já teve hepatite?

A triagem também considera o histórico de hepatites virais. Pessoas que tiveram hepatite B ou C depois dos 13 anos permanecem consideradas inaptas para doar. A hepatite A é tratada de maneira diferente. De acordo com os novos critérios, o histórico de uma infecção aguda pelo vírus da hepatite A (HAV) pode não impedir definitivamente que a pessoa seja considerada uma potencial doadora.

Por que existem períodos de espera para doar sangue?

Os intervalos não significam necessariamente que a pessoa esteja doente no momento da doação. Eles fazem parte das medidas utilizadas para reduzir riscos relacionados à transmissão de infecções e preservar a segurança do sangue coletado. É por isso que procedimentos aparentemente simples, uso de determinados medicamentos, viagens, doenças recentes e outras situações são questionados durante a triagem.

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Com a atualização, alguns desses períodos ficam consideravelmente menores, permitindo que mais pessoas voltem a doar depois de cumprirem os requisitos de segurança. Mesmo assim, estar dentro dos prazos não significa aprovação automática. Antes de cada doação, o candidato passa por uma triagem para verificar se atende aos critérios necessários naquele momento.

As novas regras começam a valer em 30 de setembro. Por isso, quem pretende doar e se encaixa em alguma das situações previstas deve verificar os critérios atualizados antes de comparecer ao serviço de hemoterapia.

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