Uso excessivo de descongestionantes no inverno pode causar riscos ao coração

O uso desses produtos aumenta nos dias frios, mas a automedicação e o consumo prolongado podem favorecer pressão alta, palpitações e dependência.

12 ago 2026 - 18h01
Resumo
No inverno, o uso de descongestionantes nasais cresce devido ao aumento de resfriados e alergias. Apesar do alívio imediato, o uso excessivo pode trazer riscos cardiovasculares, como pressão alta e palpitação, especialmente em pessoas vulneráveis. A automedicação também pode levar à dependência. Especialistas recomendam uso consciente e acompanhamento médico em casos recorrentes ou dependentes. ❄️🤧

Sabe aquele frasco de descongestionantes que fica na bolsa, no carro ou ao lado da cama? No inverno, ele costuma virar um "socorro" para quem enfrenta nariz entupido, rinite ou resfriado. O problema é que o alívio rápido pode esconder riscos importantes para a saúde cardiovascular.

Foto: Alliance Images
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Foto: Saúde em Dia

Com a queda das temperaturas, aumentam os casos de rinite, alergias respiratórias e resfriados. Como consequência, também cresce o uso de descongestionantes vendidos sem prescrição médica.

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Embora esses medicamentos possam facilitar a respiração por um período curto, o uso frequente ou prolongado exige atenção. Em algumas pessoas, principalmente aquelas com problemas cardíacos, a utilização indiscriminada pode elevar a pressão arterial, acelerar os batimentos e provocar palpitações.

Uso de descongestionantes aumentam no inverno

Os descongestionantes nasais funcionam por meio da contração dos vasos sanguíneos da região do nariz. Esse mecanismo reduz o inchaço da mucosa e abre espaço para a passagem do ar.

É justamente essa ação que proporciona a sensação de melhora quase imediata. Porém, o efeito não fica necessariamente restrito ao nariz. Parte da substância pode provocar alterações em outras regiões do organismo, incluindo o sistema cardiovascular.

"Os descongestionantes nasais promovem a contração dos vasos sanguíneos para reduzir o inchaço da mucosa e facilitar a passagem do ar. No entanto, esse efeito não ocorre apenas no nariz", explica o Dr. Daniel Terrível, cardiologista, diretor social e gerente médico dos ambulatórios Trasmontano.

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Riscos ao coração

Segundo o especialista, pessoas com hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmias ou outros fatores de risco cardiovasculares precisam ter cuidado redobrado. Nesses casos, os descongestionantes podem aumentar a pressão arterial, elevar a frequência cardíaca e favorecer episódios de palpitação.

O alerta ganha força porque muitos consumidores não consideram esses produtos medicamentos que exigem cautela. Como são facilmente encontrados em farmácias e costumam produzir uma resposta rápida, eles podem ser usados várias vezes ao dia e por mais tempo do que o recomendado.

Descongestionantes e os riscos da automedicação

Dados de um estudo realizado pela Faculdade de Medicina de Campos mostram que 75% das pessoas utilizam descongestionantes nasais e que 63% recorrem à automedicação.

A pesquisa também identificou que 23% dos participantes apresentavam dependência ativa desses produtos. Entre essas pessoas, houve maior prevalência de efeitos como hipertensão arterial e taquicardia.

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Na prática, isso significa que os descongestionantes podem deixar de ser uma solução pontual e se transformar em um hábito difícil de interromper. O usuário aplica o produto ao perceber qualquer dificuldade para respirar, mesmo quando a causa do sintoma não foi investigada.

Esse ciclo pode começar com uma obstrução nasal provocada por resfriado ou alergia. Depois de alguns dias de uso, o nariz pode voltar a entupir assim que o efeito passa, levando a pessoa a reaplicar o medicamento. Com o tempo, a sensação de dependência se intensifica.

Além disso, o aumento da frequência cardíaca pode ser percebido como coração acelerado, tremores ou ansiedade. Em pessoas mais vulneráveis, os descongestionantes podem contribuir para descompensações cardiovasculares.

Por isso, sintomas como dor no peito, falta de ar intensa, desmaio, palpitações persistentes ou pressão muito elevada devem ser avaliados rapidamente por um serviço de saúde. A recomendação é não tentar controlar esses sinais apenas com a repetição do medicamento.

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Descongestionantes nasais exigem uso consciente

Quem apresenta obstrução nasal recorrente deve investigar a origem do problema em vez de recorrer continuamente aos descongestionantes. Rinite alérgica, sinusite, exposição à poeira, mofo, fumaça e baixa umidade do ar são algumas situações que podem manter o nariz congestionado.

A lavagem nasal com solução salina pode ajudar a remover secreções e partículas irritantes. A hidratação adequada e o controle de fatores ambientais também são medidas úteis para reduzir o desconforto.

No caso de alergias, o tratamento deve ser orientado por um profissional. Dependendo da causa, podem ser indicados medicamentos específicos, medidas de controle do ambiente ou outras estratégias que não envolvam o uso contínuo de descongestionantes.

Também é importante observar a frequência de aplicação. Usar o produto várias vezes por dia, carregar frascos em diferentes locais ou sentir dificuldade para ficar sem ele são sinais de que o hábito precisa ser discutido com um médico.

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Já sou dependente dos descongestionantes. E agora?

Nos casos em que já existe dependência, a interrupção deve ocorrer com acompanhamento profissional. A suspensão pode fazer parte de um plano gradual ou de uma estratégia definida de acordo com o quadro de cada pessoa.

"Muitas pessoas mantêm um frasco na bolsa, no carro ou ao lado da cama e passam a utilizar o produto automaticamente diante de qualquer desconforto. Identificar esse comportamento e estabelecer um plano para abandoná-lo é fundamental para reduzir a dependência e evitar a exposição contínua aos efeitos sistêmicos da medicação", afirma o cardiologista.

Os descongestionantes podem ser eficazes para o alívio temporário da congestão, mas não devem ser encarados como solução permanente. O uso sem orientação pode mascarar doenças respiratórias e aumentar a exposição a efeitos que atingem o coração.

Antes de recorrer novamente ao frasco, vale observar há quanto tempo o sintoma persiste, quantas vezes o medicamento tem sido utilizado e se há histórico de pressão alta ou doença cardíaca. Em caso de dúvida, a melhor escolha é buscar orientação médica ou farmacêutica.

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No inverno, cuidar do nariz também significa proteger o coração. Descongestionantes devem ser usados com responsabilidade, pelo menor tempo possível e sempre de acordo com as orientações da bula e de um profissional de saúde.

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