Entre as 10 doenças com mais vítimas no Brasil, tuberculose cresce e pode ter diagnóstico silencioso
A tuberculose voltou a acender um alerta no Brasil. Mesmo sendo uma doença antiga e com tratamento disponível, os casos seguem em alta e preocupam especialistas, principalmente por um fator silencioso: nem sempre ela apresenta sintomas claros no início.
O último Boletim Epidemiológico de Tuberculose no país mostra que o Brasil registrou mais de 85 mil novos casos em 2024, com cerca de 6 mil mortes ao ano. O cenário coloca a doença entre as que mais matam por infecção no mundo — à frente, inclusive, de Covid e AIDS. E o problema não é só nacional.
Dados do Relatório Global da Tuberculose 2024, divulgado pela Organização Mundial da Saúde, mostram que 7,5 milhões de pessoas foram diagnosticadas com a doença em todo o planeta. Enquanto cerca de 10,6 milhões adoeceram no período. A tuberculose também foi responsável por 1,3 milhão de mortes ao redor do globo em 2024.
Pesquisa preocupante sobre a tuberculose
Mas o que mais chama atenção é a dificuldade no diagnóstico precoce. Um estudo recente, ublicado na plataforma ScienceDirect, revelou que a maioria dos casos pode evoluir sem sinais evidentes, o que dificulta a identificação da doença e contribui para a sua transmissão. Em muitos pacientes, sintomas clássicos como tosse persistente, febre e perda de peso simplesmente não aparecem no início.
Segundo Maria Cecília Maiorano, coordenadora da pós-graduação em Pneumologia da Afya Educação Médica São Paulo, é crucial que os pacientes estejam atentos mesmo na ausência de sintomas clássicos e adotem uma postura ativa em relação à própria saúde. "A tuberculose não se manifesta da mesma forma em todos os pacientes. Não podemos depender exclusivamente de sinais clássicos, como tosse persistente. E sim alcançar pessoas que foram expostas a casos confirmados, especialmente em grupos de maior risco. É crucial que procurem avaliação médica, mesmo que se sintam bem", comenta.
Sintomas e tratamento
Entre os principais sintomas da doença infecciosa estão a tosse persistente por três semanas ou mais, febre, sudorese noturna, cansaço excessivo e perda de peso. A doença afeta principalmente os pulmões, mas em quadros mais graves, pode manifestar a chamada "forma extrapulmonar" da doença, afetando os gânglios linfáticos, ossos e articulações, rins, sistema nervoso central e pleura.
O tratamento é gratuito e disponibilizado pelo sistema público de saúde, sendo realizado com uma combinação de antibióticos por, no mínimo, seis meses. A adesão correta ao esquema terapêutico é fundamental para garantir a cura, evitar recaídas e impedir o desenvolvimento de formas resistentes da doença.
Maria Cecília também enfatiza o papel da informação e do acompanhamento adequado. "A identificação da doença em estágios iniciais permite iniciar o tratamento mais rapidamente, reduzindo o risco de complicações e da transmissão. O mais importante é que o paciente mantenha o tratamento de forma contínua e correta, seguindo rigorosamente a orientação médica", destaca. Ela também reforça que a adesão ao tratamento é decisiva tanto para a recuperação individual quanto para o controle da doença na população.