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Terapia: por que esse assunto ainda é um tabu em família?

Especialista diz que quem evita terapia pode associar o ato de sentir a uma demonstração de fragilidade.

6 ago 2026 - 07h02
Resumo
O preconceito e crenças antigas ainda dificultam a busca por terapia, vista muitas vezes como fraqueza ou desnecessária. A resistência familiar reflete padrões emocionais e sociais que evitam falar sobre sentimentos e sofrimento. No entanto, a terapia pode ser um caminho para autoconhecimento, fortalecimento emocional e relações mais saudáveis. 🌈

Medo do julgamento e crenças antigas ainda afastam as pessoas do cuidado terapêutico

Falar sobre terapia dentro de casa ainda pode provocar silêncio, resistência ou comentários atravessados. Para muitas famílias, o ato de procurar ajuda emocional é interpretado como fraqueza, exagero ou sinal de que a pessoa não consegue resolver suas próprias questões. Trata-se de um tabu que não nasce apenas da falta de informação. Na verdade, essa dificuldade pode ser geracional: há algumas décadas, quando o acesso à terapia era mais difícil e a saúde mental costumava ser menos debatida, a forma mais comum de lidar com o sofrimento era se calando, sobretudo para evitar a exposição.

O processo terapêutico não precisa de aprovação coletiva; basta que a pessoa queira olhar para si mesma de forma mais profunda
O processo terapêutico não precisa de aprovação coletiva; basta que a pessoa queira olhar para si mesma de forma mais profunda
Foto: Magnific / Revista Malu

Essa leitura é feita por Tatiana Pacher Nazato, terapeuta e empresária, que observa o peso das histórias familiares na forma como muitas pessoas se aproximam ou se afastam da terapia. Segundo ela, o cuidado emocional ainda enfrenta objeções, porque mexe com padrões de comportamento construídos dentro das próprias relações interpessoais. "Quando uma família aprendeu que sentir é sinal de fragilidade, pedir ajuda pode parecer uma ruptura. Muitas pessoas não têm medo apenas da terapia, mas do julgamento que pode vir depois dela", afirma.

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O Ministério da Saúde reconhece o estigma como uma barreira importante no cuidado em saúde mental. Em sua página oficial sobre o tema, o órgão afirma que o preconceito não afeta apenas quem vive um sofrimento psíquico, mas também a família, os serviços e as formas de tratamento. Tudo isso acaba criando obstáculos para a busca de assistência e apoio.

Tabu familiar

Na prática, o tabu familiar aparece de várias maneiras. Há famílias que minimizam sintomas com frases como "isso é coisa da sua cabeça", "você precisa ser mais forte", ou "na minha época, ninguém fazia terapia". Outras associam acompanhamento terapêutico apenas a transtornos graves, como se o cuidado emocional só fosse necessário em situações extremas. Essa visão reduz a terapia a um recurso de crise e impede que ela seja compreendida também como espaço de autoconhecimento, reorganização emocional e amadurecimento das relações.

A resistência pode ser ainda maior quando a pessoa começa a mudar dentro da própria família. Ao fazer terapia, ela pode aprender a nomear sentimentos, estabelecer limites, rever papéis e questionar dinâmicas que antes pareciam naturais. Para um sistema familiar acostumado a determinados padrões, essa mudança tende a gerar desconforto. Isso porque, a pessoa em terapia deixa de responder da mesma forma, passa a dizer "não" com mais clareza, ou começa a perceber situações ou laços que antes mantinha por culpa, medo ou obrigação.

Visão sistêmica

Nesse sentido, a visão sistêmica ajuda a compreender a profundidade do tema. O indivíduo não vive suas emoções de forma isolada. Ele está inserido em vínculos, histórias, lealdades e expectativas que influenciam a maneira como se enxerga e se posiciona. No entanto, algumas famílias valorizam tanto a resistência a novos paradigmas que acabam confundindo sofrimento silencioso com maturidade. Outras repetem, sem perceber, a ideia de que falar sobre dor quebra a privacidade da família ou ameaça a imagem que o grupo familiar espera transmitir na esfera social.

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"O tabu em torno da terapia muitas vezes revela uma dificuldade coletiva de lidar com vulnerabilidade. Quando alguém busca ajuda, pode tocar em assuntos que a família inteira evitou por muito tempo", explica Tatiana.

Não significa acusação

Outro ponto importante: a terapia não precisa ser apresentada à família como uma acusação. Em muitos casos, o processo terapêutico funciona como um espaço para compreender melhor as conexões e encontrar formas mais saudáveis de se relacionar. Esse processo, sobretudo, não exige rompimento automático com a história familiar. Na verdade, pode até ajudar a pessoa a abraçar o que recebeu, o que deseja preservar e o que já não consegue mais repetir.

Para quem ainda sente medo de contar que faz terapia, o primeiro passo pode ser reconhecer que esse cuidado não precisa de aprovação coletiva para ser legítimo. A decisão de buscar apoio emocional pertence somente à pessoa que sente a necessidade de olhar para si mesma com mais profundidade.

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