A presbiopia, ou vista cansada, surge após os 40 anos devido à perda de flexibilidade do cristalino, dificultando o foco de perto. Embora os óculos sejam a correção tradicional, o avanço tecnológico oferece alternativas como lentes de contato, cirurgias a laser e o implante de lentes intraoculares. Segundo o oftalmologista Arthur van den Berg, a escolha do melhor tratamento deve ser personalizada, considerando a saúde ocular, a rotina e o estilo de vida de cada paciente para reduzir a dependência dos óculos.
Novas tecnologias auxiliam quem tem vista cansada; presbiopia é causada por envelhecimento do cristalino
A dificuldade para ler mensagens no celular, enxergar letras pequenas ou trabalhar diante de uma tela costuma aparecer a partir dos 40 anos. É quando começa a se manifestar com mais frequência a presbiopia. Trata-se de uma alteração natural do envelhecimento em que o cristalino perde a capacidade de mudar de forma para focalizar objetos próximos. Cristilino é a lente natural do olho, e o nome popular da presbiopia é vista cansada.
Em uma atualização recente, a Organização Mundial da Saúde estima que mais de 800 milhões de pessoas tenham comprometimento da visão de perto associado à presbiopia. Projeta ainda que a condição alcance 2,1 bilhões de pessoas até 2030.
No Brasil, o envelhecimento da população amplia a relevância do tema: dados divulgados pelo IBGE mostram que o número de pessoas com 60 anos ou mais chegou a 34,1 milhões em 2024. Isso representa um crescimento de 53,3% em relação a 2012.
Para Arthur van den Berg, médico oftalmologista, entender essa mudança é o primeiro passo para discutir alternativas além da simples multiplicação dos óculos. Com 20 anos de carreira, o médico defende que a decisão deve começar pela avaliação das necessidades visuais de cada paciente.
"Não existe uma única solução para todas as pessoas. Antes de discutir qualquer procedimento, é preciso entender como aquele paciente trabalha, dirige, pratica esportes, usa telas, lê e quais são suas expectativas. A estratégia precisa acompanhar a vida do paciente, e não apenas um número encontrado no exame", afirma van den Berg.
Por que a visão muda depois dos 40?
A presbiopia ocorre porque o cristalino, estrutura natural localizada dentro do olho e responsável por ajudar no foco, torna-se progressivamente menos flexível. Com isso, atividades como ler, usar o celular, trabalhar diante do computador ou enxergar pequenos detalhes de perto podem começar a exigir mais esforço. Entre os sinais mais comuns, estão a necessidade de afastar textos e telas, cansaço visual e dor de cabeça.
É nessa fase que muitas pessoas passam a incorporar diferentes óculos à rotina, seja para leitura, computador ou outras atividades. Eles continuam sendo uma das principais formas de correção da presbiopia, mas não são a única alternativa disponível. Dependendo das características dos olhos, da idade, do grau e da condição do cristalino, o oftalmologista avalia outras estratégias. Essas estratégias incluem lentes de contato, procedimentos a laser para correção do grau, e até procedimentos cirúrgicos com implante de lentes intraoculares.
Sinais da vista cansada
Segundo Arthur van den Berg, a dificuldade para enxergar de perto já é motivo para uma avaliação oftalmológica. "Quando a pessoa percebe que precisa afastar o celular, aumentar a fonte da tela, buscar mais iluminação para ler ou começa a depender dos óculos para tarefas que antes realizava naturalmente, é importante investigar", recomenda.
Ele diz que é essencial entender se as dificuldades apontadas pelo paciente são realmente decorrentes da presbiopia. Além disso, é importante avaliar a saúde do olho antes de indicar um tratamento.
Lentes intraoculares
A presbiopia pode ser tratada de diferentes formas, e a cirurgia com lentes intraoculares é uma das opções para pacientes que desejam reduzir a dependência dos óculos. A indicação é feita a partir de uma avaliação individual, que considera aspectos como córnea, retina, grau, características do cristalino, presença ou não de catarata, entre outros fatores.
Embora o procedimento cirúrgico seja relativamente rápido, van den Berg ressalta que o resultado começa muito antes do centro cirúrgico, com a correta seleção do paciente, da lente e da estratégia para cada olho.
"Para pacientes que buscam mais liberdade dos óculos, a cirurgia com lentes intraoculares é uma alternativa que pode proporcionar maior independência visual no dia a dia, quando houver indicação", esclarece o especialista. Ele destaca que as escolhas da lente e da técnica são personalizadas e determinadas pela saúde ocular, características do cristalino e rotina de cada paciente.