Quando o assunto é menopausa, mulheres a partir dos 35 anos devem ficar com o alerta ligado para os sintomas. Isso porque geralmente é nessa idade que começam a surgir os primeiros sinais do climatério — período de transição hormonal que antecede a menopausa e que pode durar de cinco a sete anos. Muitas vezes, esses sinais passam despercebidos ou acabam sendo confundidos com o desgaste da rotina.
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Irritabilidade, insônia, fadiga, ansiedade e dificuldade de concentração estão entre os sintomas mais comuns dessa fase. Como também aparecem em quadros de estresse e burnout, muitas mulheres demoram para perceber que as mudanças podem estar relacionadas aos hormônios.
Segundo o médico Luiz Augusto Júnior, especialista em saúde da mulher 40+ e fundador do Instituto Amare, a menopausa não acontece de forma repentina. “A menopausa é uma data. Ela acontece quando a mulher completa 12 meses sem menstruar. Antes disso, existe o climatério, que já provoca diversas flutuações hormonais”, explica.
De acordo com ele, os primeiros sintomas podem surgir antes mesmo dos 40 anos. “A partir dos 35 anos, algumas mulheres já começam a apresentar insônia, irritabilidade, ansiedade, oscilações de humor, fadiga e alterações no ciclo menstrual. Muitas passam a menstruar mais vezes no mês ou percebem que o ciclo ficou mais curto”, afirma.
O especialista destaca que os sintomas iniciais costumam estar ligados principalmente à queda da progesterona. “Esses primeiros sinais estão muito relacionados à progesterona. Por isso, muitas mulheres relatam irritabilidade maior, dificuldade para dormir e uma sensação constante de cansaço”, diz.
Sintomas confundidos com burnout
Para o médico, um dos maiores desafios é justamente diferenciar os sintomas hormonais de quadros emocionais ou psicológicos, porque os sinais se sobrepõem. “Hoje, o número de casos de burnout cresce muito entre mulheres acima dos 40 anos porque elas já não têm os mesmos níveis hormonais da juventude. Isso reduz a tolerância ao estresse”, afirma.
Ele ressalta que a avaliação precisa ir além dos exames laboratoriais. “Muitas vezes, a mulher chega relatando ansiedade, cansaço ou dificuldade de foco, e isso pode estar associado tanto à transição hormonal quanto a deficiência de ferro, vitamina D, problemas de tireoide, disbiose intestinal ou excesso de estresse. É preciso entender quem é essa mulher, como ela vive, como dorme, como se alimenta e como está a rotina dela”, explica.
Segundo Luiz Augusto, muitas pacientes acabam demorando para procurar ajuda justamente porque acreditam que estão apenas “sobrecarregadas”. “A mulher assume muitos papéis ao mesmo tempo: trabalho, filhos, relacionamento, cuidados com os pais, pressão financeira. A vida pode virar um caos mental, e isso mascara os sintomas hormonais”, afirma.
Fogachos, névoa mental e sintomas pouco conhecidos
Embora as ondas de calor e a irregularidade menstrual sejam os sinais mais conhecidos da menopausa, o especialista afirma que existem sintomas menos óbvios e que são frequentemente ignorados.
“A mulher pode começar a acordar várias vezes durante a madrugada, ter uma sensação de calor intensa, pele muito seca, queda na qualidade do cabelo e das unhas, além da chamada névoa mental. Ela pensa em uma palavra e simplesmente esquece”, relata.
Segundo ele, há também manifestações consideradas atípicas. “Já atendi pacientes com ardência na boca, sensação de que a boca estava queimando. Outras apresentavam zumbido persistente no ouvido ou dores intensas no ombro, o que chamamos de síndrome do ombro congelado”, conta.
Além das alterações físicas, a queda hormonal também pode afetar libido, memória e desempenho profissional. “Muitas mulheres dizem que não se reconhecem mais. Elas passam a ter baixa energia, piora da concentração, perda do desejo sexual e dificuldade até para manter a performance nos treinos”, diz.
Rotina intensa pode agravar sintomas
Na avaliação do especialista, o estilo de vida moderno tem contribuído para piorar os sintomas da menopausa e até antecipar o processo hormonal.
“O excesso de telas, noites mal dormidas, alimentação inadequada, sedentarismo e estresse contínuo impactam diretamente hormônios como cortisol, melatonina e vitamina D. Quando essa base está desregulada, todo o restante do organismo sofre”, explica.
Ele alerta que o problema vai além do desconforto individual. “Hoje, quase metade dos lares brasileiros é chefiada por mulheres. Quando falamos em burnout, afastamentos psiquiátricos e colapso emocional nessa faixa etária, estamos falando de um impacto social e econômico enorme”, afirma.
Quando procurar ajuda
Para Luiz Augusto, a recomendação é que a mulher procure acompanhamento médico logo nos primeiros sinais persistentes. “O momento de cuidar é agora. Quanto antes essa mulher entender o que está acontecendo no corpo dela, maiores as chances de atravessar essa fase com qualidade de vida”, pontua.
Segundo ele, o diagnóstico envolve avaliação clínica detalhada, histórico da paciente e exames hormonais e metabólicos. “Não existe uma fórmula única. Cada mulher vive o climatério de forma diferente. O tratamento precisa ser individualizado”, conclui.