Cansaço persistente, alterações no sono e desinteresse por atividades podem ser sinais de problemas emocionais, como ansiedade ou depressão. Segundo o psiquiatra Gustavo Omena, é importante identificar mudanças no comportamento cedo e buscar ajuda profissional para evitar impactos na saúde e na qualidade de vida. Agir rapidamente aumenta as chances de recuperação. 💡
Cansaço persistente, alterações no sono e dificuldade para realizar tarefas simples podem indicar que algo não vai bem; especialista explica quando é hora de buscar ajuda
A rotina acelerada, o excesso de informações e as cobranças do dia a dia fazem com que muitas pessoas convivam com sintomas emocionais sem perceber os sinais de alerta. O problema, segundo o psiquiatra e psicogeriatra Gustavo Omena, fica maior quando o sofrimento mental se torna constante, podendo impactar o trabalho, os relacionamentos, a saúde física e a qualidade de vida.
Os números ajudam a dimensionar a importância do tema. Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2025, mais de 1 bilhão de pessoas convivem com algum transtorno mental. Além do impacto na saúde e no bem-estar, condições como ansiedade e depressão estão associadas a perdas econômicas globais estimadas em US$ 1 trilhão por ano. O especialista em saúde mental aponta como alguns sinais costumam aparecer antes mesmo de um diagnóstico formal e merecem atenção.
"Nem sempre o sofrimento emocional se apresenta de forma evidente. Muitas vezes ele surge por meio de mudanças no comportamento, no sono, na energia ou na capacidade de lidar com atividades cotidianas", explica.
Para auxiliar nessa análise, o Dr. Omena compartilha cinco pontos fundamentais para identificar as circunstâncias que pedem maior atenção.
Exaustão que não melhora com descanso
Sentir-se cansado após um período intenso de trabalho ou preocupações é esperado. O alerta surge quando o esgotamento se mantém mesmo após dormir bem ou diminuir o ritmo. Quando a sensação de cansaço se torna constante e a pessoa percebe que não consegue recuperar a energia mesmo descansando, é importante investigar o que está acontecendo. A exaustão emocional pode estar associada a quadros de ansiedade, depressão, burnout e estresse crônico.
Alterações frequentes no sono
Dormir pouco, acordar várias vezes durante a noite ou sentir sono excessivo ao longo do dia são mudanças que podem estar relacionadas à saúde mental. O sono costuma ser um dos primeiros aspectos afetados quando existe algum desequilíbrio emocional. Alterações persistentes merecem atenção porque podem sinalizar que o organismo está enfrentando um período de sobrecarga.
Falhas de memória e dificuldade de concentração
Esquecer compromissos, perder o foco com facilidade ou sentir dificuldade para organizar pensamentos também podem ser sinais de alerta. Embora muitas pessoas associem esses sintomas apenas ao envelhecimento ou à distração, eles podem estar ligados ao excesso de estresse, ansiedade ou depressão. Portanto, a sobrecarga emocional interfere diretamente em funções cognitivas importantes, como memória, atenção e capacidade de tomada de decisões.
Perda de interesse por atividades que antes davam prazer
Um dos sinais que merece atenção é a diminuição do interesse por atividades que costumavam ser agradáveis, como encontrar amigos, praticar exercícios, viajar ou desenvolver hobbies. Quando essa falta de motivação se torna persistente e começa a afetar a rotina, pode ser um indicativo de sofrimento emocional. Logo, o desinteresse pela vida e pelas atividades do dia a dia jamais deve ser encarado como algo normal, principalmente quando permanece por semanas ou meses.
Dificuldade para realizar tarefas simples
Responder mensagens, organizar a casa, cumprir compromissos ou até mesmo cuidar da própria higiene podem se tornar tarefas desafiadoras para quem está emocionalmente sobrecarregado. Esse fator é um dos sinais mais importantes e que costuma impactar diretamente a qualidade de vida. Quando atividades simples passam a exigir um esforço desproporcional, é fundamental olhar para esse sintoma com atenção e procurar ajuda profissional.
Quando procurar ajuda?
Os especialistas reforçam que não é necessário esperar que os sintomas se agravem para buscar atendimento. Quanto mais precoce for a identificação do problema, maiores são as chances de recuperação e controle dos sintomas.
"Saúde mental não significa ausência de problemas, mas a capacidade de lidar com eles de forma saudável. Quando os sinais começam a interferir na rotina, no trabalho ou nos relacionamentos, vale procurar avaliação especializada", conclui Gustavo Omena.