Em apoio à campanha Setembro Amarelo, o padre Reginaldo Manzotti ressalta a importância da fé e da esperança no fortalecimento emocional diante do aumento de casos de depressão e ansiedade no Brasil e no mundo. O sacerdote enfatiza a necessidade de acolhimento e escuta empática na sociedade, destacando que a espiritualidade atua como suporte resiliente, mas que a busca por ajuda médica e psicológica especializada é indispensável para preservar vidas e tratar o sofrimento psíquico.
O padre diz que a esperança não elimina o sofrimento, mas fortalece o enfrentamento
O Brasil vive um cenário desafiador quando o assunto é saúde mental. Ansiedade, depressão, estresse e solidão têm impactado milhões de pessoas, tornando cada vez mais urgente a conscientização sobre a importância do acolhimento, da escuta e da busca por ajuda especializada. Em sintonia com a campanha Setembro Amarelo, o padre Reginaldo Manzotti propõe uma reflexão sobre o papel da esperança e da espiritualidade como instrumentos de fortalecimento emocional e valorização da vida. Desenvolvem a campanha a Associação Brasileira de Psiquiatria e o Conselho Federal de Medicina.
Conheça os números
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 280 milhões de pessoas vivem com depressão no mundo, enquanto os transtornos de ansiedade afetam aproximadamente 301 milhões de pessoas. Já no Brasil, estimativas da OMS indicam que o país possui uma das maiores prevalências de transtornos de ansiedade do planeta. Além disso, o suicídio continua sendo um importante problema de saúde pública, com mais de 720 mil mortes registradas anualmente em todo o mundo, segundo a OMS.
Para o padre Reginaldo Manzotti, embora o sofrimento emocional faça parte da realidade de muitas famílias, ninguém precisa enfrentá-lo sozinho. "A esperança não elimina as dificuldades, mas nos fortalece para enfrentá-las. A fé nos recorda que toda vida tem valor e que sempre existe a possibilidade de um novo começo", diz. Ele menciona a importância de buscar ajuda profissional quando o sofrimento emocional se intensifica ou atrapalha a rotina. "É um gesto de coragem e responsabilidade", define.
Ansiedade e depressão
Com mais de três décadas de sacerdócio e um trabalho diário de evangelização que alcança milhões de brasileiros por meio da televisão, rádio, internet e encontros presenciais, o padre acompanha de perto histórias de pessoas que enfrentam o luto, a ansiedade, a depressão, crises familiares e outras situações de sofrimento. De acordo com ele, uma das maiores necessidades da sociedade atual é reaprender a acolher.
"O sofrimento nem sempre é visível. Muitas pessoas sorriem por fora enquanto travam batalhas silenciosas. Por isso, uma palavra de carinho, um gesto de atenção ou simplesmente saber ouvir podem fazer uma enorme diferença", pontua Manzotti.
Setembro Amarelo
Além da conscientização sobre a prevenção ao suicídio, o Setembro Amarelo também convida à reflexão sobre fatores que contribuem para o sofrimento psíquico, como o isolamento social, o excesso de tempo conectado às redes sociais, a pressão por desempenho, as incertezas da vida moderna e a dificuldade de estabelecer vínculos profundos.
O padre reforça que a espiritualidade pode contribuir para o fortalecimento da esperança, do sentido da vida e da capacidade de enfrentar adversidades. Estudos científicos têm demonstrado associação entre práticas religiosas ou espirituais e melhores indicadores de bem-estar emocional, resiliência e apoio social, embora seus efeitos variem entre as pessoas e não substituam tratamentos indicados por profissionais de saúde.