Setembro em Flor alerta para prevenção de cânceres ginecológicos

A campanha Setembro em Flor chama atenção para prevenção, diagnóstico precoce e tratamento de tumores que afetam o colo do útero, ovários e endométrio

10 set 2026 - 18h04
Resumo
A campanha Setembro em Flor conscientiza sobre os cânceres de colo do útero, ovário e endométrio, que somarão 37 mil novos casos no Brasil em 2026. Embora o de colo uterino seja o mais frequente e prevenível via vacina contra HPV e rastreamento, o de ovário é o mais letal por ter diagnóstico tardio e sintomas sutis. Já o de endométrio alerta para sangramentos anormais. Como cada tumor exige cuidados distintos, a atenção aos sinais persistentes e a consulta médica precoce são vitais para o tratamento.

Setembro em Flor é uma campanha nacional criada pelo Grupo EVA para conscientizar sobre os cânceres ginecológicos, como os que afetam o colo do útero, os ovários e o corpo do útero, também chamado de endométrio. A iniciativa reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico.

Veja a importância de detectar um câncer ginecológico de forma precoce
Veja a importância de detectar um câncer ginecológico de forma precoce
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

No Brasil, esses tumores representam um importante desafio de saúde pública. Para 2026, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 37 mil novos casos de câncer de colo do útero, ovário e corpo do útero.

Publicidade

Desse total, aproximadamente 19,3 mil correspondem ao câncer do colo do útero, 9,7 mil ao câncer de endométrio e 8 mil ao câncer de ovário.

Embora o câncer do colo do útero seja o mais incidente entre esses tumores na população feminina brasileira, o câncer de ovário apresenta a maior taxa de mortalidade. Um dos motivos é que muitas pacientes recebem o diagnóstico quando a doença já está em estágio avançado.

Cânceres ginecológicos exigem cuidados diferentes

Apesar de atingirem o aparelho genital feminino, os cânceres ginecológicos não apresentam os mesmos fatores de risco, sintomas ou formas de prevenção.

No caso do câncer de ovário, por exemplo, não existe atualmente um método eficaz de rastreamento para mulheres assintomáticas de risco habitual. Além disso, os primeiros sinais podem ser discretos e semelhantes aos de problemas comuns, o que pode atrasar a investigação.

Publicidade

"O câncer de ovário permanece um dos tumores ginecológicos mais desafiadores porque, nas fases iniciais, geralmente provoca poucos sintomas. Quando eles aparecem, podem ser inespecíficos e confundidos com outras condições. Por isso, sintomas novos, persistentes ou progressivos, principalmente quando aparecem em conjunto, merecem avaliação médica", explica a Dra. Christiane de Melo Souza, especialista em Oncoginecologia na Croma Oncologia, no Rio de Janeiro.

Quais são os sinais do câncer de ovário?

Entre os possíveis sinais estão:

  • Aumento do volume abdominal ou sensação de inchaço.
  • Dor abdominal ou pélvica.
  • Saciedade precoce.
  • Aumento da frequência urinária.
  • Alterações persistentes no hábito intestinal.
  • Cansaço.
  • Perda de peso sem explicação.

Esses sintomas podem aparecer em diferentes condições de saúde e não significam, isoladamente, que exista um câncer. Porém, quando são novos, persistentes ou estão piorando, é importante buscar avaliação médica.

Histórico familiar pode indicar maior risco

O risco de câncer de ovário pode ser maior em mulheres com histórico familiar de determinados tumores.

Casos de câncer de ovário, mama, pâncreas, próstata, endométrio ou intestino, principalmente quando diagnosticados em idades mais jovens, podem indicar a necessidade de aconselhamento e avaliação genética.

Alterações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2 estão entre as mais conhecidas. Quando uma predisposição é identificada, o acompanhamento deve ser individualizado e pode incluir estratégias específicas para redução de risco.

Publicidade

"Identificar uma alteração genética permite ir além da avaliação individual. A informação pode orientar medidas de prevenção e acompanhamento para a paciente e também ajudar a identificar familiares que possam ter herdado a mesma alteração", afirma a médica.

Vacinação e rastreamento ajudam a prevenir o câncer do colo do útero

O câncer do colo do útero apresenta uma característica importante em relação aos demais tumores ginecológicos: está fortemente relacionado à infecção persistente pelo vírus HPV.

Por isso, existem estratégias de prevenção, como a vacinação contra o HPV e o rastreamento, que permite identificar alterações antes que evoluam para um tumor.

Desde 2025, as recomendações brasileiras indicam o teste molecular para detecção do DNA dos tipos oncogênicos do HPV como método primário de rastreamento para pessoas com colo do útero entre 25 e 64 anos que já tenham iniciado a vida sexual. A recomendação inclui mulheres, homens trans e pessoas não binárias designadas como do sexo feminino ao nascer.

Publicidade

Onde o teste molecular ainda não está disponível, o Papanicolau permanece como método de rastreamento.

Sangramento anormal merece investigação

O câncer de endométrio está relacionado principalmente a fatores como idade mais avançada, obesidade, diabetes, síndrome metabólica e exposição prolongada ao estrogênio.

Manter o peso adequado, praticar atividade física regularmente, ter uma alimentação equilibrada e controlar alterações metabólicas pode contribuir para a redução do risco.

Não há recomendação de rastreamento rotineiro para pessoas assintomáticas de risco habitual. Por isso, reconhecer os sinais é importante.

O principal alerta é o sangramento vaginal anormal, que pode ocorrer após a menopausa, fora do período menstrual ou como alteração persistente no fluxo.

Como é feita a investigação?

Quando existe suspeita de câncer ginecológico, a avaliação médica é fundamental.

Publicidade

A investigação pode envolver exame clínico e ginecológico, exames de imagem e biópsia. A análise do material coletado permite confirmar o diagnóstico e identificar características do tumor.

Exames moleculares também podem ajudar a compreender a biologia da doença e contribuir para a definição do tratamento.

Tratamento depende do tipo de tumor

Os avanços no conhecimento sobre as características dos tumores e o aprimoramento das técnicas cirúrgicas e de radioterapia contribuíram para tratamentos mais individualizados.

De acordo com o tipo e o estágio da doença, podem ser consideradas estratégias como cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapias-alvo e imunoterapia.

"O tratamento dos cânceres ginecológicos está cada vez mais baseado nas características de cada tumor. Isso permite definir estratégias mais refinadas, considerando não apenas o estágio da doença, mas também seus biomarcadores, as condições clínicas e os objetivos de cada paciente", destaca Dra. Christiane.

Publicidade

Informação também faz parte da prevenção

O Setembro em Flor reforça que os cânceres ginecológicos não seguem uma única trajetória. Por isso, cada doença exige estratégias específicas de prevenção, diagnóstico e tratamento.

Conhecer os fatores de risco, manter os cuidados preventivos indicados e procurar avaliação médica diante de sintomas novos ou persistentes são medidas importantes.

O diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento e contribuir para melhores resultados no cuidado das pacientes.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se