Sentiu um estalo no treino, continuou levantando peso e acabou com o rim rompido; médicos investigaram uso de anabolizantes

Um estalo durante o treino, uma dor ignorada e um rim rompido. Entenda o que pode ter provocado essa lesão rara.

28 out 2026 - 15h00
(atualizado às 15h01)
Resumo
Um fisiculturista de 49 anos sofreu uma ruptura no rim esquerdo após treinos intensos com cargas extremas e o uso contínuo de esteroides anabolizantes. Mesmo após sentir um estalo e dor, ele seguiu treinando, o que agravou o quadro e causou hemorragia interna sem que houvesse trauma físico direto. O caso, registrado no Kuwait, exigiu intervenção hospitalar e UTI. Médicos alertam que a combinação de esforço extremo e anabolizantes pode elevar a pressão e favorecer lesões renais graves.

Um estalo durante o exercício, seguido de uma dor leve na lateral do abdômen. Para quem treina, um desconforto assim pode parecer apenas consequência do esforço. Foi o que aconteceu com um fisiculturista de 49 anos, que continuou sua rotina mesmo depois de sentir algo estranho.

Rim rompido
Rim rompido
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

No dia seguinte, porém, a dor se tornou intensa durante uma série de supino inclinado com mais de 300 quilos. Ele precisou procurar atendimento de emergência.

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No hospital, os exames revelaram uma ruptura no rim esquerdo e um grande acúmulo de sangue. O homem não havia sofrido nenhuma pancada, mas um detalhe de seu histórico entrou na investigação médica. Ele fazia uso regular de esteroides anabolizantes.

O episódio aconteceu no Kuwait e foi documentado por médicos do Hospital Al-Amiri em um relato publicado na revista científica Urology Case Reports, em setembro de 2025.

O estalo apareceu depois de três dias de treino intenso

O homem era um fisiculturista competitivo e vinha realizando uma sequência especialmente exigente de exercícios abdominais.

Durante três dias consecutivos, seguiu um programa de 300 abdominais com peso, utilizando cargas de até 120 quilos.

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No terceiro dia, sentiu um estalo acompanhado de dor leve no lado esquerdo do corpo. Apesar do incômodo, continuou treinando.

A situação mudou no dia seguinte, quando a dor piorou durante o supino e o levou ao hospital.

Na avaliação inicial, os médicos encontraram o lado esquerdo do abdômen inchado e rígido. Não havia, entretanto, hematomas ou sinais externos de lesão.

A tomografia revelou uma ruptura profunda na parte inferior do rim esquerdo, classificada como laceração renal de grau III.

O exame também revelou um grande acúmulo de sangue atrás dos órgãos do abdômen, próximo ao rim lesionado, que chegava a medir 16,5 centímetros.

Quando parecia melhorar, o sangramento voltou

No início, os médicos optaram por manter o fisiculturista em repouso e acompanhar sua recuperação. Mas, dois dias depois, a dor e o inchaço aumentaram, a pressão arterial subiu muito e os exames mostraram que o rim estava sangrando novamente.

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Foi necessário realizar um procedimento para interromper a hemorragia, bloqueando o vaso sanguíneo de onde o sangue estava escapando.

A recuperação ainda teve uma complicação. Houve acúmulo de líquido nos pulmões, e o paciente precisou passar um breve período na UTI.

Ele apresentou melhora e recebeu alta nove dias após a internação.

Uso de anabolizantes entrou na investigação dos médicos

A ausência de uma pancada ou acidente tornou o episódio particularmente incomum.

Rupturas renais sem trauma externo geralmente estão associadas a doenças preexistentes, como tumores ou alterações dos vasos sanguíneos. No caso desse paciente, nenhuma doença renal anterior era conhecida.

Os médicos consideraram que o uso de anabolizantes, associado ao esforço físico extremo, poderia ter contribuído para a lesão.

Isso porque essas substâncias podem prejudicar os rins e favorecer o aumento da pressão arterial. Além disso, levantar cargas muito elevadas aumenta temporariamente a pressão dentro do abdômen.

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Os autores também levantaram a possibilidade de o fisiculturista apresentar hipertensão arterial ainda não diagnosticada.

Mas nenhuma dessas hipóteses foi comprovada. Não foi possível determinar a causa exata da ruptura, e os médicos não dispunham de exames renais anteriores para comparação.

A alta hospitalar não significou recuperação completa

Mesmo depois de controlado o sangramento, o sangue que havia se acumulado ao redor do rim continuava pressionando o órgão, contribuindo para o aumento da pressão arterial.

Por isso, o fisiculturista precisou continuar tomando medicamentos para controlar a pressão.

Um mês depois, os exames mostraram que a quantidade de sangue acumulado havia diminuído pouco. O funcionamento do rim estava melhorando, mas ainda não havia voltado completamente ao normal.

Os médicos autorizaram o retorno gradual aos exercícios com pesos leves. O relato não informa se o paciente se recuperou completamente depois disso.

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Quando uma dor durante o exercício merece atenção?

A ruptura espontânea do rim é rara e não deve ser confundida com as dores musculares comuns após o treino.

Seus sinais podem incluir dor repentina na lateral do abdômen ou nas costas, inchaço e, em algumas situações, sangue na urina.

O caso também chama atenção para os riscos dos anabolizantes, associados a alterações da pressão arterial e danos renais, embora sua participação nessa ruptura específica não tenha sido comprovada.

Dor súbita e intensa durante o esforço, especialmente acompanhada de tontura, inchaço abdominal ou sangue na urina, exige atendimento de emergência.

O episódio não significa que exercícios abdominais habituais provoquem esse tipo de lesão. Mas reforça a importância de interromper o treino e procurar avaliação médica diante de sintomas inesperados, persistentes ou que estejam piorando.

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Fonte: SaúdeLAB
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