Um estudo com mais de 7 mil pessoas acima de 50 anos revelou que a união entre fragilidade física e problemas frequentes de memória eleva em até 2,73 vezes o risco de demência, sobretudo se combinada à lentidão de raciocínio. Publicada na Communications Medicine, a pesquisa ressalta que falhas cognitivas persistentes que afetam a rotina exigem investigação médica, alertando ainda que a fragilidade cognitiva foi mais comum em indivíduos com menor renda, baixa escolaridade e sintomas de depressão.
Esquecer onde deixou os óculos, repetir uma pergunta feita poucos minutos antes ou ter dificuldade para lembrar o nome de alguém são situações que podem acontecer com o envelhecimento. Mas, quando esses esquecimentos se tornam frequentes e começam a interferir nas atividades do dia a dia, é importante investigar.
Uma pesquisa acompanhou pessoas por aproximadamente dez anos e observou que problemas de memória associados à fragilidade física estavam relacionados a uma maior ocorrência de demência nos anos seguintes.
Fragilidade física e dificuldades cognitivas foram avaliadas em conjunto
Os pesquisadores avaliaram 7.023 pessoas com 50 anos ou mais. Desse total, 646 apresentavam fragilidade física acompanhada de dificuldades cognitivas. Essa combinação é chamada de fragilidade cognitiva.
Os participantes foram divididos em três grupos:
- Grupo 1 - Dificuldade para pensar com rapidez: pessoas que demoravam mais para realizar tarefas ou encontrar palavras, mas não apresentavam problemas de memória.
- Grupo 2 - Dificuldade de memória: pessoas que tinham problemas para guardar ou lembrar informações, mas não apresentavam as outras dificuldades avaliadas.
- Grupo 3 - Dificuldades combinadas: pessoas que tinham problemas de memória e também demoravam para pensar com rapidez ou encontrar palavras.
Os resultados mostraram diferenças importantes entre os três grupos. O Grupo 3 apresentou a associação mais forte com a demência. Nesse caso, as chances foram 2,73 vezes maiores do que entre pessoas sem fragilidade cognitiva.
O Grupo 2 também apresentou maior associação com a doença, com chances aproximadamente duas vezes maiores.
Já no Grupo 1, que reunia pessoas com lentidão mental ou dificuldade para encontrar palavras, mas sem problemas de memória, não foi encontrada uma associação significativa com a demência.
Quando os esquecimentos merecem atenção?
Esquecer ocasionalmente onde guardou um objeto não significa que alguém esteja desenvolvendo demência. A preocupação aumenta quando as falhas de memória se tornam frequentes e começam a interferir nas atividades cotidianas.
Repetir perguntas em pouco tempo, esquecer compromissos importantes ou ter dificuldade para administrar medicamentos e dinheiro são mudanças que merecem investigação, principalmente quando representam uma alteração em relação ao comportamento habitual.
Também é importante lembrar que problemas de memória podem ter outras explicações, como alterações do sono, depressão, efeitos de medicamentos e condições clínicas.
Por isso, uma avaliação profissional é importante quando os esquecimentos persistem ou prejudicam a autonomia.
Condições de vida também apareceram relacionadas à fragilidade cognitiva
A fragilidade cognitiva foi mais frequente entre pessoas com menor escolaridade e renda familiar e entre moradores de regiões mais desfavorecidas. Sintomas de depressão apareceram nos três grupos avaliados.
Publicado na revista Communications Medicine, o estudo amplia a compreensão sobre os diferentes perfis de fragilidade cognitiva e sua relação com a demência ao longo dos anos.
Embora os resultados não permitam estabelecer uma relação de causa e efeito, ajudam a identificar características que merecem atenção. Para avaliar a demência, os pesquisadores combinaram relatos dos participantes sobre diagnósticos médicos, informações de familiares e resultados de testes cognitivos.
Os achados reforçam a importância de observar mudanças persistentes na memória e em outras funções cognitivas, sem interpretá-las automaticamente como sinais de demência.