A hipertensão resistente ocorre quando a pressão arterial não atinge a meta mesmo com três classes de remédios, incluindo diurético; já a refratária exige cinco ou mais classes sem sucesso. Ambas elevam o risco de infarto, AVC e problemas renais. Antes do diagnóstico, o médico deve descartar o uso incorreto de fármacos, o efeito do avental branco e causas secundárias, como apneia do sono ou males renais. O acompanhamento contínuo é vital para ajustar as terapias sem interromper o tratamento.
Controlar a pressão arterial nem sempre é simples. Algumas pessoas continuam apresentando níveis elevados mesmo com o uso de medicamentos e mudanças nos hábitos de vida.
Nesses casos, pode haver um quadro de hipertensão resistente ou refratária, duas condições que dificultam o controle da doença, mas apresentam diferenças importantes.
Reconhecer essas situações é fundamental para investigar o que está impedindo o tratamento de funcionar como esperado e reduzir o risco de complicações, como acidente vascular cerebral (AVC), infarto e insuficiência renal.
O que é hipertensão resistente?
A hipertensão arterial resistente (HAR) ocorre quando a pressão permanece acima da meta indicada, apesar do uso de três classes de medicamentos em doses máximas recomendadas ou toleradas, incluindo um diurético.
Esse medicamento ajuda a eliminar o excesso de sal e água. Os outros dois atuam na regulação da pressão e no relaxamento dos vasos sanguíneos.
A condição exige acompanhamento médico e investigação para identificar por que a pressão continua elevada mesmo com a combinação de medicamentos.
O que é hipertensão refratária?
Já a hipertensão refratária (HARf) é uma forma mais difícil de controlar. Nesse caso, a pressão continua alta mesmo com o uso de cinco ou mais classes de anti-hipertensivos.
Portanto, a principal diferença entre os quadros está na quantidade de medicamentos necessária para tentar controlar a pressão arterial.
Embora sejam condições distintas, ambas exigem avaliação cuidadosa para identificar possíveis fatores que dificultam o tratamento.
Qual é a meta de pressão arterial?
De acordo com o Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC), a meta de pressão varia conforme o perfil e o risco cardiovascular de cada pessoa, mas costuma ser inferior a 130/80 mmHg nas medições feitas no consultório.
Os especialistas ressaltam que reconhecer precocemente a dificuldade de controle é fundamental para entender por que o tratamento não está funcionando como esperado e adotar medidas para reduzir o risco de complicações.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,4 bilhão de adultos entre 30 e 79 anos viviam com hipertensão em 2024. Desse total, 44% não sabiam que tinham a doença e apenas 23% mantinham a pressão controlada.
Por que a pressão continua alta mesmo com medicamentos?
Nem sempre a pressão elevada durante o tratamento significa que a pessoa tem hipertensão resistente ou refratária. Antes de estabelecer o diagnóstico, é necessário verificar diferentes fatores.
"Antes de fechar o diagnóstico, é necessário verificar se os remédios são tomados corretamente, se a medição da pressão arterial foi feita de forma adequada e se há o chamado efeito do avental branco, quando a pressão aumenta durante a consulta. Também precisamos avaliar os hábitos de vida, outros medicamentos que possam elevar a pressão e possíveis doenças que contribuam para esse quadro", explica o Dr. Rodrigo Pedrosa, médico cardiologista e diretor do DHA/SBC.
Entre os pontos que precisam ser avaliados estão:
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Uso irregular ou incorreto dos medicamentos.
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Medição inadequada da pressão arterial.
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Efeito do avental branco.
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Hábitos de vida que dificultam o controle.
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Uso de outros medicamentos que podem elevar a pressão.
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Presença de doenças associadas.
Essa análise ajuda a evitar diagnósticos equivocados e permite identificar quais mudanças podem melhorar a resposta ao tratamento.
Quais doenças podem causar hipertensão secundária?
Outra etapa importante da investigação é verificar se existe hipertensão arterial secundária, ou seja, quando a pressão elevada é provocada por outra condição clínica.
Entre as possíveis causas estão doenças renais, alterações hormonais e apneia obstrutiva do sono.
"A apneia do sono merece atenção especial, pois está presente em até dois terços dos pacientes com hipertensão resistente e pode contribuir significativamente para a manutenção e o agravamento da pressão arterial elevada. Essas causas secundárias, quando tratadas, podem ajudar no controle da pressão arterial. Por isso, o primeiro passo não é simplesmente acrescentar mais remédios, mas entender o que está impedindo o controle", afirma.
A identificação dessas condições é importante porque o tratamento da causa associada pode contribuir para melhorar os níveis de pressão arterial.
Como é feito o acompanhamento?
O acompanhamento médico permite observar a resposta aos medicamentos, avaliar os níveis de pressão e identificar possíveis fatores que dificultam o controle.
Dependendo do caso, o profissional pode solicitar exames, investigar doenças associadas e ajustar a combinação de medicamentos.
"Acompanhar os níveis regularmente e procurar avaliação médica quando eles permanecem elevados ajudam a identificar a causa e ajustar o tratamento o quanto antes. É importante reforçar que o paciente nunca deve interromper nem alterar os medicamentos por conta própria. O médico é quem deve orientar os próximos passos", esclarece o Dr. Pedrosa.
Por que não se deve interromper o tratamento?
A hipertensão pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares e renais, especialmente quando permanece sem controle. Por isso, mesmo quando os medicamentos parecem não apresentar o resultado esperado, é importante manter o acompanhamento.
Ajustar doses, trocar medicamentos ou acrescentar novas opções são decisões que precisam ser tomadas pelo profissional responsável pelo tratamento.
A hipertensão resistente e a refratária exigem investigação individualizada. Identificar a diferença entre elas e descobrir o que mantém a pressão elevada são passos importantes para definir a conduta adequada e reduzir o risco de complicações.