Pesquisa associa consumo de carne à maior chance de chegar aos 100 anos

25 mai 2026 - 04h59
Pesquisas indicam que idosos precisam de mais proteína do que as recomendações nutricionais tradicionais
Pesquisas indicam que idosos precisam de mais proteína do que as recomendações nutricionais tradicionais
Foto: Freepik

Com o aumento da expectativa de vida global, cientistas tentam entender quais hábitos realmente ajudam as pessoas a viverem mais, e melhor. A previsão é que, até 2050, quase meio bilhão de indivíduos ultrapasse os 80 anos. Nesse cenário, a alimentação se tornou um dos principais focos das pesquisas sobre envelhecimento saudável.

Um novo estudo realizado na China, publicado no periódico científico The American Journal of Clinical Nutrition, trouxe resultados que desafiam parte das ideias tradicionais sobre longevidade e dietas vegetarianas. Pesquisadores descobriram que mulheres idosas consideradas abaixo do peso tinham maior probabilidade de chegar aos 100 anos quando consumiam carne regularmente, em comparação com vegetarianas da mesma faixa etária.

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A pesquisa analisou dados de mais de 5 mil pessoas com 80 anos ou mais, incluindo 1.459 centenários. Os cientistas utilizaram informações do Estudo Longitudinal Chinês sobre Longevidade Saudável (CLHLS), um dos maiores levantamentos sobre envelhecimento do mundo.

Segundo os autores, o fator decisivo não parece ser simplesmente comer carne ou evitar alimentos de origem animal, mas garantir ingestão adequada de proteínas, calorias e nutrientes essenciais durante a velhice.

Peso corporal pode influenciar mais do que o tipo de dieta

Os pesquisadores observaram que o impacto negativo do vegetarianismo apareceu apenas entre idosos com baixo índice de massa corporal (IMC). Entre pessoas com peso normal ou sobrepeso, não houve diferença significativa na chance de alcançar os 100 anos.

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De acordo com o estudo, mulheres idosas abaixo do peso que consumiam carne diariamente apresentaram uma probabilidade 44% maior de se tornarem centenárias em relação às vegetarianas magras.

Outro dado importante chamou atenção: vegetarianos que ainda consumiam ovos, peixes ou laticínios apresentaram taxas de longevidade semelhantes às dos consumidores de carne. Isso reforça a hipótese de que a manutenção da massa muscular e da nutrição adequada pode ser mais relevante do que a exclusão total de alimentos animais.

Nos últimos anos, pesquisas têm indicado que idosos podem precisar de mais proteína do que as recomendações nutricionais tradicionais sugerem. A perda de massa muscular, comum com o avanço da idade, está associada a maior fragilidade física, risco de quedas e pior recuperação de doenças.

Especialistas apontam que dietas muito restritivas na terceira idade podem aumentar o risco de deficiência nutricional, especialmente em pessoas com baixo peso ou dificuldade de alimentação.

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Esse debate também aparece em estudos anteriores que relacionam dietas vegetarianas a maior incidência de fraturas ósseas, possivelmente devido à ingestão insuficiente de cálcio e proteínas.

Nem toda carne tem o mesmo impacto

Os pesquisadores destacam que os resultados não significam que o consumo elevado de carne seja necessariamente saudável em qualquer contexto. Diversos estudos continuam associando carnes processadas e excesso de carne vermelha a maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e redução da longevidade.

Por outro lado, dietas equilibradas, ricas em vegetais, grãos integrais, frutas e fontes adequadas de proteína, seguem sendo apontadas como modelos benéficos para a saúde ao longo da vida.

Os autores defendem que a alimentação ideal para idosos pode precisar de adaptações individuais, levando em conta peso corporal, condições de saúde, capacidade de mastigação e necessidades nutricionais específicas.

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Embora a dieta tenha papel importante, os cientistas lembram que ela é apenas uma parte da equação do envelhecimento saudável. Sono de qualidade, atividade física regular, vínculos sociais e acesso a cuidados médicos também influenciam diretamente a expectativa de vida.

Estimativas citadas pelos pesquisadores indicam que até 70% das chances de alcançar os 90 anos podem estar relacionadas a hábitos saudáveis adotados ao longo da vida.

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