O que leva uma pessoa a desenvolver gagueira?

A gagueira costuma aparecer de forma gradual e pode causar estranhamento em familiares e amigos. Porém, esse modo diferente de falar, marcado por repetições, pausas e bloqueios, não é simplesmente "nervosismo" nem falta de atenção. Saiba as causas desse distúrbio.

27 jan 2026 - 09h31

A gagueira costuma aparecer de forma gradual e pode causar estranhamento em familiares e amigos. Porém, esse modo diferente de falar, marcado por repetições, pausas e bloqueios, não é simplesmente "nervosismo" nem falta de atenção. Pesquisas em fonoaudiologia e neurociências indicam que se trata de um distúrbio de fluência da fala com múltiplas causas, que se combinam de maneira particular em cada pessoa.

Ao longo dos últimos anos, estudiosos identificaram fatores biológicos, psicológicos e ambientais que ajudam a explicar por que algumas pessoas desenvolvem gagueira e outras não, mesmo vivendo em contextos parecidos. Assim, a compreensão desses elementos permite que famílias e profissionais procurem ajuda mais cedo e evitem interpretá-la como um defeito de caráter ou de personalidade.

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Ao longo dos últimos anos, estudiosos identificaram fatores biológicos, psicológicos e ambientais que ajudam a explicar por que algumas pessoas desenvolvem gagueira e outras não, mesmo vivendo em contextos parecidos – depositphotos.com / burdun
Ao longo dos últimos anos, estudiosos identificaram fatores biológicos, psicológicos e ambientais que ajudam a explicar por que algumas pessoas desenvolvem gagueira e outras não, mesmo vivendo em contextos parecidos – depositphotos.com / burdun
Foto: Giro 10

O que é gagueira e como ela se manifesta?

A gagueira caracteriza-se por interrupções involuntárias na fluência da fala. Essas interrupções podem envolver repetições de sílabas ou palavras, prolongamento de sons e bloqueios, quando o som simplesmente não sai. Em muitos casos, a pessoa sabe exatamente o que quer dizer, mas encontra dificuldade para transformar o pensamento em fala fluente.

É comum que esses momentos sejam acompanhados de sinais físicos, como tensão na face, piscadas mais frequentes, movimentos da cabeça ou do corpo. A intensidade da gagueira pode variar de acordo com a situação: em ambientes tranquilos, a fala pode ser mais fluida, enquanto em situações formais, apresentações ou conversas com desconhecidos, as rupturas tendem a aumentar.

Quais fatores levam uma pessoa a desenvolver gagueira?

A expressão causas da gagueira não se resume a um único motivo. Pesquisas apontam que vários fatores contribuem para o desenvolvimento desse distúrbio. Entre eles, destacam-se a predisposição genética, o funcionamento neurológico da fala e as características do desenvolvimento infantil. Esses elementos não atuam isoladamente; o resultado costuma ser a soma de influências biológicas e do ambiente em que a pessoa vive.

De forma geral, especialistas consideram a gagueira um distúrbio multifatorial. Isso significa que dois indivíduos podem apresentar sintomas semelhantes, mas por razões diferentes. Enquanto um pode ter forte histórico familiar, outro pode reunir alterações no ritmo de desenvolvimento da linguagem e maior sensibilidade a situações de pressão na comunicação.

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Genética e cérebro: qual o papel na gagueira?

Estudos com famílias indicam que a gagueira hereditária é uma realidade para muitas pessoas. Parentes próximos que também gaguejam aumentam a probabilidade de uma criança desenvolver o distúrbio. Pesquisadores identificaram variações em alguns genes associados à organização da fala e ao processamento da linguagem, sugerindo que a biologia tem participação importante.

Do ponto de vista neurológico, exames de imagem mostram diferenças no modo como certas áreas do cérebro se comunicam durante a fala. Regiões envolvidas no planejamento motor e na coordenação dos movimentos da fala podem funcionar de forma menos sincronizada em pessoas que gaguejam. Isso não significa lesão cerebral, mas sim um padrão diferente de organização, que favorece rupturas na fluência.

  • Histórico familiar: presença de pais, irmãos ou parentes que também gaguejam.
  • Diferenças de conectividade cerebral: comunicação particular entre áreas motoras e de linguagem.
  • Predisposição biológica: combinação de fatores genéticos que tornam a fala mais vulnerável a rupturas.

Desenvolvimento infantil e início da gagueira

A gagueira costuma surgir na infância, geralmente entre 2 e 5 anos, fase de intenso crescimento da linguagem. Nesse período, a criança aumenta rapidamente o vocabulário e começa a formar frases mais complexas. É também nessa etapa que aparecem as chamadas "rupturas típicas da fala infantil", como pequenas repetições e reformulações de frases, que são normais no processo de aprendizagem.

Em algumas crianças, porém, essas rupturas se tornam mais frequentes, tensas e persistentes, configurando a gagueira infantil. Fatores como desenvolvimento motor da fala, ritmo de aquisição da linguagem e organização do pensamento podem contribuir para isso. Quando há predisposição genética, a chance de essas falhas se consolidarem como gagueira aumenta.

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  1. Crescimento rápido do vocabulário e das frases.
  2. Dificuldade em coordenar pensamento, respiração e movimentos da fala.
  3. Predisposição biológica, que torna essas dificuldades mais intensas e duradouras.
Fatores emocionais não são a causa única do problema, mas podem influenciar o aparecimento e a manutenção da gagueira – depositphotos.com / Elnur_
Foto: Giro 10

Fatores emocionais e ambientais influenciam a gagueira?

Fatores emocionais não são a causa única do problema, mas podem influenciar o aparecimento e a manutenção da gagueira. Situações de pressão, ambientes muito competitivos ou experiências de ridicularização da fala tendem a aumentar a tensão ao falar. Essa tensão favorece mais bloqueios, mais esforço e, como consequência, mais gagueira.

Algumas características de temperamento também têm sido estudadas, como maior sensibilidade a críticas ou maior tendência à ansiedade social. Quando a pessoa passa a antecipar que vai gaguejar em certas situações, pode surgir um ciclo em que o medo de gaguejar alimenta ainda mais as rupturas. Assim, o ambiente em que a comunicação acontece ocupa papel relevante na evolução do quadro.

  • Ambiente rígido na comunicação: pouca paciência para ouvir, interrupções frequentes.
  • Experiências negativas ao falar: risadas, imitações ou broncas em momentos de gagueira.
  • Situações de exposição intensa: apresentações, leituras em voz alta, entrevistas.

Gagueira tem cura? O que pode ajudar no dia a dia?

Especialistas afirmam que parte das crianças que apresentam gagueira na infância deixa de gaguejar com o tempo, principalmente quando há intervenção adequada e ambiente acolhedor. Em outros casos, a gagueira persiste na vida adulta, mas pode ser manejada com apoio fonoaudiológico e, quando necessário, acompanhamento psicológico.

O tratamento costuma envolver treino de fluência da fala, ajuste do ritmo, técnicas de respiração e estratégias para lidar com situações de maior pressão comunicativa. A participação da família ou de pessoas próximas é considerada fundamental, especialmente no caso de crianças, para reduzir cobranças e evitar interpretações equivocadas sobre o modo de falar.

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De forma geral, a gagueira é entendida hoje como resultado da interação entre predisposição biológica, funcionamento cerebral da fala, desenvolvimento da linguagem e condições emocionais e ambientais. A combinação desses fatores explica por que o quadro se manifesta de forma tão diversa entre as pessoas e reforça a importância de buscar avaliação profissional sempre que a gagueira causar impacto significativo na comunicação cotidiana.

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