Recentemente, a cantora Doja Cat, de 30 anos, gerou um debate necessário sobre saúde feminina nas redes sociais. A artista revelou que pode estar lidando com o lipedema, uma condição crônica frequentemente confundida com a celulite comum.
Em um vídeo no TikTok, a dona do hit "Paint the Town Red" descreveu uma "epifania" sobre seu corpo. Ela notou um acúmulo de gordura persistente nas pernas e braços que não mudava com dietas tradicionais.
O que é o lipedema e por que ele afeta as mulheres?
O lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo depósito anormal e desproporcional de gordura em regiões específicas. Segundo o cirurgião vascular Herik Oliveira, a condição atinge quase exclusivamente o público feminino e causa aumento simétrico das pernas.
Diferente da gordura comum, esse acúmulo gera um volume que parece "desconectado" do restante do tronco. A gordura do lipedema é doente e provoca alterações que vão muito além da estética visual da pele.
Sinais que ajudam a identificar a doença
Muitas mulheres confundem a textura da pele com a celulite, mas existem sinais claros de diferenciação. Herik destaca que pacientes relatam dor, sensibilidade ao toque e facilidade para o surgimento de hematomas espontâneos.
Além disso, um detalhe clássico ajuda no diagnóstico: os pés costumam ser preservados, sem o acúmulo de gordura. Isso cria uma espécie de "bracelete" de gordura nos tornozelos, o que distingue a condição de outros problemas vasculares.
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Lipedema ou celulite? A dúvida de Doja Cat explicada
A suspeita levantada por Doja Cat ecoa uma insegurança comum em mulheres entre 20 e 40 anos. A dermatologista Denise Ozores explica que a celulite afeta até 90% das mulheres, sendo uma alteração estrutural do tecido subcutâneo.
Já o lipedema envolve uma alteração complexa na distribuição da gordura corporal e na saúde dos tecidos. "Diferente da celulite, a condição pode vir acompanhada de sensação de peso e dor persistente", afirma a Dra. Denise Ozores.
Por que a confusão entre as condições é tão comum?
As duas condições afetam áreas semelhantes, como coxas, quadris e glúteos, alterando a percepção da textura da pele. Muitas mulheres passam anos tentando tratar o que acreditam ser celulite severa sem obter nenhum resultado satisfatório.
A Dra. Denise Ozores ressalta que o diagnóstico correto evita frustrações com tratamentos estéticos que não funcionam para a doença. Identificar se o quadro é vascular ou apenas dermatológico muda completamente a estratégia de cuidado e autocuidado.
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Os quatro estágios da evolução da doença
O cirurgião vascular Herik Oliveira explica que a patologia é classificada em quatro estágios distintos de evolução. No estágio 1, a pele parece lisa, mas já existe um aumento do tecido gorduroso e peso nas pernas.
No estágio 2, surgem irregularidades visíveis na pele e pequenos nódulos de gordura podem ser sentidos ao toque. O avanço da doença sem tratamento pode levar a deformidades que impactam severamente a mobilidade e a saúde física.
Do volume expressivo ao comprometimento linfático
No estágio 3, o volume de gordura torna-se expressivo, formando dobras e deformidades visíveis que alteram a silhueta. É nesta fase que a dor e a sensibilidade costumam se tornar mais intensas para a paciente.
Já o estágio 4 ocorre quando há associação com o linfedema, comprometendo também o sistema linfático da mulher. O inchaço torna-se muito mais intenso e o tratamento precisa ser ainda mais rigoroso para evitar complicações graves.
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Os diferentes tipos e áreas afetadas pelo lipedema
Além dos estágios, a medicina classifica a doença conforme as áreas do corpo onde a gordura se acumula. O tipo I envolve apenas o quadril, enquanto o tipo II se estende até a região dos joelhos.
O tipo III é o mais extenso, indo do quadril até os tornozelos, mantendo sempre os pés livres. Já o tipo IV inclui o acometimento dos braços, e o tipo V foca especificamente em joelhos e panturrilhas.
Como a distribuição da gordura ajuda no diagnóstico
Entender esses padrões de distribuição ajuda o médico a diferenciar o lipedema da obesidade comum ou do linfedema. Na obesidade, a gordura costuma ser distribuída de forma mais uniforme por todo o corpo, incluindo mãos e pés.
A distribuição específica do lipedema é um marcador genético e hormonal importante para o tratamento multidisciplinar. Saber o tipo exato ajuda a direcionar as terapias de compressão e os exercícios físicos mais eficazes para cada caso.
O tratamento multidisciplinar e a busca por qualidade de vida
Embora a doença ainda não tenha uma cura definitiva, existem formas eficazes de controlar todos os sintomas incômodos. O Dr. Herik Oliveira afirma que o tratamento ideal envolve uma equipe com vasculares, nutricionistas e fisioterapeutas.
A abordagem foca em reduzir a inflamação do corpo e melhorar a circulação linfática e venosa das pernas. O objetivo principal é devolver a autonomia para a mulher e reduzir as dores que impedem as atividades diárias.
Principais abordagens para o controle dos sintomas
Existem pilares fundamentais para quem recebe o diagnóstico desta condição crônica e deseja viver melhor. Confira as principais estratégias utilizadas pelos médicos especialistas hoje:
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Drenagem linfática manual: Ajuda a reduzir o inchaço e a sensibilidade dos tecidos.
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Alimentação anti-inflamatória: Foca em reduzir alimentos que inflamam a gordura doente no corpo.
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Meias de compressão: Auxiliam no retorno venoso e diminuem a sensação de peso nas pernas.
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Fisioterapia vascular: Exercícios específicos que fortalecem a musculatura sem causar impacto excessivo.
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Acompanhamento psicológico: Essencial para tratar o impacto emocional e a autoestima da paciente.
Quando a cirurgia de lipoaspiração é indicada?
Em casos onde o tratamento clínico não traz o alívio necessário, a cirurgia pode ser uma opção viável. O Dr. Herik Oliveira destaca que a lipoaspiração especializada remove a gordura doente e alivia a pressão nos tecidos.
O procedimento deve ser realizado por profissionais experientes para preservar ao máximo o sistema linfático da mulher. A cirurgia não é apenas estética, mas um recurso funcional para melhorar a mobilidade e reduzir a dor crônica.
O impacto emocional do diagnóstico correto
Muitas mulheres chegam aos consultórios exaustas após anos de dietas restritivas que nunca funcionaram para as pernas. O Dr. Herik relata que receber o diagnóstico traz um alívio emocional imenso para essas pacientes cansadas.
Saber que existe uma explicação médica para o formato do corpo ajuda a reconstruir a autoestima ferida. O acolhimento médico é o primeiro passo para que a mulher pare de se culpar por uma condição genética.