Influenciadora passa mal após 60 horas em jejum; a prática é perigosa?

Após ser internada com hipoglicemia e pressão baixa, influenciadora reacende o debate sobre os riscos do jejum intermitente

3 jun 2026 - 15h15

Uma atriz e influenciadora chamou atenção nas redes sociais após relatar complicações de saúde depois de permanecer 60 horas em jejum. Joana Cabral, de 37 anos, precisou ser internada após adotar a estratégia com o objetivo de perder cinco quilos.

Veja os riscos do jejum intermitente prolongado
Veja os riscos do jejum intermitente prolongado
Foto: Divulgação / Sport Life

Segundo ela, houve um "apagão" em casa. Ao chegar ao hospital, apresentava hipoglicemia, pressão baixa e batimentos fracos. A influenciadora segue internada para investigação do quadro.

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"Independentemente da causa, nunca mais farei isso. Não vale o risco", afirmou.

O caso reacendeu o debate sobre os limites do jejum intermitente e os cuidados necessários antes de adotar a prática.

O que é o jejum intermitente?

O jejum intermitente é uma estratégia alimentar que alterna períodos sem ingestão de alimentos com janelas destinadas à alimentação. O objetivo é fazer com que o organismo utilize os estoques de gordura como fonte de energia.

Segundo a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), o método não é indicado para todas as pessoas.

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Além disso, os riscos aumentam quando a prática ocorre sem acompanhamento profissional.

"As pessoas ficam longos intervalos sem comer e nos períodos que se alimentam o fazem de forma inadequada. Por isso, podem ter alterações metabólicas como hipoglicemia, desnutrição e desidratação", explica a especialista.

De acordo com a médica, também podem surgir sintomas como:

  • Fraqueza muscular.
  • Dificuldade de concentração.
  • Mal-estar.
  • Alterações metabólicas.

Ela alerta ainda para o aumento do risco de transtornos alimentares, como compulsão alimentar periódica, bulimia e anorexia.

Quanto tempo costuma durar o jejum?

Segundo a Dra., os protocolos mais comuns costumam prever períodos entre 10 e 24 horas de jejum. Sendo realizados diariamente ou em dias específicos.

"O jejum intermitente segue programas que aproveitam o tempo em jejum para melhorar o uso de gordura como fonte de energia e equilibrar hormônios, como a insulina", afirma.

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Entre os métodos mais conhecidos estão:

  • 16/8: 16 horas de jejum e 8 horas para alimentação.
  • 5/2: alimentação habitual por cinco dias e restrição calórica severa em dois dias da semana.
  • Eat-Stop-Eat: jejum de 24 horas uma ou duas vezes por semana.
  • Jejum alternado: dias de restrição calórica intercalados com dias de alimentação normal.

A especialista destaca que o método deve ser associado a uma alimentação saudável, equilibrada e variada.

"Qualquer outra dieta de grande restrição deve ser evitada. Também não há sentido em uma alimentação desequilibrada, com calorias liberadas alternada com períodos de jejum", ressalta.

O jejum intermitente pode trazer benefícios?

Segundo a nutróloga, os benefícios podem existir quando a estratégia é bem indicada e acompanhada. No entanto, os resultados variam de pessoa para pessoa.

"Nos últimos anos, milhares de estudos científicos relataram as vantagens e limitações do jejum intermitente", explica.

De acordo com ela, pesquisas apontam possíveis benefícios para condições como:

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  • Obesidade.
  • Diabetes mellitus.
  • Doenças cardiovasculares.
  • Alguns tipos de câncer.
  • Distúrbios neurológicos.

A especialista acrescenta que o jejum também pode auxiliar na perda de peso quando faz parte de um plano alimentar estruturado. "Evidências sugerem que os programas de restrição calórica intermitente produzem perda de peso equivalente quando comparados aos de restrição calórica contínua".

Por outro lado, ela alerta que a falta de planejamento pode comprometer os resultados.

"Se não houver um planejamento e o consumo de calorias for excessivo nos períodos de ingesta alimentar, pode haver ganho de peso e piora do perfil metabólico", destaca.

Quem deve evitar a prática?

A Dra. Marcella Garcez reforça que o jejum intermitente não é indicado para todos os públicos.

Segundo a especialista, todos os tipos de jejum são contraindicados para:

  • Gestantes.
  • Lactantes.
  • Crianças.
  • Adolescentes.
  • Alguns pacientes com doenças crônicas.

Por isso, qualquer estratégia envolvendo jejum deve contar com orientação médica.

"A indicação deve ser individualizada para evitar riscos à saúde, considerando fatores como estilo de vida, objetivos e condições de saúde de cada pessoa", conclui.

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