Com a chegada do recesso escolar, a rotina muda e os limites costumam relaxar. O resultado imediato é o excesso de telas nas férias. Segundo um estudo publicado no JAMA Pediatrics, o uso de celulares e tablets por crianças chega a aumentar entre 40% e 70% neste período.
Embora pareça uma forma inofensiva de entretenimento, esse aumento drástico cobra um preço alto da saúde infantil. Dados da Sleep Foundation indicam que a luz azul emitida pelos dispositivos inibe a melatonina, hormônio do sono, podendo atrasar o adormecer em até duas horas.
Efeitos do excesso de telas na infância
Para a psicóloga Dra. Andrea Beltran, o problema vai além do relógio biológico. O cérebro infantil, ainda em formação, recebe uma descarga de dopamina que altera o comportamento.
"As telas ativam o sistema nervoso de maneira intensa. Quando essa excitação não é compensada por atividades físicas, surgem a irritabilidade e a baixa tolerância à frustração", explica a especialista.
Cérebro em alerta constante
A ciência confirma o alerta dos especialistas. O uso noturno de eletrônicos fragmenta o sono REM, fase de alta atividade cerebral, na qual ocorrem os sonhos mais vívidos. Ela é essencial para a regulação emocional e consolidação da memória.
Assim, a criança acorda cansada, o que piora o humor no dia seguinte. Cria-se então, um ciclo vicioso de estresse e busca por mais gratificação digital.
Além disso, a falta de estrutura na rotina potencializa conflitos domésticos. Sem regras claras, a transição entre o mundo virtual e o real se torna dolorosa, gerando crises de choro e agressividade.
Como equilibrar a rotina
Não é preciso demonizar a tecnologia, mas é fundamental retomar o controle. A ausência total de limites cria um ambiente de tensão familiar.
Para proteger o desenvolvimento dos filhos, a Dra. Andrea recomenda:
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Higiene do sono: corte o uso de telas pelo menos uma hora antes de dormir;
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Pausas ativas: intercale o tempo de eletrônicos com brincadeiras ao ar livre ou jogos manuais;
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Supervisão: monitore não apenas o tempo, mas o tipo de conteúdo consumido.
"Não é sobre proibir, mas sobre reposicionar as telas. Elas não devem ocupar o lugar de experiências fundamentais da infância, como o brincar livre e o descanso de qualidade", finaliza a especialista.