O primeiro exame de sangue para Alzheimer registrado pela Anvisa chegou ao Brasil pela rede privada, custando cerca de R$ 3 mil. Focado em pacientes com mais de 50 anos que já têm sintomas cognitivos, o teste mede a proteína p-tau217 com 90% de precisão, agilizando diagnósticos que antes dependiam de métodos invasivos. O procedimento não é indicado como prevenção para pessoas assintomáticas e ainda não possui previsão de oferta no SUS, que mantém os métodos tradicionais de avaliação.
O primeiro exame de sangue para Alzheimer com registro na Anvisa começou a ser oferecido nesta quinta-feira (15) no Brasil, marcando um avanço importante na investigação de quadros cognitivos. Disponibilizado inicialmente pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), o teste custa cerca de R$ 3 mil na rede privada e tem como foco principal pacientes que já apresentam sintomas e suspeita clínica da doença.
A tecnologia mede a proteína p-tau217 e promete encurtar o caminho diagnóstico, oferecendo uma alternativa menos invasiva e com acurácia em torno de 90% em comparação com métodos tradicionais como a punção lombar e o PET amiloide.
Entenda como o exame de sangue para Alzheimer transforma o diagnóstico
A análise laboratorial avalia os níveis da proteína p-tau217, que serve como um indicador indireto do acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro. Eduardo Zimmer, head de pesquisa da Unidade de Neurociência do Hospital Moinhos de Vento, explica ao site g1 que o procedimento agiliza a confirmação diagnóstica realizada por especialistas.
Em estudos internacionais publicados recentemente, a plataforma desenvolvida pela fabricante Fujirebio demonstrou alta precisão, embora os resultados possam incluir uma faixa inconclusiva de 15% a 20% dos casos, exigindo avaliações complementares em determinadas situações.
Já Renato Anghinah, professor titular de neurologia da Faculdade de Medicina do ABC, ressaltou, ao site g1, que o teste é indicado estritamente para pessoas com mais de 50 anos que já demonstram declínio cognitivo evidente.
A realização do procedimento de forma preventiva em indivíduos sem sintomas ainda não possui utilidade clínica comprovada ou validação de eficácia estabelecida. Além disso, a chegada da tecnologia ao Sistema Único de Saúde ainda não tem previsão oficial, pois o Ministério da Saúde informou que não há pedidos em análise pela Conitec.
Por fim, enquanto o exame não é incorporado à rede pública, o Ministério da Saúde reforça que o diagnóstico na rede pública continuará fundamentado em avaliações clínicas e exames de imagem convencionais.