Estudo com mulheres na pré-menopausa revela que recuperar parte do peso perdido reduz ganhos de saúde, elevando o risco cardiovascular a níveis prévios. Contudo, quem aliou dieta a treinos de resistência manteve menor risco para diabetes tipo 2 mesmo após o reganho. O peso final seguiu menor que o inicial, provando que o esforço não foi anulado. A pesquisa ressalta que manter exercícios e bons hábitos alimentares a longo prazo é essencial para preservar os benefícios metabólicos do emagrecimento.
Depois de meses de dieta e exercício, a roupa volta a servir, a balança finalmente estabiliza e a sensação é de que o esforço valeu a pena. Mas, algum tempo depois, alguns quilos começam a voltar.
É nesse momento que surge uma dúvida comum. Recuperar parte do peso significa perder também os benefícios que o emagrecimento trouxe para a saúde?
Uma pesquisa acompanhou mulheres durante a perda de peso e por mais um ano para observar justamente o que acontecia depois. Os resultados mostram que alguns ganhos diminuem quando o peso volta a subir, enquanto outros podem permanecer por mais tempo.
E o exercício parece fazer diferença nessa trajetória.
O peso voltou parcialmente (e o risco cardiovascular também)
A pesquisa acompanhou 221 mulheres saudáveis, sedentárias, com sobrepeso e na pré-menopausa. Elas passaram por um período de perda de peso e foram acompanhadas novamente um ano depois.
Durante o emagrecimento, o IMC médio caiu de 28,3 para 23,9. Um ano depois, parte do peso havia voltado, e o IMC médio estava em 25,8.
O que aconteceu com o risco cardiovascular?
- Depois do emagrecimento: o risco estimado de ter um grande evento cardiovascular nos dez anos seguintes caiu nos três grupos.
- Com o reganho de peso: parte dessa melhora foi perdida.
- Um ano depois: a estimativa de risco estava próxima do nível observado antes do emagrecimento.
Para o diabetes, o resultado chamou mais atenção
O risco estimado de desenvolver diabetes tipo 2 caiu após o emagrecimento. Um ano depois, porém, parte dessa melhora havia diminuído.
- Quem combinou dieta com treinamento de resistência foi o único grupo que ainda apresentava redução do risco estimado de diabetes em relação ao início, mesmo ganhando uns quilos a mais.
- Quem fez apenas dieta apresentou aumento do risco estimado durante a recuperação de parte do peso.
- Já no grupo que combinou dieta e exercício aeróbico, a redução observada após o emagrecimento não se manteve após um ano.
Então, recuperar alguns quilos anula o emagrecimento?
Não. Como mencionamos, as participantes terminaram o acompanhamento, em média, com IMC menor do que tinham no começo. Portanto, houve recuperação parcial, e não retorno completo à situação inicial.
O estudo sugere algo mais útil do que uma simples regra sobre a balança. A fase de manutenção também importa.
Continuar ativo e manter hábitos alimentares adequados pode ajudar a preservar parte dos ganhos metabólicos obtidos durante o emagrecimento.
O treinamento de resistência também aparece como uma estratégia que merece investigação em estudos maiores e mais longos.
Mas é preciso respeitar os limites da pesquisa.
Vale lembrar que o estudo foi feito com mulheres saudáveis e na pré-menopausa, por isso os resultados não podem ser generalizados para todas as pessoas.
Publicado na revista Obesity, o trabalho reforça a ideia de que emagrecer pode melhorar indicadores importantes de saúde, mas parte desses ganhos pode diminuir quando o peso volta a subir.
Por isso, manter os hábitos depois da perda de peso não é um detalhe. É parte importante do próprio processo.
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