Quando se fala em dieta cetogênica, a primeira associação costuma ser com emagrecimento. Mas pesquisadores vêm estudando uma possibilidade diferente. Será que a mudança no metabolismo causada por esse tipo de alimentação também pode influenciar a saúde mental?
A pergunta ganhou atenção porque pessoas com transtornos psicóticos, como esquizofrenia e transtorno bipolar tipo 1, apresentam com frequência alterações metabólicas, incluindo maior risco de obesidade, resistência à insulina e diabetes.
Um novo estudo sugere que a dieta cetogênica pode estar associada a melhorias em alguns sintomas e indicadores de saúde em pessoas com esses transtornos.
O que o estudo encontrou
Publicado na revista científica Schizophrenia Bulletin, o estudo acompanhou 58 adultos com esquizofrenia ou transtorno bipolar tipo 1.
Após um mês seguindo a dieta cetogênica, os participantes apresentaram melhora em indicadores metabólicos, como redução da glicose no sangue. Os pesquisadores também observaram que níveis mais elevados de corpos cetônicos estavam associados a uma redução de sintomas depressivos.
Os corpos cetônicos são uma espécie de combustível alternativo produzido pelo organismo quando há pouca ingestão de carboidratos.
Uma das hipóteses estudadas é que essa mudança na fonte de energia possa influenciar processos relacionados ao humor e ao pensamento.
Parte dos participantes continuou na dieta por mais quatro meses. Ao final desse período, eles apresentaram melhorias em sintomas depressivos, sintomas relacionados à esquizofrenia e desempenho cognitivo, além da manutenção dos benefícios metabólicos.
Por que uma dieta poderia influenciar a saúde mental?
Os cientistas ainda não sabem exatamente como a dieta cetogênica poderia afetar sintomas psiquiátricos.
Eles investigam se alterações no metabolismo energético podem influenciar processos ligados ao cérebro, incluindo inflamação e comunicação entre neurônios.
No entanto, é importante mencionar que esses mecanismos ainda não foram totalmente esclarecidos.
A dieta cetogênica já faz parte do tratamento?
Ainda não. Apesar dos resultados promissores, o estudo foi realizado com um número pequeno de participantes.
Além disso, as melhorias mais expressivas nos sintomas psiquiátricos apareceram em uma etapa sem grupo de comparação, o que impede concluir que elas tenham sido causadas apenas pela dieta.
Por isso, os próprios pesquisadores afirmam que serão necessários estudos maiores antes que essa estratégia possa ser considerada uma opção complementar no tratamento da esquizofrenia ou do transtorno bipolar.
A dieta cetogênica é um padrão alimentar que reduz drasticamente o consumo de carboidratos e aumenta a ingestão de gorduras.
Com essa mudança, o organismo passa a usar a gordura como principal fonte de energia, produzindo os chamados corpos cetônicos.
Como é uma alimentação bastante restritiva, ela só deve ser adotada com acompanhamento médico e nutricional, especialmente por pessoas que convivem com transtornos mentais graves.
Até o momento, a dieta cetogênica não substitui medicamentos, psicoterapia nem outros tratamentos recomendados para essas condições.
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