Virar alguém de cabeça para baixo ajuda em caso de engasgo? Especialistas respondem

Vídeo que viralizou nas redes mostra homem virando colega de trabalho de cabeça para baixo após ela se sufocar

10 jul 2026 - 05h58
Homem vira colega de trabalho de cabeça para baixo durante engasgo
Homem vira colega de trabalho de cabeça para baixo durante engasgo
Foto: Reprodução

Um vídeo que mostra um funcionário virando uma colega de trabalho de cabeça para baixo após ela se engasgar viralizou nas redes sociais na última semana pelo gesto inusitado. O episódio ocorreu em uma empresa na cidade de Itarana, no Espírito Santo.

Nas imagens registradas pela câmera de segurança da empresa, uma mulher identificada como Paloma Coan, de 31 anos, aparece comendo um bolo. Segundos depois, ela acaba se engasgando e pede ajuda para um colega ao lado. Rapidamente, ele coloca a mulher de cabeça para baixo, chacoalha e ela volta a respirar.

Publicidade

Especialistas ouvidos pelo Terra afirmam que, apesar de a manobra usada pelo homem ter dado certo, ela não é recomendada para casos de engasgo por nenhuma diretriz nacional ou internacional. Na verdade, virar pessoas de cabeça para baixo em um episódio de engasgo pode configurar risco à saúde.

"Para uma pessoa leiga, pode até parecer fazer sentido, ao virar a cabeça para baixo, a lógica nos faz pensar que a gravidade atuará no próprio objeto, forçando-o para fora. No entanto, em engasgos, o objeto impacta na via aérea e apenas o aumento da pressão torácica, forçando o ar para fora, torna factível a sua expulsão", explica Paulo Correia, coordenador do Pronto-Socorro do Hospital Brasília, da Rede Américas.

O engasgo é considerado grave quando a pessoa envolvida não fala, não tosse e não respira. Geralmente, as mãos são levadas ao pescoço e a pessoa pode ficar agitada, com os lábios e a face mais avermelhadas. 

"A atuação para salvar vidas nesse caso é clássica, simples e bastante resolutiva, chama-se manobra de Heimlich. Nela, o socorrista se posiciona atrás da vítima, abraça-a pela cintura, fecha o punho e posiciona entre o umbigo e a boca do estômago e, com a outra mão por cima, comprime com força para dentro e para cima, repetidas vezes, até a expulsão do objeto", acrescenta o médico.

Publicidade

Mesmo quando a manobra funciona, é preciso que a pessoa seja levada ao médico depois, porque a compressão abdominal forte pode causar lesão interna ou promover lesão traqueal, faríngea ou esofágica. Ele diz que, pela forma como a manobra aparece no vídeo, o conteúdo abdominal pode ter se deslocado em direção ao diafragma e o comprimido.

"Essa compressão eleva a pressão dentro do tórax, que é exatamente o mecanismo pelo qual a manobra de Heimlich desobstrui a via aérea. Ou seja: se funcionou, provavelmente não foi a gravidade puxando o bolo para fora, e sim o próprio peso das vísceras reproduzindo, de forma improvisada e não controlada, o efeito da manobra correta. Também não dá para descartar pelo vídeo que a obstrução fosse parcial", afirma.

Victor Cravo, coordenador dos hospitais Samaritano Barra e Vitória, da Rede Américas, destaca que, nos casos de obstruções leves, os pacientes são encorajados a tossir enquanto são observados para sinais de progressão para obstrução grave. A forma como a manobra de Heimlich deve ser aplicada também varia em crianças e adultos. 

"O ideal é sempre chamar o SAMU nesses casos e, enquanto aguarda o socorro, realizar a manobra de Heimlich que pode salvar a vida do paciente. É preciso ativar o serviço médico de emergência prontamente, pois pacientes com obstrução grave podem deteriorar rapidamente para parada cardíaca", complementa.

Publicidade

Entre os fatores de risco à saúde envolvidos em um engasgo estão: lesão cerebral irreversível, risco concreto de queda (vítimas de engasgo grave podem perder a consciência) e risco de uma obstrução parcial ou completa nas vias aéreas. O médico Paulo Correia alerta para os sintomas que podem ser identificados no engasgo.

"A regra é simples: quem faz barulho está respirando. Se a pessoa tosse com força, fala, emite som, a obstrução é parcial — nesse caso, o melhor socorro é não atrapalhar. Incentive a tosse e fique ao lado.

O sinal de gravidade é o silêncio. Vítimas que não conseguem tossir ou falar, que agarram o próprio pescoço, que ficam agitadas e começam a arroxear os lábios, estão com obstrução total. Nesses casos, não existe espera: chama ajuda, liga para o 192, e outro já inicia o Heimlich. Se ela ficar mole e desmaiar, vai para o chão e começam as compressões torácicas na hora", conclui.

Fonte: Portal Terra
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se