Celebrado em 29 de outubro, o Dia Mundial da Psoríase combate o estigma sobre a doença, que não é contagiosa e tem origem genética e imunológica. Além de lesões na pele, ela afeta unhas, articulações e a saúde emocional, sendo agravada por estresse, fumo e álcool. Embora não tenha cura, tem controle por tratamentos que vão de pomadas a imunobiológicos, disponíveis no SUS. O diagnóstico precoce é essencial para conter danos articulares e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Uma mancha avermelhada, uma placa que descama ou uma alteração na unha podem chamar a atenção de quem está por perto. Para quem tem psoríase, porém, o desconforto nem sempre está apenas na pele. O medo de ser julgado, os olhares e até o receio de tocar em outras pessoas podem fazer parte da rotina.
A psoríase não é contagiosa, mas ainda é cercada por desinformação. Neste 29 de outubro, Dia Mundial da Psoríase, as campanhas de conscientização reforçam uma mensagem importante: é preciso enxergar a pessoa para além das lesões.
A campanha internacional de 2026 da Federação Internacional de Associações de Psoríase (IFPA), com o tema Look Beyond My Skin ("Olhe além da minha pele"), destaca os jovens que convivem com a doença e busca combater o estigma e a discriminação.
No Brasil, a Psoríase Brasil lançou a campanha "Nunca Foi Só Pele" para mostrar que a psoríase vai além das marcas visíveis e também pode afetar a saúde emocional, as relações sociais e a qualidade de vida.
Por que a psoríase não é contagiosa
A psoríase é uma doença inflamatória crônica relacionada ao sistema imunológico e à predisposição genética.
Como explica a dermatologista Dra. Patrícia Dalboni, "as células da pele ficam desreguladas". A renovação celular acontece de maneira acelerada, favorecendo o acúmulo de células na superfície.
Isso pode levar ao aparecimento de placas avermelhadas, espessas e cobertas por escamas esbranquiçadas ou prateadas, que podem coçar, arder ou causar dor.
"É uma doença que não é infecciosa, ela não tem vírus, não tem bactéria, não tem nada que possa causar uma infecção", afirma a médica.
A psoríase não passa pelo toque, pelo abraço ou pelo compartilhamento de objetos. A predisposição genética pode contribuir para o desenvolvimento da doença, mas não significa que ela seja transmitida de uma pessoa para outra.
Quais sinais merecem atenção
As lesões aparecem com frequência nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo e parte inferior das costas. Também podem atingir as palmas das mãos e as unhas.
No couro cabeludo, a descamação pode ser confundida com caspa. Nas mãos, pode ser atribuída a problemas como micose ou disidrose. Por isso, Dalboni orienta atenção aos sinais persistentes.
"Qualquer mancha avermelhada com descamação que não some rápido, em algumas semanas, merece uma avaliação com o dermatologista," explica.
As unhas também podem dar pistas. A psoríase pode provocar pequenos furinhos, espessamento, descolamento e manchas amareladas. Essas alterações merecem atenção porque estão associadas a uma maior probabilidade de comprometimento das articulações.
A doença pode provocar artrite psoriásica, que exige diagnóstico e tratamento.
"Pode causar dor, pode causar inchaço,e, ainda, pode causar rigidez nas articulações", alerta a dermatologista.
Reconhecer esses sintomas e procurar atendimento precocemente é importante para reduzir o risco de danos permanentes às articulações, mesmo quando as lesões na pele são discretas.
A psoríase tem cura? Como funciona o tratamento?
"A psoríase não tem cura, mas tem controle na grande maioria dos casos", afirma Dalboni. E reforça: "Quanto mais precoce o tratamento, melhor".
As opções variam conforme a gravidade da doença, as áreas afetadas e a resposta de cada paciente. Entre as possibilidades estão:
- Cremes e pomadas: podem ser indicados nos casos leves, junto com hidratantes e outros produtos específicos.
- Fototerapia: utiliza luz ultravioleta sob orientação profissional.
- Medicamentos orais ou injetáveis: podem ser necessários conforme a gravidade do quadro.
- Imunobiológicos: medicamentos que atuam em pontos específicos do processo inflamatório e ampliaram as possibilidades de controle da doença, especialmente nos casos moderados a graves. Alguns também ajudam a tratar o comprometimento das articulações associado à artrite psoriásica.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para psoríase, incluindo fototerapia e medicamentos previstos nos protocolos oficiais, conforme a indicação clínica e os critérios de acesso.
A disponibilidade depende da organização da rede de atendimento.
Estresse, cigarro e álcool podem piorar as crises?
"Sim, tudo influencia a psoríase", resume Dalboni. Entre os fatores que podem agravar a doença estão o estresse, o tabagismo, o consumo de álcool e a obesidade.
A dermatologista destaca especialmente o impacto emocional. "O estresse é aquele mais famoso." O sono e a alimentação também merecem atenção. Sobre o tabagismo, ela é enfática: "O fumo atrapalha muito".
Esses fatores podem influenciar a evolução da doença, mas isso não significa que as crises sejam culpa do paciente. Cuidar da saúde de forma integral pode contribuir para o controle da psoríase, sem substituir o acompanhamento e o tratamento médico.
As campanhas do Dia Mundial da Psoríase lembram que conviver com a doença envolve mais do que lidar com as lesões visíveis. Informação, acolhimento e acesso ao tratamento ajudam a combater o preconceito e a melhorar a qualidade de vida de quem enfrenta essa condição.