Descobrir um câncer de tireoide costuma levantar muitas dúvidas. Uma delas aparece quase sempre: a doença pode ser hereditária e representar um risco para filhos, irmãos ou outros familiares?
Na maioria dos casos, não. A maior parte dos tumores surge de forma esporádica, sem relação com alterações genéticas hereditárias.
Mesmo assim, existe uma pequena parcela de pacientes em que a doença está ligada a fatores genéticos. Nesses casos, identificar essa predisposição pode ajudar no tratamento e orientar o acompanhamento de familiares.
Em quais casos o câncer de tireoide pode ser hereditário?
Alguns tipos de câncer de tireoide têm maior relação com fatores hereditários. Nos tumores não medulares, estima-se que apenas 3% a 9% dos casos tenham caráter familiar.
Já o principal exemplo é o câncer medular de tireoide. Nesse tipo de tumor, cerca de 25% dos casos têm origem hereditária.
Além dele, algumas síndromes genéticas raras também podem aumentar o risco de desenvolver tumores na tireoide, embora essas situações sejam pouco frequentes.
É justamente nesses casos que a investigação genética ganha importância.
"A genética não serve apenas para confirmar o diagnóstico. Ela permite compreender a causa da doença, orientar o prognóstico e identificar familiares que também podem estar em risco", explica o médico geneticista Paulo Victor Zattar Ribeiro.
Quando o teste genético pode ser indicado?
O teste genético não faz parte da rotina de todos os pacientes com câncer de tireoide.
Ele costuma ser indicado quando existem sinais de que a doença possa estar relacionada a uma predisposição hereditária, especialmente nos casos de câncer medular ou quando há um histórico familiar sugestivo.
Entre os fatores que costumam chamar a atenção dos médicos estão:
- dois ou mais parentes próximos com câncer de tireoide;
- diagnóstico em idade jovem;
- tumores múltiplos ou recorrentes;
- histórico familiar de outras doenças relacionadas a síndromes genéticas.
O médico com atuação em endocrinologia Igor Viana explica que esses fatores ajudam a identificar quem pode se beneficiar de uma investigação mais detalhada.
"Quando observamos câncer de tireoide em idade jovem, múltiplos casos na mesma família ou associação com outras doenças características de determinadas síndromes genéticas, é fundamental considerar uma investigação mais aprofundada", afirma.
O que muda quando o resultado é positivo?
Encontrar uma alteração genética não significa que a pessoa desenvolverá obrigatoriamente outros tumores.
"Quando uma condição hereditária é identificada, mudamos não apenas a trajetória daquele paciente, mas também de toda a família. O rastreamento permite diagnosticar precocemente indivíduos que ainda não desenvolveram a doença", afirma o médico geneticista Paulo Victor Zattar Ribeiro.
O resultado do teste ajuda os médicos a definir um acompanhamento mais individualizado.
Dependendo da alteração identificada, podem ser indicados exames periódicos, rastreamento para outras doenças associadas e, em situações específicas, medidas preventivas.
A confirmação de uma alteração hereditária também pode beneficiar familiares de primeiro grau, como pais, irmãos e filhos, que poderão ser encaminhados para avaliação médica e, quando indicado, para o teste genético.
Embora a maioria dos casos de câncer de tireoide não tenha origem hereditária, conhecer o histórico de saúde da família pode fazer diferença.
Quando existe suspeita de predisposição genética, a avaliação médica é fundamental para definir se há necessidade de investigação e acompanhamento específicos.
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