A hiperidrose, caracterizada pelo suor excessivo, afeta 3% da população e compromete a qualidade de vida de muitos. Enquanto alguns podem controlar os sintomas com tratamentos clínicos, casos mais graves podem exigir cirurgia de simpatectomia. A condição impacta relações sociais, autoestima e até a saúde mental, destacando a importância de um diagnóstico preciso. 🩺
Muitas pessoas enfrentam mãos geladas e buscam casacos pesados durante o inverno.
No entanto, outras convivem com um problema oposto: o suor excessivo mesmo em dias frios. Isso acontece sem esforço físico ou altas temperaturas.
A situação pode parecer apenas um incômodo passageiro. Porém, em alguns casos, o sintoma pode ser sinal de uma condição chamada hiperidrose.
O impacto na qualidade de vida
A hiperidrose é caracterizada pela produção exagerada de suor.
A condição afeta cerca de 3% da população mundial. Ela interfere diretamente na rotina, nas relações sociais e na qualidade de vida do paciente.
O problema costuma aparecer em situações simples do cotidiano. Muitas pessoas evitam usar roupas claras por medo de manchas.
Outras deixam de cumprimentar alguém com um aperto de mão. Há também quem sinta dificuldade para escrever e manusear objetos devido à umidade.
"Não estamos falando apenas de suor excessivo. A hiperidrose pode comprometer relações sociais, autoestima, desempenho profissional e até a saúde mental do paciente", explica o cirurgião torácico do Hospital São Luiz Itaim, da Rede D'Or, Dr. André Miotto.
O que é hiperidrose?
O suor é uma resposta natural do organismo humano. Sua principal função é ajudar no controle da temperatura corporal.
Na hiperidrose, porém, as glândulas sudoríparas produzem suor em excesso. O processo ocorre mesmo quando o corpo não precisa se resfriar.
A medicina divide a condição em dois tipos principais:
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Hiperidrose primária: Costuma surgir na infância ou na adolescência. Ela não está relacionada a outras doenças. Geralmente afeta regiões específicas, como mãos, pés, axilas ou rosto. Situações de estresse e emoções intensas podem intensificar os episódios.
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Hiperidrose secundária: Ocorre como consequência de outras condições de saúde. É o caso de alterações na tireoide, infecções ou pelo uso de determinados medicamentos.
"Muitas vezes recebemos pacientes encaminhados por pediatras que, após a confirmação do diagnóstico, podem ser direcionados para o procedimento de simpatectomia quando há indicação", afirma o especialista do São Luiz Itaim.
Quando a cirurgia de simpatectomia é indicada?
Nem todos os pacientes precisam passar por uma cirurgia. O tratamento correto depende do tipo de hiperidrose. O médico também avalia a intensidade dos sintomas e o impacto na vida da pessoa.
A simpatectomia é indicada principalmente para casos de hiperidrose focal. Ela é recomendada quando há suor excessivo nas mãos, axilas ou face.
O procedimento entra em cena quando outras alternativas clínicas não apresentam melhora suficiente.
O processo cirúrgico é minimamente invasivo. Ele atua diretamente nos nervos responsáveis pelo estímulo do suor.
"Utilizamos uma câmera cirúrgica para visualizar a região e instrumentos específicos para atuar no nervo responsável pelo estímulo do suor. Na maioria dos casos, o paciente recebe alta em até 24 horas", explica Miotto.
Segundo o médico, a técnica não interfere no metabolismo. Ela também não afeta a capacidade do organismo de regular sua temperatura.
"Em muitos pacientes, a simpatectomia reduz significativamente ou elimina a necessidade de tratamentos contínuos, como medicamentos ou aplicações periódicas de toxina botulínica, que precisam ser reaplicadas ao longo do tempo", afirma.
Cuidados e efeitos colaterais
O procedimento apresenta altas taxas de melhora na transpiração. Ele traz um impacto positivo na autoestima e no trabalho.
No entanto, existe a possibilidade de ocorrer a sudorese compensatória.
Nesses casos, o corpo passa a produzir mais suor em outras áreas, como costas, abdome ou pernas. Por isso, a avaliação médica individualizada é fundamental.
Outros tratamentos clínicos
A cirurgia não é necessária para todos os pacientes. Dependendo do quadro do indivíduo, o controle dos sintomas pode ser feito de forma clínica:
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Uso de antitranspirantes específicos de alta potência.
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Medicamentos orais que reduzem a produção de suor.
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Aplicação local de toxina botulínica (botox).
"O diagnóstico correto é essencial para definir a melhor estratégia, já que cada tipo de hiperidrose exige uma abordagem diferente", reforça André Miotto.