Anvisa aprova vacina para meningite em bebês a partir de 6 semanas

Meningite ganha nova opção de proteção para bebês a partir de seis semanas. Entenda a autorização da Anvisa, o que muda na vacinação e quais sinais exigem atenção.

17 set 2026 - 12h00
Resumo
A Anvisa autorizou o uso da vacina MenQuadfi, que protege contra quatro sorogrupos da meningite bacteriana, para bebês a partir de seis semanas de idade, após estudos comprovarem sua segurança. A decisão amplia a faixa etária do imunizante, mas não altera de imediato o calendário de vacinação do SUS, que ainda depende do Ministério da Saúde. A meningite bacteriana é grave e de evolução rápida, exigindo atenção a sinais atípicos em bebês, como sonolência, irritabilidade e recusa alimentar.

Uma nova opção de proteção contra meningite pode ser utilizada nos primeiros meses de vida. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a aplicação da vacina MenQuadfi em crianças a partir de seis semanas de idade.

Foto: Pixelshot
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Foto: Saúde em Dia

A vacina meningocócica conjugada protege contra os sorogrupos A, C, W e Y da bactéria Neisseria meningitidis. A autorização amplia a faixa etária prevista para o imunizante.

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A decisão foi baseada na análise de estudos com mais de 6 mil bebês. Segundo a Anvisa, os dados apontaram um perfil de segurança adequado para o uso da vacina nessa faixa etária.

Meningite: o que muda para os bebês?

Apesar da nova autorização, a medida não altera automaticamente o calendário de vacinação do SUS.

Segundo a Dra. Janaína Teixeira, médica infectologista e professora da Afya São João del Rei, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) mantém a indicação da vacina meningocócica C aos três e cinco meses.

O esquema prevê ainda uma dose de reforço com a vacina meningocócica ACWY aos 12 meses. Para adolescentes, a ACWY é indicada entre 11 e 14 anos, conforme o calendário vigente.

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"O que a Anvisa mudou foi a possibilidade de uso em crianças menores, a partir de seis semanas, porque os estudos mostraram que existe segurança nessa faixa etária. Isso não quer dizer que a vacina vá ser incorporada pelo PNI atualmente", explica a especialista.

O calendário nacional de vacinação de 2026 mantém duas doses da meningocócica C aos três e cinco meses. O reforço com a ACWY ocorre aos 12 meses.

Assim, a eventual inclusão de bebês a partir de seis semanas no calendário público depende de uma decisão do Ministério da Saúde.

Até lá, a indicação da MenQuadfi deve seguir a aprovação para o produto e a avaliação do profissional de saúde que acompanha a criança.

Meningite: por que a doença preocupa em bebês?

A meningite é uma inflamação das meninges. Essas membranas revestem e protegem o cérebro e a medula espinhal.

A doença pode ter diferentes causas. Entre elas estão vírus, bactérias e fungos. As formas bacterianas merecem atenção especial devido ao risco de evolução rápida e complicações graves.

Na doença meningocócica, a transmissão ocorre principalmente por gotículas e secreções respiratórias. O contágio costuma acontecer após contato próximo com uma pessoa infectada ou portadora da bactéria.

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Em bebês, identificar a doença pode ser mais difícil. Os sintomas nem sempre aparecem da mesma forma que em crianças maiores.

"Os sintomas nem sempre são clássicos, principalmente em bebês. Por isso, é fundamental que pais e cuidadores estejam atentos a mudanças de comportamento", orienta Gustavo Pinato, médico e professor da pós-graduação em Pediatria da Afya Ribeirão Preto.

Quais são os sinais de meningite em bebês?

Nos primeiros meses de vida, a meningite pode provocar diferentes sinais. Entre eles estão:

  • febre ou hipotermia;
  • irritabilidade intensa;
  • choro inconsolável;
  • sonolência excessiva;
  • dificuldade para acordar;
  • recusa alimentar;
  • vômitos;
  • alterações no tônus muscular;
  • convulsões;
  • abaulamento da fontanela, a conhecida moleira.

Os sinais podem variar de uma criança para outra. Além disso, nem todos aparecem ao mesmo tempo.

Em bebês, também é possível que não exista rigidez de nuca. Esse é um dos sinais mais conhecidos da meningite em crianças maiores. Por isso, mudanças importantes no comportamento merecem atenção.

"Nessa faixa etária, a criança pode não apresentar rigidez de nuca ou outros sinais mais característicos. Por isso, mudanças importantes no comportamento, dificuldade para mamar, sonolência fora do habitual ou febre acompanhada de outros sintomas devem ser avaliadas por um profissional de saúde", explica o Dr. Gustavo.

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Meningite também pode causar sintomas em crianças maiores

Em crianças maiores e adolescentes, alguns sinais são mais frequentes. Entre eles estão dor de cabeça, vômitos e rigidez na nuca.

Também podem ocorrer sonolência, confusão mental e convulsões. No entanto, os sintomas variam conforme o caso.

"A meningite exige atenção imediata, especialmente nas formas bacterianas, que podem evoluir rapidamente. O diagnóstico precoce é essencial para reduzir o risco de complicações e sequelas", complementa Dra. Janaína.

Diante de uma piora rápida do estado geral ou de sinais sugestivos da doença, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.

Como proteger as crianças contra meningite?

A vacinação é uma das principais formas de prevenção contra doenças meningocócicas. Por isso, manter a caderneta infantil atualizada é fundamental.

Além da imunização, algumas medidas ajudam a reduzir a transmissão de agentes infecciosos. Entre elas estão:

  • lavar as mãos com frequência;
  • evitar contato próximo com pessoas doentes;
  • não levar crianças sintomáticas para ambientes coletivos;
  • buscar atendimento diante de sinais de alerta.

O calendário do Ministério da Saúde orienta a vacinação infantil de acordo com cada faixa etária. Atualmente, a meningocócica C é indicada aos três e cinco meses, enquanto a ACWY integra o esquema de reforço aos 12 meses.

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A nova autorização da Anvisa, portanto, amplia a possibilidade de uso da MenQuadfi, mas não significa que essa faixa etária já faça parte da vacinação de rotina oferecida pelo SUS.

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